Objetivo Analisar as vulnerabilidades individuais, sociais e programáticas e suas associações com o histórico de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e/ou HIV na População Privada de Liberdade no Ceará.
Métodos Estudo transversal realizado entre maio e setembro de 2022 nas unidades prisionais cearenses (20.666 prisioneiros). Os dados foram coletados por questionário com informações sociodemográficas, prisionais e histórico de saúde. As variáveis preditoras foram categorizadas conforme o referencial teórico de vulnerabilidades. A variável desfecho foi o diagnóstico de qualquer IST/HIV durante ou após o ingresso no sistema prisional. Para as variáveis contínuas, foram calculadas medidas de posição, dispersão e análise da normalidade e para a associação entre variáveis marcadoras de vulnerabilidade e histórico de IST, foi realizada regressão logística binária.
Resultados A prevalência de IST foi de 445(2,2%), Sífilis e HIV foram as mais prevalentes. Grande parte dos diagnósticos (54,4%) foram admissionais. Os marcadores de maior vulnerabilidade às IST foram: ter 30 anos ou mais, condição psiquiátrica ou doença crônica prévia, baixa renda, prisão por crime de entorpecentes, relacionamento com outros internos, trabalhar no sistema e tempo de prisão até um ano. Os marcadores de menor vulnerabilidade foram: ter religião, trabalho formal prévio, apresentar deficiência, ser LGBTQIA+, receber preservativos na prisão, relato de violência por policiais, receber visita do companheiro e ter sido transferido de unidade.
Conclusão A população privada de liberdade cearense apresentou vulnerabilidades individuais, sociais e programáticas às IST/HIV, atuantes antes e durante o aprisionamento. A alta prevalência admissional reforça a importância de compreender tais vulnerabilidades para promover ações de saúde e qualidade de vida, considerando o contexto pré e intraprisional.
Descritores:
Infecções sexualmente transmissíveis; Prisioneiros; Prisões; Vulnerabilidade em saúde; Estudo sobre vulnerabilidade