Open-access Análise da prevalência e fatores relacionados ao consumo de psicotrópicos entre profissionais de saúde de serviços hospitalares na pandemia

Análisis de la prevalencia y factores relacionados con el consumo de psicotrópicos entre profesionales de la salud de servicios hospitalarios en pandemia

Resumo

Objetivo  Analisar a prevalência e fatores relacionados ao consumo de psicotrópicos entre profissionais de saúde de serviços hospitalares na pandemia.

Métodos  Estudo transversal, analítico realizado com 244 profissionais que exerceram suas funções nos setores da Unidade de Terapia Intensiva e enfermarias COVID-19, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e fisioterapeutas. Os dados foram coletados por meio de questionário contendo variáveis sociodemográficas, ocupacionais e relacionadas ao consumo de psicotrópicos, entre setembro e dezembro de 2022. Na análise dos dados foi utilizada estatística descritiva, teste Qui-quadrado de Pearson e Regressão Logística Binária. Adotou-se o nível de confiança de 95% e significância de 5%.

Resultados  Destacou-se o uso de ansiolíticos (22,5%). O consumo dessa e das demais substâncias investigadas foi prevalente entre os técnicos de enfermagem. As variáveis “manifestar interesse em buscar ajuda ou tratamento psicológico, mas não procuraram ajuda” (OR: 5; IC95%: 2,43-10,27, p < 0,001) e “manifestar interesse e procurar ajuda” (OR: 16,4; IC95%: 7,53-36,01, p < 0,001) apresentaram associação com o consumo de psicotrópicos entre os profissionais. As variáveis “religião católica” (OR: 0,15; IC95%: 0,04-0,57, p = ,005), “religião evangélica” (OR: 0,13; IC95%: 0,03-0,59, p = 0,008) e “grau de exigência emocional moderado” (OR: 0,35; IC95%: 0,00-0,27, p < 0,001) foram identificados como fatores de proteção.

Conclusão  Houve predomínio do uso de ansiolíticos, com destaque para o consumo entre o grupo de técnicos de enfermagem. Os fatores associados ao consumo de psicotrópicos foram: manifestar interesse em buscar ajuda ou tratamento psicológico, mas não procuraram ajuda e manifestar interesse e procurar ajuda. Enquanto que religião católica ou evangélica e grau de exigência emocional moderado foram identificadas como fatores de proteção.

Descritores:
Psicotrópicos; Pessoal de saúde; Serviços técnicos hospitalares; Saúde mental; Saúde ocupacional; Pandemias

Abstract

Objective  To analyze the prevalence and factors related to psychotropic drug consumption among healthcare professionals in hospital services during the pandemic.

Methods  This is a cross-sectional, analytical study carried out with 244 professionals who worked in the Intensive Care Unit and COVID-19 wards, including physicians, nurses, nursing technicians, and physiotherapists. Data were collected through a questionnaire containing sociodemographic, occupational, and psychotropic drug use-related variables between September and December 2022. Descriptive statistics, Pearson’s Chi-square test and binary logistic regression were used in data analysis. A 95% confidence level and 5% significance level were adopted.

Results  The use of anxiolytics stood out (22.5%). The consumption of this and other substances investigated was prevalent among nursing technicians. The variables “expressing interest in seeking help or psychological treatment, but did not seek help” (OR: 5; 95% CI: 2.43-10.27, p < 0.001) and “expressing interest and seeking help” (OR: 16.4; 95% CI: 7.53-36.01, p < 0.001) were associated with psychotropic drug consumption among professionals. The variables “Catholic religion” (OR: 0.15; 95%CI: 0.04-0.57, p = .005), “Evangelical religion” (OR: 0.13; 95%CI: 0.03-0.59, p = 0.008) and “moderate degree of emotional demand” (OR: 0.35; 95%CI: 0.00-0.27, p < 0.001) were identified as protective factors.

Conclusion  There was a predominance of anxiolytic use, with emphasis on consumption among the group of nursing technicians. Factors associated with psychotropic drug consumption were expressing interest in seeking help or psychological treatment, but not seeking help, and expressing interest and seeking help, while Catholic and Evangelical religions and moderate level of emotional demand were identified as protective factors.

Keywords:
Psychotropic drugs; Health personnel; Ancillary services, hospital; Mental health; Occupational health; Pandemics

Resumen

Objetivo  Analizar la prevalencia y los factores relacionados con el consumo de psicotrópicos entre profesionales de la salud de servicios hospitalarios durante la pandemia.

Métodos  Estudio transversal, analítico realizado con 244 profesionales que ejercieron sus funciones en los sectores de Unidad de Cuidados Intensivos y enfermerías de COVID-19, que incluyó médicos, enfermeros, técnicos de enfermería y fisioterapeutas. Los datos se recopilaron mediante un cuestionario con variables sociodemográficas, laborales y relacionadas con el consumo de psicotrópicos, entre septiembre y diciembre de 2022. En el análisis de los datos se utilizó estadística descriptiva, prueba χ2 de Pearson y regresión logística binaria. Se adoptó un nivel de confianza de 95 % y de significación de 5 %.

Resultados  Se destacó el uso de ansiolíticos (22,5 %). El consumo de esta sustancia y de otras investigadas fue predominante entre los técnicos de enfermería. Las variables “manifestar interés en buscar ayuda o tratamiento psicológico, pero no buscar ayuda” (OR: 5; IC95%: 2,43-10,27, p < 0,001) y “manifestar interés y buscar ayuda” (OR: 16,4; IC95%: 7,53-36,01, p < 0,001) presentaron relación con el consumo de psicotrópicos entre los profesionales. Las variables “religión católica” (OR: 0,15; IC95%: 0,04-0,57, p = ,005), “religión evangélica” (OR: 0,13; IC95%: 0,03-0,59, p = 0,008) y “nivel de exigencia emocional moderado” (OR: 0,35; IC95%: 0,00-0,27, p < 0,001) fueron identificadas como factores de protección.

Conclusión  Hubo predominio del uso de ansiolíticos, con énfasis en el consumo dentro del grupo de técnicos de enfermería. Los factores asociados al consumo de psicotrópicos fueron: manifestar interés en buscar ayuda o tratamiento psicológico, pero no buscar ayuda y manifestar interés y buscar ayuda. Mientras que la religión católica o evangélica y el nivel de exigencia emocional moderado fueron identificados como factores de protección.

Descriptores:
Psicotrópicos; Personal de salud; Servicios técnicos en hospital; Salud mental; Salud Laboral; Pandemias

Introdução

O trabalho durante a pandemia COVID-19 exigiu constante atualização e adaptação por parte das equipes de saúde, o que ocasionou mudanças na rotina, resultando em jornadas estressantes.(1) Trabalhadores que atuam nos cuidados em saúde ainda enfrentam o sofrimento daqueles que estão sob sua supervisão, lidam de perto com o fim da vida e dedicam maior parte do tempo às atividades ocupacionais.(2)

O contexto hospitalar se destacou como ambiente propício para o adoecimento psíquico e ocupacional. Ao se analisar a saúde física e mental das equipes de saúde hospitalares, na pandemia, identificou-se sintomas de transtornos mentais relacionados a situações de angústia, depressão, baixa qualidade do sono, com destaque para distúrbios como a insônia, esgotamento, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e somatização.(3-5)

Os fatores supracitados incentivam a busca por estratégias de alívio e que proporcionem sensações de relaxamento e redução de sintomas de ansiedade, depressão, estresse e melhora da qualidade do sono, dentre elas, destaca-se o consumo crescente de Substâncias Psicoativas (SPAs), como medicamentos psicotrópicos, entre os trabalhadores da saúde. Essas substâncias químicas agem no Sistema Nervoso Central, produzindo alterações de comportamento, humor e cognição, caracterizadas pelas ações depressoras, estimulantes, alucinógenas e/ou antipsicóticas.(6)

O grupo dos profissionais de saúde apresenta elevada prevalência de uso de psicotrópicos, pois possui maior acessibilidade e possibilidade de autoadministração, uma vez que estas substâncias, geralmente, estão sob seu controle.(7) Esse consumo é um fenômeno complexo, multidimensional e expressivo, sendo uma importante questão política social, tendo em vista o potencial para danos à saúde e os impactos no desempenho e na produtividade, bem como pode resultar no aumento dos indicadores de eventos adversos à segurança do paciente e acidentes ocupacionais.(8)

O uso significativo de psicotrópicos e outras SPAs, nos últimos anos, parece ser uma resposta reflexa dos indivíduos a um novo modo de vida imposto, repentinamente, pela pandemia COVID-19. Estudos, envolvendo eventos adversos, como impactos de desastres naturais, incidentes terroristas e a epidemia da Síndrome Respiratória Aguda (SARS), identificou altas taxas de uso, abuso e dependência de substâncias, incluindo consumo prejudicial de álcool, tabaco, antidepressivos e ansiolíticos.(9,10)

Nesse contexto, pode-se inferir que a pandemia aumentou o risco de abuso de medicamentos psicotrópicos prescritos ou por automedicação e outros comportamentos dependentes, influenciando na sintomatologia de transtornos mentais entre profissionais de saúde, com destaque para sintomas mais acentuados de ansiedade, depressão, estresse e burnout, responsáveis por diversos afastamentos laborais.(11,12)

Levantamentos específicos e de grande abrangência acerca do consumo de SPAs por trabalhadores de saúde brasileiros, na pandemia, ainda são incipientes. As investigações revelam que o uso dessas substâncias está relacionado às condições do ambiente de trabalho e que medicamentos psicotrópicos, álcool, tabaco e até mesmo composições ilícitas (maconha, anfetaminas e inalantes), são consumidas por esse público.(13)

No Brasil, ressalta-se que os profissionais de saúde vivenciaram desafios complexos no enfrentamento a COVID-19. Além das alterações no funcionamento das instituições hospitalares, com aumento da carga horária de trabalho e da exposição aos riscos ocupacionais, esses profissionais tiveram que lidar com a falta de capacitação e recursos humanos, remunerações inadequadas, escassez de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), leitos insuficientes, ineficiência da gestão, entre outras dificuldades inerentes ao Sistema Único de Saúde (SUS).(14,15) Tais desafios e dificuldades podem reverberar no desequilíbrio psicológico do trabalhador e refletir no consumo de psicotrópicos. Porém, é necessário analisar, com maior rigor e profundidade esta relação.

Estudo transversal analítico foi conduzido em todas as regiões brasileiras com 12.086 profissionais de saúde que atuavam na assistência direta a pacientes acometidos ou não pela COVID-19, nos diversos níveis de atenção à saúde. Para análise dos dados, foram considerados 12.051 participantes que responderam sobre o uso de hipnóticos ou sedativos. Como resultado, a prevalência do uso foi de 17,1%.(16)

Outra investigação, de caráter comparativo, envolvendo 150 profissionais de saúde de setores públicos e privados de dois municípios de Minas Gerais, evidenciou o consumo de psicotrópicos entre os participantes, com destaque para uso de benzodiazepínicos, associado ao sexo feminino, trabalho em setor privado, atuar em terapia intensiva, autorrelato de insatisfação com a saúde mental e ter pensado em desistir das atividades laborais durante a pandemia.(17)

Convém destacar a importância de se investigar e elucidar as motivações que conduzem os trabalhadores a adotarem comportamentos nocivos à saúde, tais como o abuso de psicotrópicos, principalmente em regiões onde as investigações na área são incipientes. A partir da identificação desses fatores, é possível propor alternativas para o tratamento daqueles já afetados pelo consumo, bem como elaborar estratégias que previnam essa conduta entre os profissionais.

Diante do exposto, o estudo apresenta como objetivo analisar a prevalência e fatores relacionados ao consumo de psicotrópicos entre profissionais de saúde de serviços hospitalares na pandemia.

Métodos

Trata-se de um estudo transversal e analítico, conduzido conforme as recomendações do Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology (STROBE) e realizado em dois centros hospitalares, referências no gerenciamento dos casos de COVID-19, localizados em Teresina, Piauí. Durante toda a pandemia, Teresina foi o município que concentrou os principais serviços de referência para o tratamento dos casos de COVID-19, além de reunir o maior número de profissionais de saúde que atuaram na pandemia.

A população da presente pesquisa foi composta por 661 profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e fisioterapeutas. Foram incluídos aqueles que exerceram suas funções na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e enfermarias COVID-19. Foram excluídos aqueles que por algum motivo encontravam-se afastados de suas atividades durante a etapa de coleta dos dados.

Para amostra representativa, adotou-se a técnica para população finita por proporção, considerando margem de erro de 5% e nível de confiança de 95%. Sendo assim, a amostra mínima obtida foi de 244 participantes, selecionados por meio de técnica aleatória simples (sorteio).

Nesta pesquisa, as variáveis independentes foram as características sociodemograficas e ocupacionais. A utilização dos serviços de saúde no período pandêmico representou o desfecho. A variável dependente foi baseada na seguinte questão: “Durante sua atuação na pandemia, nos setores da UTI e enfermaria COVID-19, você consumiu alguma substância psicotrópica?” A resposta a esta pergunta foi dicotomizada em sim ou não.

A coleta dos dados ocorreu entre setembro e dezembro de 2022 no qual foi utilizado um questionário elaborado pelos autores, dividido em: variáveis sociodemográficas (sexo, raça/cor, estado civil, filhos, renda individual e familiar); ocupacionais (categoria profissional, setor, carga horária, turno, carga de trabalho, tipos e grau de exigência, oferta/disposição de Equipamentos de Proteção Individuais - EPI, apoio especializado em saúde mental e necessidade de buscar apoio psicológico); e questões relacionadas ao consumo de psicotrópicos (uso, tipo – adotados de forma a englobar conceitos e classificações da Organização Mundial da Saúde (OMS)(18) - antidepressivo, ansiolítico, hipnótico/sedativo, tranquilizante e opioide, fatores que influenciam o uso, frequência, momento que deu início ao consumo - antes ou após o início do trabalho no setor COVID-19, utilização para dormir e se houve aumento desse uso após o trabalho no setor COVID-19).

Os dados coletados foram analisados usando o programa SPSS, versão 22.0. Foi realizada análise descritiva expressa por medidas de posição (média e mediana) e de variabilidade (desvio-padrão, amplitude, mínimo e máximo) para as variáveis quantitativas e pela frequência absoluta e relativa para as categóricas. Para verificar a associação existente entre as variáveis qualitativas, foi utilizado o teste Qui-quadrado de Pearson com correção de Yates. As variáveis que atingiram valores significativos nos testes da análise bivariada foram todas inseridas na Regressão Logística Binária por meio do método enter, mensurando suas Razões de Chances (RC). Todas as análises foram realizadas ao nível de confiança de 95% e significância de 5% (p<0,05).

A pesquisa seguiu os pressupostos contidos na Resolução no466, de 2012, do Conselho Nacional de Saúde, sendo iniciada após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Piauí com número de parecer 5.637.817 e Certificado de Apresentação de Apreciação Ética: 60299022.8.0000.5214. Os participantes foram informados quanto aos objetivos, implicações dos resultados da pesquisa para comunidade científica, sociedade em geral e campo laboral da saúde, assim como sua participação de natureza voluntária, que foi formalizada mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Resultados

A amostra final dos participantes do estudo foi composta por 244 profissionais de saúde, que atuavam nos setores da COVID-19. Houve prevalência do sexo feminino 79,5% (n=194), raça/cor parda 57,8% (n=140), casados 45,5% (n=111), com filhos 56,1% (n=137), religião católica 77,9% (n=190), com renda mensal média individual de R$ 5.657,82 e familiar de R$ 8.158,27. Referente a caracterização ocupacional, a maioria dos profissionais eram técnicos de enfermagem (n=109; 44,7%), seguidos dos enfermeiros (n=82; 33,6%), fisioterapeutas (n=27; 11,0%) e médicos (n=26; 10,6%), que atuavam na UTI COVID-19 (n=128; 52,5%), trabalhavam 36 horas semanais (n=74; 30,7%), no turno diurno (n=153; 62,7%) e consideravam alta a carga de trabalho no setor COVID-19 (n=137; 56%). Quanto aos tipos e graus de exigências da rotina laboral no setor COVID-19, apontaram alto grau de exigência física (n=175; 72,1%), mental/intelectual (n=180; 73,8%) e emocional (n=192; 78,7%). Em relação à oferta/disposição e qualidade dos EPIs no setor da COVID-19, classificaram como baixa e de regular qualidade (n=118; 48,4%). Sobre a oferta pela instituição, de apoio especializado para o cuidado em saúde mental, afirmaram não existir (n=123; 50,8%) e relataram nunca ter manifestado interesse em buscar ajuda ou tratamento psicológico durante o tempo de atuação no setor COVID-19 (n=114; 47,1%). No que se refere ao consumo de psicotrópicos, 124 (50,8%) participantes demonstraram fazer uso de alguma das substâncias investigadas, prevalecendo o uso de ansiolíticos (n=55; 22,5%), antidepressivo (n=38; 15,5%) e tranquilizantes (n=18; 7,3%), sendo os técnicos de enfermagem (n=63; 25,8%) a categoria que apresentou maior consumo entre todas as substâncias. Dentre os profissionais, 79 (32,3%) afirmaram que passaram a consumir essas substâncias após início do trabalho no setor COVID-19, 27 (11,0%) utilizavam especificamente para dormir e 16 (6,5%) apontaram aumento no uso e da dose após o início do trabalho na COVID-19 (Tabela 1).

Tabela 1
Caracterização do consumo de psicotrópicos por categoria profissional de trabalhadores da saúde que atuaram na linha de frente para o combate da pandemia COVID-19

Foi observado associação estatisticamente significativa entre o uso dessas substâncias e três variáveis: religião (p=0,006), exigência emocional (p=<0,001) e interesse em buscar ajuda ou tratamento psicológico durante o tempo de atuação no setor COVID-19 (p=<0,001), indicando que o uso das substâncias está relacionado a esses fatores (Tabela 2).

Tabela 2
Associação entre perfil sociodemográfico, ocupacional e consumo de substâncias psicotrópicas entre trabalhadores da saúde que atuaram na linha de frente para o combate da pandemia COVID-19

As variáveis que apresentaram resultados estatisticamente significativas foram incluídas no modelo de regressão logística. Em relação à religião, pessoas intituladas evangélicas apresentaram 0,139 menos chances de uso de substâncias psicotrópicas quando comparadas às pessoas de outras religiões. Católicos tiveram 0,152 menos chances de consumirem psicotrópicos em relação às outras religiões. A respeito da exigência emocional, profissionais de saúde classificados com grau moderado tiveram 0,035 menos chances de consumir substâncias psicotrópicas (Tabela 3). Quando avaliado o interesse em buscar ajuda ou tratamento psicológico, evidenciou-se que entre os participantes que manifestaram interesse, mas não procuraram ajuda, tiveram cinco vezes mais chances de fazer uso de substâncias psicotrópicas. Por sua vez, quem manifestou interesse e procurou ajuda teve 16,47 vezes mais chances de consumir as referidas substâncias em relação àqueles que nunca manifestaram (Tabela 3).

Tabela 3
Regressão logística com religião, grau de exigência emocional, necessidade de ajuda e tratamento psicológico e o consumo de substância psicotrópica entre profissionais de saúde que atuam na linha de frente para o combate da pandemia COVID-19

Discussão

Os achados apontam para participantes, em sua maioria do sexo feminino, estado civil casado, com filhos, renda mensal média de R$ 5.657,82. Prevaleceu a prática da religião católica. Trabalhavam 36 horas semanais, no turno diurno e consideraram alta a carga de trabalho no setor de atuação. Houve maior consumo de substâncias ansiolíticas, com destaque para o uso entre a categoria técnico de enfermagem. Houve aumento do consumo após integrar o setor, e as substâncias eram utilizadas especialmente para suporte no sono.

O estudo dos fatores relacionados evidenciou que trabalhar no setor COVID-19 demonstrou alto grau de exigência emocional, seguido de mental/intelectual e físico. Havia baixa oferta de EPIs, que eram de qualidade regular. Quanto ao apoio especializado para o cuidado em saúde mental, mais da metade dos entrevistados referiu não haver esta entrega por parte da instituição. Muitos, tampouco, manifestaram interesse em procurar ajuda.

Profissionais que se consideraram católicos tiveram menos chances de consumir substâncias psicotrópicas quando comparados a pessoas de outras religiões. Participantes com grau moderado de exigência emocional tiveram menos chances de consumir substâncias psicotrópicas. Os participantes que manifestaram interesse, mas não procuraram cuidado em saúde mental, tiveram cinco vezes mais chances de fazer uso de substâncias psicotrópicas.

O consumo de psicotrópicos pode sofrer influência da precarização das condições de trabalho. Trabalhadores da saúde vivenciam, rotineiramente, atividades exaustivas, excesso de carga horária e consequente sobrecarga de trabalho, além de desvalorização profissional. Ademais, podem atuar em ambientes inadequados e expostos a riscos ocupacionais que comprometem sua saúde e segurança, além de outras situações que favorecem o adoecimento/sofrimento mental e comprometimento da qualidade de vida, tornando-os vulneráveis ao uso problemático dessas e outras substâncias.(12,19)

Investigações sobre o consumo de substâncias por profissionais de saúde são pertinentes e se justificam, uma vez que um dos motivos que o favorece é o excesso de trabalho, o que foi vivenciado por aqueles que atuaram na linha de frente de combate à COVID-19, especialmente, nos momentos mais críticos em que não havia vacinação disponível ou restrita apenas para alguns grupos. Esses profissionais enfrentaram estresse laboral, isolamento das famílias, incertezas sobre o futuro e fornecimento de EPIs com qualidade e quantidade insuficientes.(20)

Levantamento do Conselho Federal de Farmácia apontou o aumento das vendas de medicamentos psicotrópicos entre a população em geral.(21) De fato, estudos brasileiros identificaram o consumo de hipnóticos ou sedativos, antidepressivos e ansiolíticos por profissionais de saúde.(16,22-24) Dados da literatura internacional corroboraram com esses achados, destacando o aumento do consumo de benzodiazepínicos entre profissionais espanhóis, devido a problemas de saúde mental e uso indevido de medicamentos psicotrópicos associado ao burnout em um estudo americano.(25,26)

Há disparidade quanto ao tipo de substância consumida. Enquanto os participantes do estudo em tela fizeram maior opção por ansiolíticos, dados relacionados a dispensa de medicamentos nas capitais brasileiras, durante a pandemia, apontam para um aumento no consumo de antidepressivos (como escitalopram e sertralina) e hipnóticos (zolpidem).(27) Destaca-se que os antidepressivos foram utilizados para lidar com problemas psicológicos decorrentes do trabalho.(28)Quanto ao consumo de ansiolíticos, este também foi identificado entre profissionais de enfermagem de uma Unidade de Pronto Atendimento brasileira e esteve associado ao estresse e à renda.(24)

Neste estudo, foi apontado o suporte no sono para o uso das substâncias psicoativas, contudo, a conjuntura de alto nível de exigência mental no trabalho com a COVID-19 foi um achado relevante e que pode repercutir em sofrimento psicológico. Neste sentido, pesquisa brasileira sobre a saúde mental de profissionais de saúde evidenciou neste público, sintomas de ansiedade, como incapacidade de relaxar, medo de que aconteça o pior e nervosismo, constatados de forma moderada em 41,7%. Além disso, 83,3% afirmaram que a qualidade geral do sono esteve prejudicada e 75% apresentavam sonolência diurna.(29)

Quando avaliado o interesse em buscar ajuda ou tratamento psicológico, evidenciou-se que os participantes que manifestaram interesse, mas não procuraram ajuda tiveram maiores chances de fazer uso de psicotrópicos. Estudo em parceria Portugal e Brasil aponta que nos dois países o impacto do uso das substâncias assume indicadores de gravidade aproximados com impactos psicológicos importantes, sendo relevante a existência de uma rede de apoio psicossocial bem estruturada ofertada em diversos cenários.(30) Nesta direção, mudança recente no gerenciamento de riscos ocupacionais, atualiza a Norma regulamentadora NR-01, de forma a recomendar programas de suporte psicológico, práticas de liderança saudável e promoção de um ambiente de trabalho equilibrado.(31)

Outro resultado apresentado foi que quem manifestou interesse e procurou ajuda teve mais chances de consumir substâncias psicotrópicas em relação àqueles que nunca manifestaram. Esse dado pode contribuir para discussões sobre ações de enfretamento e manejo de situações pandêmicas. Entretanto, diversas ações e campanhas foram lançadas para esse fim. A exemplo, a OMS publicou um guia de ações para enfrentamento de situações estressantes e que são adequadas para uso entre profissionais de saúde inseridos em contextos pandêmicos.(32) Com isso, torna-se necessária a implementação e popularização de tais ações para que alcance profissionais de saúde das mais distintas regiões do Brasil, o que pode ter sido uma lacuna na gestão da pandemia relacionada ao cuidado com a saúde mental de profissionais que atuaram na linha de frente.

Apesar do resultado apresentado anteriormente, foram observados fatores protetivos importantes para prevenção do adoecimento mental e do uso indevido de substâncias psicoativas, como pertencer a alguma religião. A influência da Religiosidade e Espiritualidade na adoção de hábitos de vida mais saudáveis e no enfrentamento de situações adversas está bem documentada na literatura.(33)Dentre as evidências sobre a contribuição da fé para impedir que as pessoas sejam vítimas de abuso de substâncias e ajudá-las a se recuperar dela, 73% dos programas de tratamento de dependência nos Estados Unidos da América incluem métodos baseados na espiritualidade, a grande maioria dos quais enfatiza a dependência de Deus ou de um Poder Superior para permanecer sóbrio.(34) No Brasil, estudiosos apontam para diretrizes práticas para integrar a Religiosidade e Espiritualidade na prevenção e tratamento do uso de substâncias de forma ética e baseada em evidências, a partir de uma abordagem respeitosa, centrada na pessoa e interdisciplinar, que não impõe crenças religiosas nem visões de mundo seculares.(35)

Os achados vêm, portanto, reforçar a necessidade de discussões sobre a gestão da saúde mental de profissionais de saúde expostos a situações inesperadas, na necessidade de fornecer ações de enfrentamento baseadas em evidências e que tenham desfechos positivos na redução de sintomas e consequente redução de uso indevido de sustâncias psicoativas.

Também enfatiza-se a urgência de elaboração e implementação de ações claras, objetivas e baseadas em evidências para a gestão de sintomas que acarretam o uso indevido de substâncias psicotrópicas por profissionais de saúde. Os resultados apresentados na presente pesquisa contribuem para o avanço no conhecimento em relação aos fatores associados ao consumo de psicotrópicos entre profissionais de saúde do serviço hospitalar durante a pandemia COVID-19, o que pode guiar discussões e contribuir com políticas públicas direcionadas para o suporte psicológico e a promoção do bem-estar entre profissionais de saúde que atuam em ambiente hospitalar para a prevenção do uso indevido de substâncias psicotrópicas, incluindo diversas categorias profissionais.

Enfatiza-se a atribuição dos gestores das instituições em criar um ambiente de trabalho que priorize e assegure a segurança do trabalhador quanto à saúde mental, incentivando a cultura de paz, o apoio mútuo e o diálogo aberto sobre sinais e sintomas de sofrimento ou adoecimento mental entre a equipe, livre de qualquer estigma ou preconceito.

O estudo apresentou limitações inerentes ao método transversal, que não permite medir o fenômeno estudado com maior precisão, uma vez que os fatores avaliados foram mensurados em um único momento no tempo. Outro ponto está relacionado ao instrumento de coleta utilizado, de forma que por vergonha ou receio, quanto às questões relacionadas ao consumo de psicotrópicos, os participantes podem ter optado por assinalar uma resposta mais aceita socialmente ao invés de expor sua opinião ou comportamento. Entretanto, foram analisados dados coletados em um momento relevante da pandemia, o que permitiu identificar os fatores associados ao consumo de psicotrópicos entre esses profissionais.

Quanto as implicações práticas, profissionais da saúde mental, dentre eles o Enfermeiro, podem subsidiar-se nas evidências em destaque para o direcionamento de estratégias assertivas na prevenção do sofrimento psíquico dentro do serviço de saúde, não apenas em tempos de pandemia, mas como norte para mudança cultural e tão logo comportamento dos profissionais adoecidos na direção do seu autocuidado e na luta por condições dignas para o labor.

Conclusão

Houve predomínio do uso de ansiolíticos, com destaque para o consumo entre o grupo de técnicos de enfermagem. As variáveis estudadas apontaram que os fatores associados ao consumo de psicotrópicos entre os profissionais de saúde foram: manifestar interesse em buscar ajuda ou tratamento psicológico, mas não procuraram ajuda, como também manifestar interesse e procurar ajuda. Ademais, declarar-se das religiões católica ou evangélica e apresentar grau moderado de exigência emocional foram identificados como fatores de proteção. O consumo de psicotrópicos por profissionais de saúde é uma problemática que demanda atenção e investigações adicionais. De forma a contribuir com o melhor entendimento sobre o tema, recomenda-se estudos futuros que adotem metodologias mais robustas, que estabeleçam a relação causa efeito do consumo dessas substâncias. Além disso, conhecer a percepção desses profissionais poderá oferecer uma compreensão mais aprofundada das motivações relacionados ao trabalho e uso de psicotrópicos, o que subsidiará o desenvolvimento de estratégias de intervenção que colaborem na promoção da saúde e bem-estar do trabalhador.

Disponibilidade dos dados

Os autores não disponibilizaram os dados do presente artigo, em repositórios, antes da submissão.

Agradecimentos

Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico pelo apoio a pesquisa, processo número 142311/2020-0.

Referências

  • 1 Diktas H, Oncul A, Tahtasakal CA, Sevgi DY, Kaya O, Cimenci N, et al. What were the changes during the COVID-19 pandemic era concerning occupational risks among health care workers? J Infect Public Health. 2021;14(10):1334-9.
  • 2 Vega EA, Antoniolli L, Macedo AB, Pinheiro JM, Dornelles TM, Souza SB. Risks of occupational illnesses among health workers providing care to patients with COVID-19: an integrative review. Rev Lat Am Enferm. 2021;29:e3455.
  • 3 Zhang SX, Liu J, Afshar Jahanshahi A, Nawaser K, Yousefi A, Li J, Sun S. At the height of the storm: Healthcare staff's health conditions and job satisfaction and their associated predictors during the epidemic peak of COVID-19. Brain Behav Immun. 2020;87:144-146.
  • 4 Zhang C, Yang L, Liu S, Ma S, Wang Y, Cai Z, et al. Survey of insomnia and related social psychological factors among medical staff involved in the 2019 novel coronavirus disease outbreak. Front Psychiatry. 2020;11:306.
  • 5 Salazar de Pablo G, Vaquerizo-Serrano J, Catalan A, Arango C, Moreno C, Ferre F, et al. Impact of coronavirus syndromes on physical and mental health of health care workers: systematic review and meta-analysis. J Affect Disord. 2020;275:48-57.
  • 6 Madoz-Gúrpide A, Leira-Sanmartín M, Ibañez-Cuadrado Á, Ochoa-Mangado E. Self-reported increase in alcohol and drugs intake as a coping strategy in hospital workers during COVID-19 outbreak: A cross-sectional study. Adicciones. 2023;35(2):143-50.
  • 7 Caixeta AC, Silva RC, Abreu CR. Abuse of psychotropics by healthcare professionals. Rev JRG de Estudos Acadêmicos. 2021;4(8):188-200.
  • 8 Rocha AL, Freitas RF, Neves KD, Teixeira RA, Lessa AD. Use of psychotropic drugs by professionals in Primary Health Care and associated factors. J Bras Psiquiatr. 2023;72:29-36.
  • 9 Klimkiewicz A, Schmalenberg A, Klimkiewicz J, Jasinska A, Jasionowska J, Machura W, et al. COVID-19 Pandemic Influence on Healthcare Professionals. J Clin Med. 2021;10(6):1280-9.
  • 10 Barros JC, Silva SN. Use of Psychotropic Drugs during the COVID-19 pandemic in Minas Gerais, Brazil. Rev Bras Epidemiol. 2023;26:e230059.
  • 11 Alonso J, Vilagut G, Mortier P, Ferrer M, Alayo I, Aragón-Peña A, et al.; MINDCOVID Working group. Mental health impact of the first wave of COVID-19 pandemic on Spanish healthcare workers: A large cross-sectional survey. Rev Psiquiatr Salud Ment (Engl Ed). 2021;14(2):90-105.
  • 12 Ribeiro IA, Gimarães MR, Fernandes MA. Mental suffering and consumption of psychotropics by health workers in the covid-19 scenario. Rev Enferm Atual In Derme. 2022;96(37):e-021200.
  • 13 Ribeiro IA, Fernandes MA, Rocha DM, Silva JS, Ribeiro HK, Soares NS. Consumption of psychoactive substances by nursing workers: an integrative review. Texto Contexto Enferm. 2020;29:e20180488.
  • 14 Machado MH, Campos F, Haddad AE, Santos Neto PM, Machado AV, Santana VG, et al. Transformations in the world of healthcare work: workers and future challenges. Cien Saude Colet. 2023;28(10):2773-84.
  • 15 Medeiros EA. Health professionals fight against COVID-19. Acta Paul Enferm. 2020;33:e-EDT20200003.
  • 16 Gir E, Baptista CJ, Reis RK, Menegueti MG, Pillon SC, de Oliveira E Silva AC. Increased use of psychoactive substances among Brazilian health care professionals during the COVID-19 pandemic. Arch Psychiatr Nurs. 2022;41:359-67.
  • 17 Chaves AR, Costa LS, Anjos LE, Cordeiro SQ, Oliveira VS, Martucelli EF, et al. Use of psychotropics by healthcare professionals and covid-19: a comparative study. Rev CPAQV. 2023;15(2):3.
  • 18 World Health Organization; Ministério da Saúde do Brasil. WHO-aims report on mental health system in Brazil. WHO; MS, Brasil, 2007 [citado 2025 Jan 27]. Disponível em: http://www.ccs.saude.gov.br/saude_mental/pdf/who_aims_report_brazil.pdf
    » http://www.ccs.saude.gov.br/saude_mental/pdf/who_aims_report_brazil.pdf
  • 19 Schlindwein, VLDC, Lopes FJO, Silva FHM, Félix-Júnior IJ Psychic distress, drug use and work. Rev Bras Saude Ocup. 2024;49:edcinq17.
  • 20 Sengupta M, Roy A, Ganguly A, Baishya K, Chakrabarti S, Mukhopadhyay I. Challenges Encountered by Healthcare Providers in COVID-19 Times: An Exploratory Study. J Health Manag. 2021;23(2):339-56.
  • 21 Conselho Federal de Farmácia. Vendas de medicamentos psiquiátricos disparam na pandemia. CFF, 2023 [citado 2025 Jan 27]. Disponível em: https://site.cff.org.br/noticia/noticias-do-cff/16/03/2023/vendas-de-medicamentos-psiquiatricos-disparam-na-pandemia
    » https://site.cff.org.br/noticia/noticias-do-cff/16/03/2023/vendas-de-medicamentos-psiquiatricos-disparam-na-pandemia
  • 22 Fernandes MA, Brito MP, Barbosa NS, Costa AP, Rocha AS, Oliveira LK, et al. Uso de substâncias psicoativas por trabalhadores de enfermagem de um hospital de alta complexidade. Rev Enferm Atual In Derme. 2023;97(1):e023034.
  • 23 Peres TG, Tramontina MS, Castro YM, Zhang L, Souza IB. Use of psychiatric drugs among healthcare workers in extreme southern brazil during the Covid-19 Pandemic. Rev Psicol Saúde. 2022;14(3):109-16.
  • 24 Pretto CR, Silva RM, Almeida AC, Barreto AC, Lenz FC. Psicofármacos e características socioeconômicase de saúde de profissionais de Enfermagem de um pronto atendimento. Rev Enferm UFSM. 2023;13:e50.
  • 25 Mortier P, Vilagut G, García-Mieres H, Alayo I, Ferrer M, Amigo F, et al.; MINDCOVID Working group. Health service and psychotropic medication use for mental health conditions among healthcare workers active during the Spain Covid-19 Pandemic - A prospective cohort study using web-based surveys. Psychiatry Res. 2024;334:115800.
  • 26 Hoopsick RA, Las S, Sun R. Differential effects of healthcare worker burnout on psychotropic medication use and misuse by occupational level. Soc Psychiatry Psychiatr Epidemiol. 2024;59(4):669-79.
  • 27 Escalante Saavedra PA, Galato D, de Souza Silva CM, Rodrigues da Silva IC, da Silva EV. Dispensing of psychotropic drugs in the Brazilian capital city before and during the COVID-19 pandemic (2018-2020). Front Pharmacol. 2022;13:1028233.
  • 28 Matias AR, Vieira LM, Andriotta BM, Santos T, Mininel VA, Sato TO. Depression, depressive symptoms and use of antidepressants in health professionals during the covid-19 pandemic - cross-sectional study. Braz J Phys Ther. 2024;28(1):100637.
  • 29 Brasil. Ministério da Saúde. Pesquisa analisa impacto psicológico da covid em profissionais da saúde [Internet]. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2020 [citado 9 Ago 2024]. Disponível em: https://www.gov.br/casacivil/pt-br/assuntos/noticias/2020/julho/saude-mental-pesquisa-analisa-impacto-psicologico-do-enfrentamento-a-covid-19-em-profissionais-da-saude
    » https://www.gov.br/casacivil/pt-br/assuntos/noticias/2020/julho/saude-mental-pesquisa-analisa-impacto-psicologico-do-enfrentamento-a-covid-19-em-profissionais-da-saude
  • 30 Boska GA, Seabra PR, Oliveira MA, Fernandes IF, Claro HG, Sequeira RM. Consequences of psychoactive substance use: a comparative study of two services in Brazil and Portugal. Rev Esc Enferm USP. 2021;55:e20210138.
  • 31 Brasil. Portaria nº 1.419, de 27 de agosto de 2024. Diário Oficial da União. Aprova a nova redação do capítulo "1.5 Gerenciamento de riscos ocupacionais" e altera o "Anexo I - Termos e definições" da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) - Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Brasília: Ministério da Saúde, 2024 [citado 9 Ago 2024]. Disponível em: file:///Users/anabellymelodeoliveira/Downloads/Portaria%20MTE%20n%C2%BA%201.419%20(NR-01%20GRO%20-%20nova%20reda%C3%A7%C3%A3o).pdf
    » file:///Users/anabellymelodeoliveira/Downloads/Portaria%20MTE%20n%C2%BA%201.419%20(NR-01%20GRO%20-%20nova%20reda%C3%A7%C3%A3o).pdf
  • 32 World Health Organization (WHO). Doing what matters in times of stress. Geneva:WHO; 2021. [cited 2025 Mar 18], Available from: https://iris.paho.org/handle/10665.2/54659
    » https://iris.paho.org/handle/10665.2/54659
  • 33 Lucchetti G, Koenig HG, Lucchetti AL. Spirituality, religiousness, and mental health: A review of the current scientific evidence. World J Clin Cases. 2021;9(26):7620-31.
  • 34 Grim BJ, Grim ME. Belief, Behavior, and Belonging: how faith is indispensable in preventing and recovering from substance abuse. J Relig Health. 2019;58(5):1713-50.
  • 35 Rezende-Pinto A, Moreira-Almeida A. Guidelines for integrating spirituality into the prevention and treatment of alcohol and other substance use disorders. Br J Psychiatry. 2023;45(3):274-9.

Editado por

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    09 Jan 2026
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    20 Set 2024
  • Aceito
    05 Maio 2025
location_on
Escola Paulista de Enfermagem, Universidade Federal de São Paulo R. Napoleão de Barros, 754, 04024-002 São Paulo - SP/Brasil, Tel./Fax: (55 11) 5576 4430 - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: actapaulista@unifesp.br
rss_feed Acompañe los números de esta revista en su lector de RSS
Ir para arriba Notificar error