Open-access Empoderamento e liderança na enfermagem em terapia intensiva: estudo de casos múltiplos

Empoderamiento y liderazgo en enfermería en cuidados intensivos: estudio de casos múltiples

Resumo

Objetivo  Analisar as relações do comportamento empoderador do líder com o empoderamento estrutural e psicológico no cenário da Unidade de Terapia Intensiva.

Métodos  Estudo de caso com abordagem qualitativa, realizado com profissionais de enfermagem de Unidades de Terapia Intensiva de três hospitais da região Sul do Brasil, por meio de entrevistas e pesquisa documental para a coleta de dados. A análise de dados seguiu o referencial da análise de conteúdo proposto por Graneheim e Lundman.

Resultados  Foram realizadas 79 entrevistas e acessados 240 documentos. Três temas emergiram da análise: 1) A influência organizacional sobre o empoderamento; 2) A influência do líder sobre o empoderamento; e 3) A percepção do empoderamento psicológico pelos profissionais de enfermagem.

Conclusão  O comportamento empoderador do líder e a organização influenciam o empoderamento dos liderados, com práticas gerenciais que promovem acesso a informações, recursos, apoio e oportunidades. Na perspectiva dos entrevistados, isso potencializa o empoderamento estrutural e psicológico, e, consequentemente, reflete positivamente no comprometimento organizacional afetivo e na qualidade do cuidado de enfermagem.

Descritores:
Papel do profissional de enfermagem; Liderança; Empoderamento; Qualidade da assistência à saúde; Unidades de terapia intensiva

Abstract

Objective  To analyze the relationships between a leader’s empowering behavior and structural and psychological empowerment in Intensive Care Unit settings.

Methods  This qualitative case study was conducted with nursing professionals from intensive care units in three hospitals in southern Brazil. Data collection involved interviews and documentary research. Data analysis followed the content analysis framework proposed by Graneheim and Lundman.

Results  Seventy-nine interviews were conducted and 240 documents were accessed. Three topics emerged from the analysis: 1) Organizational influence on empowerment; 2) Leader influence on empowerment; and 3) Nursing professionals’ perception of psychological empowerment.

Conclusion  A leader’s empowering behavior and organization influence employee empowerment, with management practices that promote access to information, resources, support, and opportunities. From interviewees’ perspective, this enhances structural and psychological empowerment and, consequently, positively impacts affective organizational commitment and quality of nursing care.

Keywords:
Nurse’s role; Leadership; Empowerment; Quality of health care; Intensive care units

Resumen

Objetivo  Analizar las relaciones entre el comportamiento empoderador de los líderes y el empoderamiento estructural y psicológico en el contexto de Unidades de Cuidados Intensivos.

Métodos  Estudio de caso con enfoque cualitativo, realizado con profesionales de enfermería de Unidades de Cuidados Intensivos de tres hospitales de la región Sur de Brasil, mediante entrevistas e investigación documental para la recopilación de datos. El análisis de datos siguió el marco referencial del análisis de contenido propuesto por Graneheim y Lundman.

Resultados  Se realizaron 79 entrevistas y se accedió a 240 documentos. Surgieron tres temas del análisis: 1) la influencia organizacional sobre el empoderamiento, 2) la influencia del líder sobre el empoderamiento, y 3) la percepción del empoderamiento psicológico por parte de los profesionales de enfermería.

Conclusión  El comportamiento empoderador de los líderes y la organización influyen en el empoderamiento de las personas lideradas, con prácticas gerenciales que promueven el acceso a información, recursos, soporte y oportunidades. Bajo la perspectiva de los entrevistados, esto potencializa el empoderamiento estructural y psicológico y, como consecuencia, se refleja positivamente en el compromiso organizacional afectivo y en la calidad del cuidado de en enfermería.

Descriptores:
Rol de la enfermeira; Liderazgo; Empoderamiento; Calidad de la atención de salud; Unidades de cuidados intensivos

Introdução

A Unidade Terapia Intensiva (UTI) é um ambiente caracterizado por altos níveis de estresse, pela sobrecarga de trabalho e intensas exigências emocionais resultantes do impacto psicológico de cuidar de pacientes graves,(1) e é nesse contexto que a equipe de enfermagem desempenha um papel fundamental, realizando cuidados intensivos e de suporte emocional tanto aos pacientes quanto aos familiares.(2)

Nesse cenário, o enfermeiro líder pode empregar recursos de liderança para desenvolver a autonomia e o pensamento crítico da equipe de enfermagem, melhorando o processo decisório e criando um ambiente propício ao empoderamento da equipe.(3)

Ao seguir por esse caminho, o enfermeiro líder transforma o seu ambiente de prática ao influenciar seus liderados por meio de sua atuação profissional e comportamentos.(4)No entanto, para que o enfermeiro exerça o seu papel de líder, é fundamental que adote um modelo de liderança que favoreça o seu exercício.(5)

Assim, o empoderamento estrutural (EE) e psicológico (EP) vem ao encontro do desenvolvimento e prática da liderança dos enfermeiros,(6) especialmente em ambientes críticos como as UTIs.

A Teoria do Empoderamento Estrutural de Kanter enfatiza as condições organizacionais necessárias para o empoderamento, destacando quatro estruturas fundamentais: acesso à informação; suporte; recursos; e oportunidades de desenvolvimento.(7)

Já a Teoria do Empoderamento Psicológico de Conger e Kanungo conceitua o empoderamento como um processo motivacional fundamentado na autoeficácia, no qual os indivíduos se sentem capacitados ao perceberem que condições que promovem sentimentos de impotência são removidas.(8)

Essa teoria foi posteriormente ampliada por Thomas e Velthouse, que abordam a perspectiva individual do empoderamento por meio de quatro cognições: significado (valor atribuído ao trabalho); competência (autoeficácia); autodeterminação (autonomia nas decisões); e impacto (influência nos resultados organizacionais).(9)

Nessa perspectiva, destaca-se o comportamento empoderador do líder (CEL), que é um conjunto de comportamentos do líder que promove o EP, podendo ser um antecedente desse, visto que sua principal característica é o apoio e a facilitação da autonomia dos liderados.(10)

Além disso, o CEL promove valores compartilhados, melhora a satisfação e o comprometimento do trabalhador com a qualidade do trabalho.(11,12)

Os mecanismos de como o comportamento do líder impacta os resultados não são bem compreendidos,(13) assim como a literatura sobre liderados na enfermagem é escassa, mostrando-se necessária maior compreensão para promover comportamentos de seguimento eficazes.(14)

Portanto, compreender como o enfermeiro líder pode promover o empoderamento de sua equipe é fundamental no contexto das UTIs, pois, ao proporcionar condições estruturais adequadas e estimular aspectos psicológicos do empoderamento, o líder fortalece o vínculo dos profissionais com a organização e qualidade do cuidado prestado ao paciente crítico.

Além disso, a integração dessas teorias permite compreender tanto os aspectos estruturais quanto os processos psicológicos envolvidos no empoderamento dos profissionais.

Dessa forma, formulou-se a seguinte pergunta norteadora: como o enfermeiro líder empodera seus liderados em UTI?

O objetivo deste estudo foi analisar as relações do comportamento empoderador do líder com o empoderamento estrutural e psicológico no cenário da Unidade de Terapia Intensiva.

Métodos

Trata-se de estudo de casos múltiplos, conforme proposto por Yin,(15) de abordagem qualitativa, embasado na Teoria do Empoderamento Estrutural de Kanter(7) e na Teoria do Empoderamento Psicológico de Conger e Kanungo(8) e Thomas e Vethouse.(9) A metodologia do estudo seguiu o protocolo internacional COnsolidated criteria for REporting Qualitative research.(16)

O estudo de caso prevê a elaboração de proposições teóricas, as quais dirigem o foco para o que deve ser investigado.(15) Duas proposições foram elaboradas: 1) O CEL enfermeiro promove o EP de seus liderados por meio do EE; e 2) O EE e EP ocorrem de formas distintas em organizações diferentes.

Elaborou-se o protocolo de estudo de casos múltiplos, o qual auxilia planejar a coleta de dados, detalhando-se os procedimentos que serão empregados, contendo quatro seções: 1) visão geral do estudo de caso com o objetivo, proposições e leituras sobre o tema a se investigar; 2) procedimentos da coleta de dados, incluindo questões éticas, fontes de dados e contatos nos locais de pesquisa; 3) questões específicas que se pretende investigar e possíveis fontes de evidências, como quais informações deverão ser coletadas e por quê; e 4) roteiro para o relatório dos casos.(15)

A elaboração desse protocolo permitiu a construção do roteiro semiestruturado utilizado durante as entrevistas, desenvolvido com perguntas que visaram captar os diferentes elementos e conceitos dos referenciais teóricos investigados, ao mesmo tempo em que mantinha conexão direta com as proposições teóricas e objetivo do estudo de caso.

A população do estudo abrangeu os 181 enfermeiros e 537 técnicos de enfermagem que atuam em UTI de três hospitais de natureza jurídica e rede de atendimento diferentes, sendo um público (atendimento somente pelo Sistema Único de Saúde (SUS)), um filantrópico (atendimento pelo SUS e convênios/particular) e um privado (atendimento somente por convênios/particular), localizados na região Sul do Brasil, tendo como critério a amostragem intencional.

O H1 é um hospital de ensino que possui 650 leitos, sendo 84 somente de UTI. É vinculado a uma universidade pública, possuindo atendimento exclusivo pelo SUS, tanto adulto quanto pediátrico.

O H2 é uma instituição privada de caráter filantrópico que possui 465 leitos, sendo 107 somente de UTI, com prestação dos serviços mediante convênios com operadoras de planos de saúde privados, particulares e SUS, sendo a maior parcela de atendimentos (88,29%) por este último, tanto adulto quanto pediátrico.

O H3 é um hospital privado que possui 111 leitos, sendo 36 somente de UTI, com prestação dos serviços mediante convênios com operadoras de planos de saúde privados e particulares somente de paciente adultos.

A delimitação do estudo aos profissionais de enfermagem das UTIs foi estabelecida para garantir a viabilidade operacional da pesquisa, além de considerar que a liderança do enfermeiro é crucial para coordenar equipes e garantir a qualidade do cuidado ao paciente crítico.

A coleta de dados iniciou após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa e se deu por meio de entrevistas com os profissionais de enfermagem, de novembro a dezembro de 2023, e pesquisa documental, de abril a maio de 2024. Antes do início da coleta de dados, realizou-se teste piloto com cinco profissionais, a fim de refinar o roteiro semiestruturado utilizado nas entrevistas.

A identificação dos participantes foi preservada pelo processo de anonimização, no qual cada participante e cada instituição recebeu um código.

A amostragem foi do tipo não probabilística por conveniência. Por razões éticas, o recrutamento dos participantes foi realizado de forma indireta, com o apoio das chefias de cada UTI, que convidaram os profissionais a participar da pesquisa nos momentos em que um dos pesquisadores estava presente nas instituições.

As entrevistas foram gravadas em áudio com um aparelho de gravação de som. Antes de cada entrevista, a pesquisadora se apresentou, explicou a pesquisa, seus objetivos e os direitos do participante. Em seguida, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi entregue e assinado.

Durante cada entrevista, a pesquisadora fez registros em um diário de campo, sintetizando as falas dos participantes, buscando uma primeira interpretação, as quais foram lidas ao final de cada entrevista e validadas pelos participantes. Esses registros foram digitados no software Microsoft Word®, gerando um documento para cada entrevista.

O encerramento das entrevistas foi determinado pela saturação teórica de dados.

As falas dos participantes foram transcritas utilizando o software Transkriptor®, que, após revisadas, gerou um documento do software Microsoft Word® para cada entrevista.

Os dados foram analisados à luz do referencial de análise de conteúdo, proposto por Graneheim e Lundman,(17) de abordagem dedutiva.(18) Seguindo este referencial, os registros realizados durante as entrevistas foram considerados como unidades de sentido condensado, descrição próxima ao texto, reveladora do conteúdo manifesto.

A interpretação das unidades de significado condensado, descrição perto do texto, que seguiu com o reconhecimento do assunto do qual cada participante falava, gerando, dessa forma, categorias.

Essa categorização possibilitou a interpretação das unidades de análise condensado, descrição perto do texto, as quais sofreram um processo de condensação, o qual permite um encurtamento, preservando seu núcleo de sentido e a essência dos discursos, levando às unidades de significado condensado, como interpretação do significado subjacente, o qual manifesta o conteúdo latente.(17)

Assim, as unidades de significado, como interpretação do significado subjacente, passaram por um processo de abstração,(17) no qual se identificou se a unidade de significado interpretação do significado subjacente tinha relação com questões organizacionais, com o líder ou individuais. Posteriormente, foram interpretadas de acordo com os referenciais teóricos, identificando os elementos da Teoria do Empoderamento Estrutural e Teoria do Empoderamento Psicológico, o que gerou uma matriz de análise em uma planilha do software Excel®.

A pesquisa documental envolveu o acesso a documentos institucionais, disponibilizados pelas chefias de enfermagem de cada UTI na busca por dados que auxiliem na compreensão sobre o EE e EP nos hospitais coparticipantes, sendo úteis para complementar a coleta de dados obtidos por meio das entrevistas.

A extração dos dados dos documentos foi realizada por meio de registros em diário de campo por uma das pesquisadoras, utilizando-se um instrumento previamente elaborado baseado nos referenciais teóricos e no método da pesquisa, o qual indicava possíveis fontes de dados e o que deveria ser buscado.

A análise na etapa da pesquisa documental foi realizada pela interpretação dos dados coletados à luz dos referenciais teóricos de empoderamento, identificando-se as estruturas do EE e as cognições do EP presentes de forma direta ou indireta nos dados obtidos.

O estudo atendeu as normas éticas nacionais e internacionais que envolvem serem humanos sob a aprovação 6.467.793 (Certificado de Apresentação para Apreciação Ética: 69322323.2.3001.0096).

Resultados

Foram realizadas 79 entrevistas (H1: n=38; H2: n=19; H3: n=22), sendo 29 enfermeiros (H1: n=20; H2: n=6; H3: n=3) e 50 técnicos de enfermagem (H1: n=18; H2: n=13; H3: n=19), que totalizaram 36 horas, 29 minutos e 38 segundos, com uma média de 27 minutos e 43 segundos em cada entrevista. Durante a pesquisa documental, foram analisados 240 documentos (H1: n=179; H2: n=15; H3: n=46). Contemplaram a análise de fontes primárias institucionais, abrangendo documentos assistenciais relacionados ao cuidado em saúde, como registros de bundles, instrumentos de passagem de plantão e documentos gerenciais, como escalas de trabalho, registros de reuniões e treinamentos, plano estratégico institucional, e descrição de atribuições das categorias profissionais. A análise dos dados das entrevistas permitiu concluir que as percepções positivas predominaram sobre as negativas. Já a análise dos dados da pesquisa documental possibilitou a identificação da relação desses dados com os referenciais de empoderamento. Dessa forma, foi possível compreender como ocorre ou não o acesso às estruturas do EE, assim como foram identificadas algumas consequências disso sobre o EP. Assim, os temas emergentes desta análise foram três: 1) A influência organizacional sobre o empoderamento; 2) A influência do líder sobre o empoderamento; e 3) A percepção do empoderamento psicológico pelos profissionais de enfermagem.

A influência organizacional sobre o empoderamento

A análise dos dados das entrevistas revelou aspectos significativos relacionados ao ambiente organizacional, possibilitando a identificação de como esse favorece ou fragiliza o empoderamento em cada instituição, apontando semelhanças e diferenças encontradas entre as três instituições (Quadro 1).

Quadro 1
Formas de como cada ambiente institucional favorece ou fragiliza o empoderamento nas instituições pesquisadas

Houve predominância das formas que favorecem o empoderamento em relação aos aspectos organizacionais em duas das instituições investigadas: H2 e H3. No H1, observou-se uma prevalência de elementos que fragilizam o empoderamento, estabelecendo, assim, um contraste com as demais instituições.

A influência do líder sobre o empoderamento

Os aspectos e comportamentos da liderança que favorecem o empoderamento foram predominantes e, portanto, podem ser relacionados ao CEL. O relacionamento entre líderes e liderados é considerado bom pela maioria, com destaque de diferentes comportamentos, atitudes e habilidades que favorecem ou fragilizam o empoderamento dos liderados nas três instituições (Quadro 2).

Quadro 2
Comportamentos, atitudes e habilidades dos líderes que favorecem ou fragilizam o empoderamento dos liderados nas instituições pesquisadas

Esses comportamentos, habilidades e atitudes dos líderes impactam de diferentes formas: melhoram o clima organizacional no ambiente de trabalho, tornando-o mais tranquilo, harmonioso, positivo, colaborativo, comunicativo, equitativo e de confiança mútua; ajudam o trabalho a fluir melhor; estimulam o bom desempenho dos liderados; ajudam na melhoria contínua; facilitam o trabalho no dia a dia; fortalecem motivação; proporcionam um ambiente de apoio; e estimulam a retenção de profissionais.

Em contraste, também foi expresso como fragilizam o empoderamento, por meio da influência negativa sobre o desempenho profissional, gerando um ambiente de trabalho desmotivador, ruim, moral da equipe baixo, com sobrecarga de trabalho e cansaço.

A percepção do empoderamento psicológico pelos profissionais de enfermagem

O quadro 3 apresenta as percepções com conotações positivas, que foram a maioria, e negativas sobre as cognições do EP.

Quadro 3
Percepção das cognições do empoderamento psicológico pelos participantes

Discussão

Esta pesquisa contribui para o avanço do conhecimento científico na área da liderança em enfermagem em terapia intensiva, oferecendo subsídios relevantes para o desenvolvimento de estratégias organizacionais e de enfermeiros líderes. Para as instituições participantes, os resultados fornecem diretrizes práticas para o fortalecimento das estruturas de empoderamento e desenvolvimento de lideranças, possibilitando a implementação de melhorias organizacionais. Os resultados obtidos apontaram que o CEL, por meio de práticas gerenciais de empoderamento, experiência vicária e realização ativa, proporciona acesso às estruturas do EE, o que favorecerá o EP dos liderados. Da mesma forma, as organizações também contribuem para o empoderamento tanto de forma direta quanto de forma indireta.

O desenvolvimento e fortalecimento da liderança dos enfermeiros em UTI contribuem significativamente para o aprimoramento das práticas assistenciais, otimização do ambiente de trabalho e incremento da segurança e qualidade do cuidado.(19)

A melhora no ambiente de trabalho e dos resultados individuais promovidos pelos líderes pode favorecer o EP influencia positivamente as cognições, porque a melhoria do desempenho e o clima organizacional positivo melhoram as percepções de eficácia e a capacidade de lidar com as dificuldades no trabalho,(20) favorecendo a autoconfiança, o desenvolvimento de melhores cuidados e, assim, aumentando o seu sentido de competência e significado.

O CEL contribui com um relacionamento positivo com o líder, reconhecendo nele uma fonte de suporte, assim como melhora as experiências no trabalho, sentindo-se apoiado e valorizado.

Assim, estratégias e intervenções devem ser implementadas para enfermeiros de cuidados intensivos, a fim de aumentar o EP e melhorar os processos que levam à qualidade do cuidado de enfermagem e ao fortalecimento da cultura de segurança do paciente,(21) pois “predispõe à satisfação do profissional e contribui para a melhoria do cuidado prestado aos pacientes”.(22)

As condições de trabalho oferecidas, a inserção dos profissionais nos processos decisórios e os relacionamentos interpessoais e profissionais saudáveis nas instituições pesquisadas melhoram as relações com o trabalho e a instituição, contribuindo para um sentimento de realização profissional e maior satisfação.

Em contrapartida, alguns comportamentos e atitudes dos líderes que fragilizam o empoderamento foram identificados, sendo barreiras ao acesso às estruturas de apoio, informações e recursos, sendo que alguns deles puderam ser relacionados ao estilo de supervisão, podendo influenciar direta ou indiretamente as cognições do EP, pois afetam negativamente o ambiente de trabalho, resultados individuais e os processos de trabalho, levando ao sentimento de impotência.

O ambiente organizacional também pode fragilizar o empoderamento, quando dificulta o acesso às estruturas do EE, repercutindo direta ou indiretamente sobre a realização ativa dos profissionais, ou seja, afeta negativamente as experiências de trabalho, ao dificultar a realização do mesmo de forma adequada.

A gestão de pessoas deficiente, o dimensionamento e sistema de recompensa mal estruturados, condições de trabalho precárias, dinâmicas e processos organizacionais falhos comprometem o EP, pois levam à sobrecarga de trabalho, estresse, sentimentos de desvalorização e desrespeito, afetando o desempenho.

As organizações devem buscar estratégias para melhorar situações que dificultem o empoderamento e os processos de trabalho, a fim de contribuir para um melhor ambiente de trabalho e, consequentemente, melhores resultados,(23) viabilizando a autonomia profissional, tomada de decisão compartilhada e fortalecimento das relações interpessoais, o que contribui para maior satisfação no trabalho e, consequentemente, maior qualidade do cuidado prestado.

Além disso, a falta de reconhecimento e valorização por parte do hospital ou da equipe pode levar a sentimentos negativos sobre as tarefas e desmotivação para alcançar alto sucesso, resultando em sensação de fadiga e redução da qualidade do trabalho.(24)

Condições organizacionais, como apoio insuficiente levando à sobrecarga dos profissionais, limitando o tempo dispensado para o planejamento e realização do cuidado, problemas ligados ao dimensionamento e conflitos associados às competências de administração e gestão, cuja liderança traz impacto na tomada de decisão à beira do leito, podem levar a uma percepção desfavorável do controle do ambiente, influenciando negativamente a percepção de autonomia.(25)

O empoderamento dos profissionais de enfermagem, por meio de acesso a oportunidades de desenvolvimento, inserção nos processos decisórios, melhoria das condições de trabalho e apoio da liderança, é estratégia que contribui para a melhora do comprometimento no trabalho,(26) pois favorece a autonomia, o desenvolvimento profissional e o compartilhamento de experiências com novos enfermeiros.

Pesquisas futuras devem explorar a aplicabilidade desses achados em diferentes contextos assistenciais, considerando as particularidades de cada ambiente de cuidado em saúde.

Sugere-se o desenvolvimento de estudos interventivos que avaliem o impacto de programas de desenvolvimento da liderança e do CEL, a fim de contribuir para a consolidação de práticas gerenciais mais efetivas e implementação de estratégias que promovam um cuidado de enfermagem mais qualificado e seguro.

A limitação do estudo está no fato de que as descobertas realizadas podem não ser facilmente replicáveis em diferentes cenários, devido a fatores socioeconômicos, culturais ou sistêmicos que influenciam as práticas dos enfermeiros líderes.

Conclusão

O objetivo de pesquisa foi alcançado, pois foi possível analisar as relações do CEL com o EE e EP, evidenciando aspectos relevantes e contribuindo para o avanço do conhecimento para o desenvolvimento da liderança do enfermeiro em UTI. Os resultados obtidos e o embasamento teórico utilizado para análise permitiram o alcance das proposições teóricas, estabelecendo, assim, uma base teórica para futuras investigações no campo da gestão em enfermagem. O CEL, por meio de práticas gerenciais de empoderamento, experiência vicária e realização ativa, dão acesso às estruturas do EE, favorecendo o EP. Da mesma forma, as organizações também contribuem para o empoderamento, tanto de forma direta, ao dar acesso às estruturas de apoio, recursos e oportunidades, quanto indireta, ao favorecer o EP, por meio das práticas gerenciais e experiência vicária. Os hospitais pesquisados possuem características próprias que influenciam suas dinâmicas organizacionais e o empoderamento dos profissionais de enfermagem. Identificá-las ajuda a compreender como essas especificidades podem afetar as práticas assistenciais. O CEL contribui para a atuação do enfermeiro líder em UTI, pois influencia diretamente o ambiente de trabalho e a eficácia da equipe, fortalecendo tanto o EE quanto o EP dos profissionais. Dessa forma, a integração entre CEL, EE e EP cria um ciclo virtuoso que propicia uma liderança mais efetiva e humanizada na UTI, contribuindo para melhores desfechos clínicos e organizacionais.

Disponibilidade dos dados

: Os autores não disponibilizaram os dados do presente artigo, em repositórios, antes da submissão.

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Editado por

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    16 Jan 2026
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    9 Jan 2025
  • Aceito
    24 Jun 2025
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