Periférica em termos econômicos e demográficos ao longo da história colonial, a Amazônia passou por uma grande transformação durante a primeira onda de globalização (1850-1914). Graças à crescente demanda externa por borracha - que se tornara o segundo principal produto da pauta de exportação brasileira no final do século XIX -, a região passou a atrair capital e trabalhadores, a arrecadação dos governos crescia e suas metrópoles recebiam parte dos progressos que marcaram a Belle Époque. Por isso, causam surpresa ao leitor dos documentos da época as reiteradas críticas, feitas até mesmo pelos dirigentes das províncias do Pará e do Amazonas, às consequências perniciosas da atividade extrativista, com destaque para a superespecialização produtiva. Barbara Weinstein relaciona tais censuras a um conflito entre velhas e novas elites, hipótese que consideramos insuficiente para explicar o fenômeno. A partir da análise de documentos da época, mostramos que tanto a crítica quanto a defesa feitas ao setor estavam em linha com pontos pertinentes da teoria econômica, e que a prevalência de uma ou outra visão parece depender do contexto econômico atravessado pelas províncias.
Palavras-chave:
Amazônia; Ciclo da Borracha; Laissez; Faire; Superespecialização
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Fonte: Hancock (1857). O ano financeiro correspondia ao intervalo entre 1º de julho até 30 de junho do ano seguinte.
Fonte: Elaborado pelo autor com os dados do IPEADATA, série “Exportações brasileiras de borracha”.
Fonte: UNITED STATES. Department of Commerce, 1924, p.1. Uma long ton equivale a aproximadamente 1.1016 quilos.