RESUMO
Este artigo tem por objeto as polémicas e escândalos em torno da vida e obra de José Agostinho de Macedo (1761-1831), com eco na imprensa periódica de língua portuguesa publicada em Lisboa e em Londres nas três primeiras décadas do século XIX, período abarcado pelo recorte temporal da pesquisa. As fontes utilizadas são um manuscrito, periódicos e outras obras impressas redigidas por Macedo, e a sua correspondência publicada por Inocêncio Francisco da Silva, bem como livros e periódicos em que o polemista foi visado pelos seus detratores, nomeadamente Pato Moniz e Hipólito da Costa. A metodologia empregada é a análise documental - textual, para textual e contextual - e a revisão bibliográfica. O escopo da discussão procura determinar o lugar do autor no âmbito de uma produção intelectual ao serviço de uma estratégia política contrarrevolucionária e contextualizá-la no decurso da sua vida pessoal. Busca-se igualmente problematizar os limites do humor e dos excessos de linguagem de Macedo, na fronteira entre o sério e o risível, bem como o seu uso na construção de uma opinião pública favorável àquela estratégia.
PALAVRAS-CHAVE:
humor político; periodismo; José Agostinho de Macedo; contrarrevolução em Portugal
ABSTRACT
This article focuses on the controversies and scandals surrounding the life and work of José Agostinho de Macedo (1761-1831), which were echoed in Portuguese-language periodicals published in Lisbon and London in the first three decades of the 19th century, the time frame of the research. The sources used here are a manuscript, periodicals, and other printed works written by Macedo, and his correspondence published by Inocêncio Francisco da Silva, as well as books and periodicals in which the polemicist was targeted by his detractors, namely Pato Moniz and Hipólito da Costa. The methodology used is documentary analysis - textual, paratextual and contextual - and bibliographical review. The discussion seeks to determine the author’s place within the scope of an intellectual production at the service of a counterrevolutionary political strategy and to contextualize his work in the course of his personal life. It also seeks to problematize the limits of Macedo’s humor and excesses of language, on the border between the serious and the laughable, as well as their use in constructing a public opinion favorable to that strategy.
KEYWORDS:
political humor; journalism; José Agostinho de Macedo; counterrevolution in Portugal
Introdução
Controverso é pouco. Escandaloso é adjetivo mais consentâneo com a vida e o legado de José Agostinho de Macedo (1761-1831), prolífico autor, pensador e político que deixou uma marca muito pessoal no periodismo - e também na poesia, no pensamento e na ação política, na parenética, na crítica literária ou na filosofia do início do século XIX, em Portugal3. Não chegou a ser, como terá desejado, o ideólogo oficial da contrarrevolução miguelista, mas foi certamente um dos seus arautos mais sonoros e violentos. Polémico até no nome, foi inimigo jurado de periodistas e de periódicos, de que fez abundante uso para denegrir inimigos, adversários e ex-amigos, sem nunca se esquecer de acautelar o interesse próprio. Acusado de crimes de gravidade variável e de uma vida pessoal no limiar da libertinagem, o padre freirático que mereceu obras completas a Pato Moniz e o petit nom de “Energúmeno” a Hipólito da Costa no Correio Braziliense respondeu taco a taco, arrastando os detratores pela lama fescenina que era o seu ecossistema preferido4.
Macedo cultivou a polémica com entusiasmo furibundo na sua polifacetada atividade literária, “onde todos os saberes, atitudes, paixões intelectuais características da época adquiriram uma veemência e uma vitalidade realmente criadoras”, como escreveu Eduardo Lourenço no prefácio ao livro de Maria Ivone Ornelas de Andrade (2001) baseado na tese de doutoramento que dedicou ao pensamento do padre5. Essa atividade espraiou-se pela poesia, o teatro, a epistolografia, a filosofia, a história, a crítica, a política, a parenética, a oratória fúnebre ou o periodismo, incluindo quer a colaboração, quer a redacção de periódicos de sua exclusiva autoria.
A sua agitada vida pessoal pode ser considerada um autêntico cursus vituperium, uma carreira da desonra6. O jovem alentejano que veio de Beja para Lisboa estudar com os mestres da Congregação do Oratório antes de ingressar no Convento de Nossa Senhora da Graça da Ordem dos Agostinhos apenas usou o nome de Frei José de Santo Agostinho durante pouco mais que uma dúzia de anos, a partir de 1778 ou 1779. O furto de umas lampreias que os monges se preparavam para degustar em homenagem ao santo patrono da ordem foi apenas o ponto de partida do “extraordinário percurso cadastral” de um “ladrão, indisciplinado, apóstata, devasso, rufiote, oportunista e desleal”7, como lhe chamou António Mega Ferreira, percurso esse que culminou com a expulsão da ordem, por sentença conventual, a 18 de fevereiro de 1792.
No ano anterior deixara de usar o nome de José de Santo Agostinho, passando a assinar José Agostinho de Macedo, a que faria corresponder nas lides poéticas o nome arcádico de Elmiro Tagídeo. Contudo, o labéu da expulsão seria suavizado: interpôs recurso da sentença e acabou por obter um breve de secularização da Sé Apostólica concedendo-lhe, em 1794, a passagem ao estado de presbítero secular8.
Um megalómano polémico
Autoproclamar-se superior a Camões entre os poetas - o seu épico Gama, depois reconvertido em O Oriente, eram ambos, segundo o próprio José Agostinho de Macedo, melhores do que Os Lusíadas - era apenas um sintoma. Precisava de reconhecimento público como do ar que respirava.
Não conseguiu ser reconhecido como ideólogo do miguelismo, conforme desejava, mas tornou-se o seu mais truculento propagandista, acabando por obter o reconhecimento público que sempre procurou, entre a fama e a infâmia, consoante a apreciação de admiradores ou de detratores. Em 1802 foi nomeado pregador régio (já em 1798 pregara na festa por ocasião do nascimento do futuro D. Pedro I e IV, na Capela Real do Palácio de Queluz9); foi sócio da Arcádia de Roma e da Academia de Belas-Letras de Lisboa; durante o triénio liberal chegou a ser eleito deputado substituto por Portalegre às Cortes de 1822 (embora não tenha chegado a tomar posse); e, já no fim da vida, em 1830, foi nomeado pelo rei D. Miguel substituto do cronista do Reino.
Nele nem o nome escapou à polémica. Se José de Santo Agostinho foi tomado ao entrar na vida religiosa, o apelido Macedo só o adotou por volta dos 30 anos, após perder o hábito da sua congregação e de passar ao estado de padre secular. O nome de família era Teigueira ou Teiguera, mas José renegou-o. Os inimigos sabiam disso e não perdiam uma oportunidade de lho lembrarem. Foi o caso de Hipólito da Costa, redator do Correio Braziliense, membro destacado da Maçonaria e um dos “ódios de estimação” de Macedo, numa manobra provocatória que se prolongou pelo segundo semestre de 1816 e o primeiro de 1817. O que começou em agosto daquele ano com uma “Resposta aos Folhetos de Jozé Agostinho de Macedo, Presbitero Secular”10, tomou a forma de uma “Carta ao Redactor sobre o Espectador Portuguez”, assinada por um enigmático Menchenio Teiguera, em outubro11. Ora, no Solilóquio VIII do Motim Literário, publicado em 1811, Macedo fizera referência a um livro sobre a charlatanaria dos eruditos, dado à estampa pelo jurista e historiador alemão Johann Burckhardt Mencke (1674-1732), que assinava Menchenio em latim12. Hipólito leu o Motim Literário e não perdeu a oportunidade de cravar a farpa no “Menchenio” do Espectador - o Teiguera ou Teigueira que tanto incomodava Macedo. O editor do Correio Braziliense esclarece, por fim, a referência a Teigueira num texto intitulado “O Energúmeno”, publicado no número de dezembro de 1816 daquele periódico - era esse, conforme as anotações a um soneto ali atribuído a Bocage, o verdadeiro apelido de José Agostinho de Macedo13.
Ódios de estimação
Macedo replicou à sua maneira. Fingiu estranheza14, acusou Hipólito da Costa de estar mancomunado com o seu inimigo figadal Nuno Álvares Pereira Pato Moniz - um dos alvos principais da truculência macediana, desde a polémica contra os sebastianistas até à denúncia dos “malhados” (liberais) e ao apelo ao extermínio dos pedreiros livres (maçons), que nem a morte no degredo, em Cabo Verde, para onde fora desterrado na sequência da Vilafrancada, livraria de ser ridicularizado, muitos anos depois, na A Besta Esfolada15 - e ameaçou-o: “Que porcaria! Nem huma só palavra do seu infame Jornal de Dezembro ficará sem huma aterradora resposta”16.
Pato Moniz fundou os periódicos, Correio da Península e O Novo Telégrafo, juntamente com João Bernardo da Rocha Loureiro, futuro redator, já emigrado em Londres, de O Espelho e O Português, deputado e cronista-mor do Reino. Loureiro foi também um dos principais alvos de Os Burros: “Eu canto o bacharel João Bernardo/ O maior asneirão dos asnos todos/ Que entupiram Lisboa, e ali fundaram/ Da universal Sandice império eterno”17.
Hipólito da Costa é visado logo no início do canto I de uma versão impressa, mais tardia: “Qual de tantos heroes primeiro, ó Zanga, / Me mandas celebrar? Teu guincho escuto, / Hyppolito immortal, dos Trolhas mestre. / Com teu Correio Capataz te acclamas/ Da turba jumental que o Tejo assombra.”18
Entre os alvos da sátira macediana destaca-se Frei Francisco de S. Luís Saraiva, mais tarde reitor da Universidade de Coimbra e cardeal-patriarca de Lisboa19. Menos importante, mas igualmente significativa foi a alcunha que José Agostinho reservou a Frei Henrique de Jesus Maria, o censor privativo nomeado para agilizar o processo de licenciamento das suas produções literárias, a quem Hipólito chamou o “Monsenhor Gordo”20. Macedo culpava-o, aparentemente sem razão, por atrasos na aprovação e pelas sucessivas proibições, incluindo “a capação da Besta”21 (isto é, o fim da publicação do periódico A Besta Esfolada) e pôs-lhe a alcunha de “Frei Velhaco de São Patife”22.
Já a proposta da ereção de um monumento a Manuel Fernandes Tomás, líder civil da revolução liberal de 1820, mereceu uma paródia na Tripa por Huma Vez: “o Monumento que se lhe devia levantar era enterrar tudo junto: o Caes de Manoel Ribeiro era hum local excellente. A inscripção he simples, e tão simples que parece demente. Eu sou curioso de inscripções, e se lá estivesse indicaria - Aqui jaz Manoel Fernandes, que escapou de morte de Forca porque morreo de Diarréa: o que devia fazer o Carrasco, fez o Boticario. Isto he que tem o cunho do estillo Lapidar”23.
Outro ódio de estimação foi o então marquês e futuro duque de Palmela. Pedro de Sousa Holstein era o “Anglómano” na Besta e no Desengano: “Cozinha, e Bifes, Anglomania! […] Camarões, ovos, e chá com leite para os almoços em lugar de nossas sopas da panella, e hum taçalho de chouriço do Crato!”24
Vira-casacas e delator
Depois de um momento de aparente hesitação em que publicamente manifestou adesão ao novo regime saído da revolução de 1820, se candidatando e fazendo-se eleger deputado substituto às Cortes ordinárias de 1822 pelo círculo eleitoral de Portalegre (embora nunca tenha tomado posse), quer aceitando incumbências e fazendo “promessa de escritos Constitucionaes”25, Macedo fez jus à fama de vira-casacas26. Confessando mais tarde, na Tripa por Huma Vez, a falsidade da “comédia” que representou27, assumindo, enfim, a sua verdadeira identidade política: “carcunda”, adorador do “Anjo Miguel cá na Terra”28.
A Tripa Virada regista a noite de 5 de junho de 1823 como a da sua primeira reportagem, culminando um dia considerado histórico pelo redator29. Naquela data representou-se o último acto do golpe contra-revolucionário da Vilafrancada, iniciado a 27 de maio: o regresso apoteótico de D. João VI a Lisboa, vindo de Vila Franca na companhia do infante D. Miguel, entretanto nomeado generalíssimo do exército português. Abolida a Constituição e a dissolvidas as Cortes, a chegada do rei ficou assinalada pelo gesto de um grupo de nobres que desatrelou os cavalos, substituindo-os na função de puxar a carruagem real, dando vivas ao rei absoluto.
Àquele dia “memorável e prodigioso” sucedeu uma noite “agradável e divertida”, em que o “acaso ofereceu” a José Agostinho de Macedo um “espectáculo” que seria o tema central do periódico - a campanha contra a Maçonaria e os pedreiros livres:
Um amigo muito curioso, e o maior espreitador de vidas alheas que tem apparecido no Mundo [...] convidou-me para assistir a huma Comedia, que nessa noite se representava, e que com effeito foi vista por hum buraco, porque morando elle em casa contigua ao Grande Oriente Lusitano, tanto esgravatou, tanto minou, e contraminou, pôde por huma fresta subtil abrir caminho aos olhos para o grande salão das grandes sessões do Grande Oriente, e ver, sem ser visto, as grandes Farças dos Grandes Palhaços30.
A descrição inclui elementos que permitem facilmente identificar os participantes na sessão maçónica.
[…] conhecia-os como os meus dedos. O primeiro [...] tinha ar de quem ainda dava Conselhos de Estado, e era com aquella figurinha de placart magro, e calvo, o Grão Mestre do Grande Oriente31. Depois hum Demonio negro com duas mitras, e duas coroas, huma de Conde, outra de Frade! Todo elle cheio de Synonimos32. Vi o Pato [Moniz] no caracter de Grande Secretario [...]. Muito gostei de ver os dois Grandes Vigilantes! Hum Conego outro Abbade sem igreja muito sabio na opinião, com a cara velha, e franzida como huma correa33, e homem de tantos dias, que já tinha idade para ter juiso, e não se meter naquellas encamizadas34.
Misógino, freirático, mau filho
Macedo manifesta na sua obra a misoginia de que deu provas na vida pessoal: “A reverencia devida ao sexo, isso não he para mim. O sexo tem-se feito muito ridiculo, e muito despresivel”35. No número seguinte da Besta Esfolada, aponta para a sexualização da intervenção política das mulheres:
Vós sabeis muito bem que a vossa influencia não vem da Politica. […] Que influencia teria no Mundo hum focinho com mais pregas, que os dous roquetes de hum Conego, huns olhos mais encovados que dous Hermitães em duas covas, com dous timbales do Inferno […] feitos dous figos passados36.
A Malhadice tem para vós outro attractivo. O vosso Imperio no Mundo […] he hum Astro, que faz a sua revolução á róda do Sol em vinte cinco até trinta cinco annos (muito lhe alargo a orbita!) Vós quereis as maximas da nova Politica, porque em si, e comsigo trazem as maximas de huma nova moral… Desterrão o pudor do sexo, convertem a natural timidez em desenvoltura, o recolhimento em impudencia, a sujeição em licença […]37.
Em suma, “fôrão para a malhadice porque tinhão vontade de dar á lingua. Badalar, badalar, e mais badalar.”38.
Quem assim se refere às mulheres é o padre, ex-frade, cujos amores ilícitos aos olhos da sociedade do seu tempo eram públicos e notórios, apontados por Pato Moniz e Hipólito da Costa e mais tarde enumerados pelos biógrafos Inocêncio e Carlos Olavo, desde a atriz Maria Ignacia da Luz, do Teatro da rua dos Condes. “Porém este commercio amoroso em breve arrefeceu como era de esperar e José Agostinho voltando-se rapidamente do theatro para o claustro”39, nas palavras de Inocêncio (1860, p. 183-184).
Iniciou-se então um corrupio de freiras, a começar por soror Mariana Faustina da Purificação, religiosa professa no Convento de Santa Marta de Jesus, que em 1804 denunciou à Inquisição, por escrito, ter tido “uma amizade e trato ilícito e pecaminoso” com José Agostinho. Ela tinha então 39 anos e ele 43. Agostinho evitou o pior graças ao comissário do Santo Ofício que, na informação, realçou a sua qualidade de pregador régio40. Seguiu-se D. Joana Tomásia de Brito Lobo de S. Paio, fidalga, religiosa do convento de Odivelas, a “Dulcineia” referida por Hipólito da Costa (1816-1817)41. Macedo dedicou-lhe as Cartas Filosóficas a Ático, onde exalta os seus talentos literários, comparando-a a Mme. de Sévigné e a Mme. de Stäel. A relação terminou em 1818 quando ela lhe mostrou uma carta de outra freira, Maria Cândida do Vale, do convento de Cós, da ordem das Bernardas42. Conheceram-se em 1818, tinha José Agostinho de Macedo 57 anos e ela mais de 38. Compôs em sua homenagem a Lira Anacreôntica, composta por 100 odes eróticas43. Ela abandonou o convento e foi viver com o padre, apesar de este ter passado a referir-se-lhe como “emplastrada” e “galinha-choca” quando passou a relacionar-se com outra freira mais nova. Ficaram juntos até à morte de Macedo, em 1831, quando Maria Cândida recolheu ao convento de Almoster, onde morreu depois de 184844. Apesar de viver amancebado, José Agostinho tomou-se ainda de amores por uma jovem freira trina do convento do Rato, com quem manteve uma longa correspondência de 57 cartas: Soror Feliciana Rosa da Madre de Deus, a quem chamava “mana”45.
Macedo foi também mau filho. Além de ingrato, chegou ao cúmulo de bater na mãe, Angélica Rosa, como narrou em tom dramático Pato Moniz na Agostinheida:
Já de Santa Isabel na Freguesia,/Atravessando a turba rezadora,/ Qual vai um cão por vinha vindimada,/ Co’a esmola do sermão vinha saindo/ O Poeta-Orador, Macedo o Ex-Frade/ Quando topou Angélica… assombrado/ Quis voltar, mas não pôde; e ela mui branda/ À triste petição de algum socorro/ Uniu alguns, que por prazer lhe dava,/ De boa Mãe suavíssimos conselhos:/ Porém ele, assomado acreditando/ Desdouro seu aconselhá-lo a velha,/ Começou todo a estremecer de raiva!/ Este ímpeto lhe dava o desaforo;/ E, por sua influência alevantando/ Contra a mísera Mãe as mãos malvadas,/ Deu-lhe um grande empurrão, e foi-se andando.46
Acrescentou a nota: “Impossível parece; mas não é ficção poética, é uma escandalosa verdade.”47
Corrupto
À imoralidade, ao roubo e ao comportamento escandaloso glosado nos periódicos coevos, juntou Macedo a venalidade, desmentindo na prática a autoproclamada independência da sua pena48: a intervenção na polémica atribuição do contrato do tabaco, o mais lucrativo e apetecido monopólio adjudicado pela coroa a particulares. José Agostinho deixou-se arregimentar pelos interesses em confronto (José Ferreira Pinto Basto e João Paulo Cordeiro), atacando ou elogiando a capacidade económica e a generosidade do apoio político à causa realista por parte de quem melhor lhe pagava.
A denúncia de um
[…] Corpo Commercial, que impa de farto […] e se apparece alguma especulação, por exemplo, de huma arrematação, não de carnes verdes, mas de cousas seccas, se depois de se lhes dar o ramo, […] se he preciso, que appareção alguns vintens, como em seus cofres só existe huma cousa que os Filosofos negão, que he o Vácuo, que em todos os Cofres se acha, depois que a Besta escoucêa, ei-los pegados ás paredes, mettendo agulhas por alfinetes; como não tem a quem saccar, e sobre quem saccar, saccão, e tornão a saccar sobre si mesmos com hum pequenino interesse de três e meio por cento ao mez […] se as nevoas são grossas, mais palpaveis são as MALHAS. He onde se encontra maior malhadaria: nem as desgraças proprias os desenganão; nunca houve hum tão grande exercito de falidos, e nunca hum mais teimoso diluvio de calotes!49.
Dá lugar a um texto inesperadamente apologético:
[…] não pode o Ceo deixar de abençoar os progressos de hum Contracto o mais vantajoso para o Estado, vendo que d’antemão assim se empregão lucros não recebidos, e do que pode ser contingente fazer-se já hum beneficio tão certo, tão fixo, e tão indisputável. […] A primeira qualidade, que nelles querem, e nelles buscão, he a de huma acrisolada adhesão á Realeza: nenhum suspeito de Liberalismo he admitido50.
A alavanca da mudança foi o pagamento de uma avença anual de 300 mil réis (equivalente a 6.929,96 euros, após aplicado o coeficiente de desvalorização) e outros “valiosos mimos e presentes”51 - ainda assim, com um assomo de ironia:
O Contrato do Tabaco he, considerado politica, e economicamente, a Chave de hum Cofre nunca exhausto depositada nas mãos do Governo, onde se encontra o prompto recurso de urgencias; e nas mãos de huma revolução, he hum manancial das suas escandalosas rapinas. Oh! que este Contrato exclusivo tem engrossado tantas casas. Sim, Senhores, e estas enchem tantas mil barrigas! Isto não se faz com assopros, para isto empregão-se braços, e os sucos gastricos de tantos estomagos se tem posto em movimento para tantas digestões!52
De “Padre Lagosta” a “Energúmeno”: quem com ferros mata…
Os ódios de estimação de José Agostinho pagavam-lhe na mesma moeda. Pato Moniz foi o primeiro a pôr em letra de forma a alcunha pela qual o ex-frade era conhecido: “Algum dia será Padre Lagosta”, explicada em nota na Agostinheida: “Não é alvitre meu, assim chamam a J.A. por alusão às suas alentadas e vermelhíssimas bochechas”53.
Em 1822, o mesmo ano em que o então “constitucional” Macedo se candidatou e foi eleito deputado substituto às Cortes Ordinárias por Portalegre, Pato Moniz brindou-o com uma Sova no Padre54, logo seguida de uma Sova Segunda no Padre José Agostinho de Macedo55.
Culminando uma série de artigos recenseando os diversos escritos de Macedo, designadamente n’O Espectador Português, Hipólito da Costa dá às últimas publicações sobre ele no Correio Braziliense o título de “O Energúmeno”. Aí inclui um soneto, cuja autoria atribui a Bocage56, sobre os atos mais notórios da vida do padre, concluindo, em março de 1817, com a enumeração dos “sete pecados mortais” de José Agostinho:
Como e com que fruto pode orar contra a soberba, o soberbo vaidoso e insultante? Contra a avareza, o avaro até daquilo que não tem, como reputação do de Poeta? Contra a luxúria, o lascivo impúdico e dissoluto, que desprezando a obrigação do próprio voto, seduz para o mesmo desprezo a sua cara Dulcineia? Contra a ira, o desesperado que ao mais pequeno, ainda que justo ataque à sua filáucia e impostura sai com impropérios, calúnias, injúrias e até aleives? Contra a gula, o debochado e mais acérrimo devoto do deus Baco? Contra a inveja, o invejoso de Camões, como poeta, de Vieira, como orador, e de todos os sábios, como sábios? Contra a preguiça, o preguiçoso de empregar o seu tempo em cousas úteis, e só cuidadoso em infamar e promover a discórdia?57
Conclusão: um legado de escândalos
A truculenta comicidade que reprime é porventura a mais duradoura contribuição de José Agostinho de Macedo - “Grão Major da Brigada Carcundal”58 como se autoproclamava orgulhosamente - para a construção da opinião pública em Portugal. O padre foi, aliás, pioneiro na utilização dessa expressão, que usa por duas vezes em Tripa por Huma Vez: “[…] foi a impazinação das promessas de escrever, de dirigir a opinião publica, de advogar a cauza, persuadindo-se que o Povo hiria atraz de mim […] ainda mais, que atraz do Senhor dos Passos. Faltava ainda mais este ridiculo a tantos ridiculos!”59. O riso de Macedo prefere o sarcasmo e a sátira à ironia60. É um riso liberticida61, “anti-filosófico”, chocarreiro, tantas vezes cruel, lembrando a forma como, segundo Deleuze (1987), Foucault encarava os mecanismos de vigilância e repressão: “até rebentar de rir”62.
José Agostinho explora a fórmula até aos limites e para lá dos limites - da decência, da obscenidade, da misoginia, do escândalo. A tentação fescenina chega a sujar a lei fundamental: “os punhados de papeis que nos vêdes nas mãos são as folhas da Constituição; se faltar alguma, he porque já cá servio em caso de necessidade”63.
O outro - o adversário, o que é diferente (pedreiro livre, malhado, mulher) - é objeto de uma desumanização, por vezes de uma diabolização literal - “verdadeiros Demonios com apparencia humana”64.
A consequência é uma recusa absoluta da alteridade, da possibilidade de diálogo, sequer de coexistência entre “nós” (homens de bem, portugueses honrados, realistas, apostólicos, corcundas, veneradores de S. Miguel, seguidores de D. Miguel) e o outro. Mesmo quando o outro era dos dele, como o seu, aliás benévolo, censor privativo, Frei Henrique de Jesus Maria, a quem chamava, pelas costas, Frei Velhaco de S. Patife.
Macedo era incapaz de reconhecer o outro e de dialogar. Odiava a liberdade de expressão e a própria liberdade de pensamento - “Fugi de Periodicos”65. Tinha uma profunda aversão à mudança política e social: a sua visão do mundo era autocentrada ao ponto de apelar à eliminação física dos adversários. Ao mesmo tempo, as suas formas de pensar e agir estavam sustentadas por uma erudição, um conhecimento e uma cultura sólidos, servidos por um talento literário indesmentível, capaz de utilizar recursos entre os quais avultavam os jocosos, com destaque para a sátira, o sarcasmo e a troça66. Usou-os a todos com eficácia, sem esquecer as polémicas e os escândalos.
Fonte manuscrita
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MACEDO, José Agostinho de. Os Burros. [Manuscrito]. [1812]. COD. 12888-13292. Biblioteca Nacional de Portugal, Lisboa. Disponível em: Disponível em: https://purl.pt/25131/4/cod-13045_PDF/cod-13045_PDF_24-C-R0150/cod-13045_0000_capa-capa_t24-C-R0150.pdf Acesso em: 14 fev. 2025.
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Fontes impressas
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- MACEDO, José Agostinho de. O Espectador Portuguez. Segundo Semestre. Lisboa: Na Impressão de Alcobia, 1816.
- MACEDO, José Agostinho de. Exorcismos Contra Periodicos, e Outros Maleficios, Lisboa: Na Off. da Viuv. de Lino da Silva Godinho, 1821.
- MACEDO, José Agostinho de. A Tripa Virada. Lisboa: Na Officina da Horrorosa Conspiração, 1823a.
- MACEDO, José Agostinho de. Tripa por Huma Vez. Lisboa: Na Officina da Horrorosa Conspiração , 1823b.
- MACEDO, José Agostinho de. A Besta Esfolada. Lisboa: Typogaphia de Bulhões (nº 1) e Impressão Régia (restantes números), 1828-1829.
- MACEDO, José Agostinho de. O Desengano. Periodico Político e Moral. Lisboa: Impressão Régia, 1830-31.
- MACEDO, José Agostinho de. Os Burros. Lisboa: Na Typographia da Rua Direita do Salitre, 1837.
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MACEDO, José Agostinho de. Obras Ineditas de José Agostinho de Macedo. Cartas e Opusculos Documentando as Memorias para a sua Vida Intima e Successos da Historia Litteraria e Politica do seu Tempo. Com uma Prefação Critica por Teophilo Braga. Lisboa: Typographia da Academia Real das Sciencias, 1900. Disponível em:Disponível em:https://archive.org/stream/obrasineditasde01braggoog#page/n9/mode/1up Acesso em: 14 fev. 2025.
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MONIZ, Nuno Álvares Pereira Pato. Agostinheida. Poema herói-cómico em 9 cantos. Londres: Impresso por W. Flint, Old Bailey, 1817. Disponível em:Disponível em:https://books.google.pt/books?id=EAsNAAAAYAAJ&printsec=frontcover&hl=pt-BR#v=onepage&q&f=false Acesso em: 12 fev. 2025.
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FERREIRA, João Pedro Rosa. What did the Portuguese laugh at 200 years ago? The European Journal of Humour Research, v. 11, n. 2, p. 106-120, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.7592/EJHR.2023.11.2.773.
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- LOURENÇO, Eduardo. Prefácio. In: ANDRADE, Maria Ivone de Ornelas de. José Agostinho de Macedo: um iluminista paradoxal. Lisboa: Edições Colibri , 2001. v. I, p. 11-14.
- OLAVO, Carlos, A Vida Turbulenta do Padre José Agostinho de Macedo. Lisboa: Guimarães & C.ª Editores, [1938].
- SILVA, Inocêncio Francisco da. Diccionario Bibliographico Portuguez. Lisboa: Imprensa Nacional, 1860Tomo IV, p. 183-184.
- SILVA, Inocêncio Francisco da. Memórias para a Vida Íntima do Padre José Agostinho de Macedo. Lisboa: Imprensa Nacional, 1899. Disponível em:https://archive.org/details/memoriasparavida00silv. Acesso em: 12 fev. 2025.
- TENGARRINHA, José. Nova História da Imprensa Portuguesa das Origens a 1865. Lisboa: Temas e Debates, 2013.
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3
Andrade, 2001-2004; Ferreira, 2011; Olavo, [1938]; Silva, 1899; Silva, 1860, p. 183-184.
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4
“Usando o chasco e o insulto como armas ideológicas” (Dias e Dias, 1980, p. 603).
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5
Lourenço, 2001, p. 13.
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6
“Porventura, para nós, hoje, é esta desbragada assunção da liberdade e o carácter quase lúdico da sua postura vital, intelectual e moral que conferem a Macedo um perfil de modernidade, como se fosse, na sua ordem e no seu tempo, uma espécie de Céline.”, ibidem.
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7
Ferreira, 2011, p. 71.
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8
Silva, 1860, p. 183.
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9
Macedo, 1831, n. 25, p. 4.
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10
Costa, Correio Braziliense, v. 17, n. 99, p. 209.
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11
Ibidem, n. 101, p. 532.
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12
“[…] mas não sei porque azar me cahio nas mãos o celebrado Menckenio author do livro que trata da charlatanaria dos eruditos. Eis-me aqui tentado de novo, e o endiabrado livrinho, cum notis variorum, despertando em mim novas idéas. Menckenio, dizia eu, estendeo bem o seu guardanapo, correo as artes, as sciencias todas, e em todas achou charlatães, e porque não heide eu com a mesma sem ceremonia chamar-lhes salteadores? Heide-lhe descobrir podres, malhadas, e baldas, com que os heide fazer andar corridos e envergonhados por toda a República das letras” (Macedo, 1841, p. 136-137). Ver Andrade, 2001, p. 103.
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13
“Tem-nos continuado a chegar á maõ os folhetos de Jozé Agostinho, tam propriamente denominado o Author Energumeno; cujas producçoens são favorecidas pelo Governo de Lisboa, ao ponto de lhe nomear um Censor especial, a fim de que tam preciosos escriptos naõ soffram demora em sua publicaçaõ. He este censor especial o Monsenhor Gordo - [Frei Henrique de Jesus Maria]; a quem desejamos muitas felicidades, no honroso, e instructivo lugar, de lêr e dar licença para se imprimir o jornal Critico e Literario, que só tracta do Braziliense e do Pato.” (Costa, Correio Braziliense, v. 17, n. 103, pp. 818-819).
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14
“[…] agora diz que eu sou Teiguera? Isto será algum Mac-Benac? Ou outra qualquer senha da ordem dos Innocentes?” (Macedo, 1816, p. 236).
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15
Macedo, 1829, n. 21, p. 5.
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16
Macedo, 1816, p. 237.
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17
Macedo, 1812, p. 13.
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18
Macedo, 1837, p. 23-24.
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19
Ferreira, 2011, p. 190-192.
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20
Costa, Correio Braziliense, v. 17, n. 103, p. 819.
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21
Macedo, 1900, p. 26-27. Ver Tengarrinha, 2013, p. 437.
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22
Macedo, 1900, p. 67.
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23
Macedo, 1823b, p. 18.
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24
Macedo, 1829, n. 9, p. 2.
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25
Macedo, 1823b, p. 66.
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26
“[…] ha circunstancias taes, e tão imperiosas que obrigão o homem mais constante a representar o que não he, e a identificar-se em aparentes sentimentos com seus mesmos inimigos, e perseguidores, escrevendo como elles escrevem, falando o que elles falão, louvando, e promovendo o que elles louvão, e promovem” (Ibidem, p. 62); “[…] apenas dizia em tom baixo, submisso, e não escutado pelos filhos da Besta - Até ao lavar dos cestos he vindima!” (Macedo, 1828, n. 3, p. 2).
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27
“Que couza mais ridicula, que querer fazer de hum jurado inimigo dos Pedreiros, hum Apologista da cauza Pedreiral! Que cousa mais ridicula, que não se lembrarem que eu com o conhecimento da cauza, que elles tão ingenuamente me davão, fazia hum farnel que ainda algum dia devia vir á luz do Mundo! A muita gente parece hum milagre a minha conservação não partecipando da sorte dos mais que gemerão em degredos; não foi causa sobrenatural, e milagrosa, foi a Comedia em que eu entrei como Actor representando o papel de constitucional, sendo-o com tanta verdade como hum comico he Tarmelão Rei da Persia, quando o representa” (Macedo, 1823b, p. 66).
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28
Macedo, 1823a, n. 2, p. 14.
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29
“Tão memoravel e prodigioso foi, e será nos Fastos de todas as Nações civilisadas, o dia cinco do corrente Junho de 1823, pelo quadro unico, e sem exemplo que nos offerece a Historia, como agradavel e divertida oi para mim a noite do mesmo dia, pelo espectaculo que me offereceo o acaso” (Ibidem, n. 1, p. 1).
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30
Ibidem, p. 1-2.
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31
João da Cunha de Sotto Maior (1767-1850).
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32
Sucessivas alusões à dupla condição de conde (de Arganil) e frade (beneditino) de Frei Francisco de S. Luís Saraiva (1766-1845), bispo de Coimbra e reitor da Universidade, autor do Glossário das palavras e frases em língua francesa que se tem introduzido na locução moderna portuguesa, ex-presidente das Cortes, futuro ministro do reino e cardeal-patriarca de Lisboa.
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33
Abade Correia da Serra (1750-1823), fundador da Academia das Ciências, representante diplomático de Portugal nos EUA e íntimo do presidente Thomas Jefferson, que morreu poucos meses depois desta referência, em setembro de 1823.
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34
Ibidem, p. 3-4.
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35
Macedo, 1829, n. 12, p. 9.
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36
Ibidem, n. 13, p. 6-7.
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37
Ibidem, n. 13, p. 7.
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38
Ibidem, n. 16, p. 16.
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39
Silva, 1899, p. 102.
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40
Olavo, [1938], p. 96-97.
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41
Costa, Correio Braziliense, v. 18, n. 106, p. 320.
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42
Olavo, [1938], p. 98-102.
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43
Ibidem, p. 103.
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44
Ibidem, p. 102-106.
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45
Ibidem, p. 107-152.
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46
Moniz, 1817, p. 142-143
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47
Ibidem, p. 143.
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48
“Tudo o que tinha escrito, e destinava escrever, nascia de hum movimento espontaneo de meu coração; nem o interesse, nem o espirito de partido, nem a auctoridade, nem a cobarde condescendencia, nem a vil assalariação me sustentarão, ou dirigirão nunca a penna nestes dedos” (Macedo, 1823b, p. 3-4); “Eu tenho sessenta e quatro annos de idade, e quatro mil pedras na uretra, pouco me resta de vida tão dolorosa; e como não tenho de que fazer testamento, deixo verdades, e muito escarnadas” (Macedo, 1829, n. 27, p. 10).
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49
Ibidem, n. 11, p. 14-15.
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50
Ibidem, n. 21, p. 16.
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51
Silva, 1899, p. 144.Ver também Olavo, [1938], p. 83 e Ferreira, 2011, p. 301-306.
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52
Macedo, 1831, n. 11, p. 10-11.
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53
Moniz, 1817, p. 15.
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54
Moniz, 1822a.
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55
Moniz, 1822b.
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56
Costa, Correio Braziliense, v. 17, n. 103, p. 819-820.
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57
Ibidem, v.18, n. 106, p. 320. Grifou-se
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58
Macedo, 1829, n. 21, p. 3.
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59
Macedo, 1823b, p. 66. A primeira referência foi a propósito de manifestações populares pró-liberais que, segundo Macedo, seriam compradas: «[…] Isto se disse em muito silencio, porque não tinha aparecido, por estar occupado na Taberna, o homem que trazia o saco com os patacões de dois vintens para dar aos rapazes, que davão os vivas segundo o costume, chamando a estes vivas a opinião publica em que descançava o systema que felizmente nos regia» (Ibidem, p. 9).
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60
Andrade, 2001, v. I, p. 141; Jankélévitch, 1964, p. 9-37.
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61
Ferreira, 2023, p. 118.
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62
“Divina comédia das punições: é um direito elementar ficar-se fascinado até rebentar de rir diante de tantas invenções perversas, de tantos discursos cínicos, de tantos horrores minuciosos. Desde os aparelhos anti-masturbatórios para as crianças até aos mecanismos das prisões para os adultos, vai-se desenrolando uma cadeia que suscita risos inopinados que nem a vergonha, nem o sofrimento, nem a morte conseguiram calar” (Deleuze, 1987, p. 45.
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63
Macedo, 1831, n. 11, p. 8.
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64
Ibidem, n. 13, p. 2.
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65
Macedo, 1821, p. 34.
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66
Ferreira, 2020, p. 181.
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Disponibilidade de dados
Os dados e demais informações obtidas para o presente estudo estão no próprio texto.
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Este artigo teve o apoio do CHAM (NOVA FCSH / UAc), através do projeto estratégico financiado pela FCT (UIDB/04666/2020) - https://doi.org/10.54499/UIDB/04666/2020.
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