Este trabalho propõe observar algumas figurações da temática do tempo na obra de Roberto Bolaño a partir de uma perspectiva livre, filosófica e simbólica, em um esforço de captar a forma com que o autor constrói uma espécie de zeitgeist ao condensar leituras sobre o passado e prefigurações a respeito do futuro. Nesse empreendimento, parte-se da observação do modo como seus romances podem ser divididos em duas categorias: aqueles que se voltam para trás e os que miram na direção oposta. Em seguida, observa-se como o território latino-americano é um lugar de onde, na obra de Bolaño, emergem reflexões importantes a respeito do tempo, compreendendo imagens que vão de um negativo fotográfico ao espelhamento de rituais astecas sanguinários com a violência praticada na contemporaneidade. Nesse cenário, o que desponta é a catástrofe e a desesperança, indicando um processo natural e teleológico de aniquilação de qualquer possibilidade de futuro.
Palavras-chave:
Roberto Bolaño; tempo; zeitgeist; passado; futuro