Open-access CONTROLE DO ÁCARO DA LEPROSE, BREVIPALPUS PHOENICIS (GEIJSKES, 1939), EM POMAR DE CITROS EM PRESIDENTE PRUDENTE, SP*.

Control of Brevipalpus phoenicis (Geijskes, 1939) in Citrus orchards in Presidente Prudente, São Paulo State.

RESUMO

O experimento foi conduzido em pomar de laranja, variedade "Pera Rio" , no município de Presidente Prudente, SP, com o objetivo de avaliar o efeito de alguns produtos no controle do ácaro da leprose Brevipalpus phoenicis. Os produtos e as dosagens (em g i.a./100 litros de água) testadas foram: azociclotin (25 ,0), quinometionato (35 ,0), bifentrin (2,0), bromoproPilato (32,5) e creolina (28,0). As avaliações foram realizadas antes da aplicação (25.05.90) e aos 7, 14,31 , 49, 60 e 81 dias após a mesma, no próprio campo, contando-se o número de ácaros da leprose e ácaros predadores (Phytoseiidae) nos frutos. Concluiu-se que, quanto ao controle do ácaro da leprose, todos os produtos, com exceção da creolina, foram eficientes, apresentando mais de 93% de controle, aos 81 dias após a pulverização.

PALAVRAS-CHAVE:
Citrus; Brevipalpus phoenicis; acaricidas

SUMMARY

The experiment was carried out in Presidente Prudente County, São Paulo State, Brazil, in Order to evaluate the effect of some products to control Brevipalpus phoenicis, in orange, variety "Pera Rio" The products and dosages (g a.i./100 1 H20) used were: azocyclotin (25.0), quinomethionate (35.0), bifenthrin (2.0), bromopropylate (32.5) and creolin (28.0). Evaluations were realized before application (25.05.90) and 7, 14, 31 , 49, 60 and 81 days after aplication. Evaluations were made in the orchard by counting the number of leprosis mites and predator mites (Phytoseiidae) on the fruits. Except creolin, all mitecides were efficient against leprosis mite, with population reduction above 93% at 81 days after application.

KEY WORDS:
Citrus; Brevipalpus phoenicis; mitecides

INTRODUÇÃO

O ácaro Brevipalpus phoenicis (Geijskes, 1939) (Acari, Tenuipalpidae) tem sido um dos principais problemas fitossanitários para as regiões citrícolas paulistas. Este ácaro considerado o vetor da doença denominada "leprose dos citros" (3,6, 10), ocorre evn frutos, ramos e folhas, havendo maiores infestações nas áreas dos frutos com verrugose (5).

Os prejuízos devidos ao seu ataque, podem ser observados pela redução do peso dos frutos e queda prematura dos mesmos. Danos mais sérios ocorrem nos ramos, em consequência da redução no fluxo de seiva, implicando em elevadas perdas na produtividade das plantas, por vários anos (8).

Vários trabalhos tem procurado melhorar o combate a esse importante acarino.

OLIVEIRA et alli (9), testando diversos acaricidas contra o ácaro da leprose, em pomar de laranja "Pera", na região de Jaboticabal - SP, obtiveram bons resultados com o uso de bromopropilato, dicofol + tetradifon, quinometionato e flubenzamina.

MYAZAKI et alli (7), trabalhando na região de Bebedouro - SP, conseguiram ótimo controle de B.phoenicis, utilizando os acaricidas bromopropilato, binapacril, clorobenzilato, dicofol e enxofre.

Por outro lado, num trabalho mais recente (1987), realizado também em Bebedouro, EZAWA & OLIVEIRA (4) observaram que o bromopropilato não foi eficaz contra o ácaro da leprose, mostrando que este passou a apresentar alguma resistência ao produto.

Segundo ARASHIRO et alli ( I), na região de Rio das Pedras - SP, os acaricidas cihexatin, bifentrin e binapacril foram os mais efetivos na redução populacional de B.phoenicis, apresentando controle superior a 96% aos 44 dias após a aplicação.

Em experimento realizado no município de São Manoel - SP, CHIA VEGATO (2) concluiu que, considerando apenas a açáo acaricida direta, os produtos azociclotin, flubenzamina e bromopropilato, foram altamente eficientes, porém quanto à ação residual, somente o bromopropilato mostrou ser eficiente aos 71 dias após a aplicação.

O objetivo deste trabalho, foi avaliar a eficiência de diversos acaricidas, no controle do ácaro da leprose B. phoenicis, na região de Presidente Prudente - SP.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido no município de Presidente Prudente - SP, na Estação Experimental do Instituto Biológico, em pomar de laranja, variedade "Pera Rio", de 7 anos de idade, medianamente enfolhado.

O delineamento estatístico adotado foi o inteiramente casualizado, com 6 tratamentos e 5 repetições.

Os produtos e as dosagens são apresentados na tabela 1.

Cada parcela foi constituída de 3 plantas, avaliando-se IO frutos previamente marcados na planta central. Preferencialmente, foram marcados frutos pouco maduros e com ataque de verrugose.

A pulverização foi realizàda no dia 25.05.90 com um pulverizador costal motorizado, utilizando-se aproximadamente 6,5 litros de calda por planta.

Uma avaliação prévia da população de B. phoenicis foi feita em 23.05 90. As demais avaliações foram efetuadas aos 7, 14, 31 , 49, 60 e 81 dias após a aplicação, anotando-se também a população de ácaros predadores da Família Phytoseiidae. O critério utilizado na contagem foi a determinação do número de ácaros da leprose e predadores presentes na área correspondente ao deslocamento da lupa .com aumento de IO vezes), com campo visual de I cm 2 , desde o pedúnculo até o extremo oposto do fruto.

A análise estatística foi feita através dos Testes F e Tukey a 5% de probabilidade. Para tanto, o número de ácaros da leprose por fruto foi transformado em x+0,5.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Observa-se pela Tabela 2, que todos os produtos, com exceção da creolina, apresentaram uma elevada redução populacional de B. phoenicis, mostrando-se significativamente superiores à testemunha, em todas as avaliações realizadas.

Aos 7 dias após a aplicação, a creolina com 28% de eficiência, não diferiu significativamente da testemunha. Os demais produtos apresentaram um bom controle, sendo que o bromopropilato, com 90,06% de eficiência, foi o que apresentou a menor porcentagem de redução, mesmo sem diferir estatísticamente do melhor tratamento (bifentrin), o qual controlou 98,83% da população do ácaro da leprose.

Os acaricidas azociclotin, quinometionato, bifentrin e bromopropilato apresentaram eficiência superior a 93%, aos 81 dias após a pulverização.

EZAWA & OLIVEIRA (4) observaram que os ácaros da leprose da região de Bebedouro mostravam-se resistentes ao bromopropilato. Este fato não foi observado em Presidente Prudente, onde o produto apresentou um controle bastante satisfatório. CHIA VEGATO (2) também obteve alta eficiência para aquele acaricida, na região de São Manuel - SP

TABELA 1
Tratamentos: nomes técnicos, nomes comerciais e dosagens dos ingredientes ativos.
TABELA 2
Controle químico do ácaro da leprose Brewpalpus phoenicis em citros. Número médio de ácaros por fruto (n: )e porcentagem de eficiência (%Ef) nas diversas avaliações. Presidente Prudente-SP, maio a agosto de 1990.

Bons resltados com os produtos quinometionato e bifentrin, auferidos por OLIVEIRA et alli (9) e ARASHIRO et alli (1), respectivamente.

TABELA 3
População de ácaros predadores (Phytoseiidae), presentes em pomar cítrico. Presidente Prudente - SP, maio a agosto de 1990.

Quanto à creolina, esta não mostrou ser eficiente no combate ao ácaro da leprose. O melhor controle foi observado aos 14 dias após a aplicação, quando houve uma redução de 54,42% na população do ácaro, sendo esta a única data onde houve diferença estatística em relação à testemunha. Nas outras avaliações, a eficiência variou entre 13,74% e 38,10%.

Com relação aos ácaros predadores (Phytoseiidae), estes ocorreram em populações muito reduzidas no fruto (Tabela 3), não permitindo qualquer conclusão sobre o efeito dos produtos nestes ácaros benéficos, embora numericamente a população na testemunha e no tratamento com creolina, fosse superior a dos demais tratamentos. As espécies observadas foram Iphiseiodes zuluagai. Euseius concordis e Amblyseius SP, com predominância da primeira espécie.

CONCLUSÕES

Com base nos resultados obtidos, pode-se concluir que:

- Os acaricidas azociclotin, quinometionato, bifentrin, e bromopropilato foram eficientes no controle de B. phoenicis, com níveis de redução de 97 ,71; 93,89; 100,0 e 99,24%, respectivamente, aos 81 dias após a aplicação.

- A creolina não mostrou ser sficiente no controle do ácaro da leprose.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem so Dr. Gilberto J. de Moraes, do CNP DA/ EMBRAPA - Jaguariuna - SP, pelo auxílio na identificação dos ácaros predadores. Da mesma forma aos Srs. João Luiz Simioni, Técnico Agropecuário da Seção de Pragas das Plantas Frutíferas e Alberto Shigueru Yokoyama, Técnico Agropecuário da Estação Experimental de Presidente Prudente, peIo auxílio nas avaliações de campo e pulverização do experimento.

  • *
    Trabalho apresentado durante o XIII Congresso Brasileiro de Entomologia, realizado de, 20 a 25/01/91 , em Recife - PE.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • 1 ARASHIRO, F. Y. ; RAIZER, A.J.; SUGAHARA, C.A. • MOTTA, R. SILVA, J.M ; MARICONI, F.A.M. Novo ensaio de combate químico ao ácaro da leprose dos citros Brevipalpus phoenicis (Geijskes, 1939) em laranjeiras, In: ÇONGRESSO BRASILEIRO DE ENTOMOLOGIA, I I, Campinas, 1987. Resumos. Campinas, Sociedade Entomológica do Brasil, 1987.p. 1
  • 2 CHIAVEGATO, L. G. Controle do ácaro Brevipalpus phoenicis (Geijskes, 1939) (Acari: Tenuipalpidae) em citros. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ENTOMOLOGIA, 12, Belo Horizonte, sociedade Entomológica do Brasil, 1989. p.266.
  • 3 CHIAVEGATO, L.G.•, MISCHAN, M.M.•, SILVA, M.A. Prejuízos e transmissibilidade de sintomas de leprose pelo ácaro Brevipalpus phoenicis (Geijskes, 1939) Sayed, 1946 (Acari, Tenuipalpidae) em citros. Científica, Jaboticabal, 10(2):265-271, 1982.
  • 4 EZAWA, J . Y. & OLIVEIRA, C.A.L. Controle do ácaro Brevipalpus phoenicis (Geijskes, 1939) (Acari: Tenuipalpidae) em citros. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ENTOMOLOGIA, I l , Campinas, 1987. Resumos. Campinas, Sociedade Entomológica do Brasil, 1987.p. 16.
  • 5 MARTINELLI, N.M.•, OLIVEIRA, C.A.L.•, PERECIN, D. Conhecimentos básicos para estudos que envolvam levantamento da população do ácaro Brevipalpus phoenicis (Geijskes, 1939) na cultura de citros. Científica, Jaboticabal,4(3):242-253, 1976.
  • 6 MUSUMECI, M.R. & ROSSETVI, V. Transmissão dos sintomas da leprose dos citros pelo ácaro Brevipalpus phoenicis. Ciência e Cultura, São Paulo, 15(3):228, 1963.
  • 7 MYAZAKI, 1.: SUPLICY FILHO, N.; SAMPAIO, A.S. Comporiamento do ácaro da leprose dos citros, Brevipalpus phoenicis (Geijskes, 1939), sob a açáo de acaricidas. Biológico, São PauIo, 48(1):21-24, 1982.
  • 8 OLIVEIRA, C.A.L. Mites stem Citrus output in Brazil. Shell Agriculture, 3:21-23, 1989.
  • 9 OLIVEIRA, C.A.L.; SILVA, J.R.T.•, RIGOTTO, E.L. Controle do ácaro da leprose Brevipalpus phoenicis (Geijskes 1939) (Acari Tenuipalpidae) com produtos químicos na cultura dos citros. An. Soc. Entomol. Brasil., Jaboticabal, 12(2):221-234, 1983.
  • 10 ROSSETTI, V.; LASCA, C.C.•, NEGREITI, S. New deveiopment regarding leprosis and zonate chlorosis of citrus. In: H. D & CHAPMAN (ed.) INTERN, CITRUS SYMP., I , Riverside, California, 1968. Proc. Riverside, 1969. v. 3, p. 1453-1456.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    14 Fev 2025
  • Data do Fascículo
    Jan-Dec 1990

Histórico

  • Recebido
    21 Nov 1990
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Instituto Biológico Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252 - Vila Mariana - São Paulo - SP, 04014-002 - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: arquivos@biologico.sp.gov.br
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