RESUMO
O experimento foi realizado em pomar de laranja de Neves Paulista, SP, com o objetivo de avaliar a eficiência de dez acaricidas sobre Brevipalpus phoenicis (Geijskes, 1939) (Acari: Tenuipalpidae), além de observar o efeito destes produtos sobre os ácaros predadores (Phytoseiidae ), presentes nas plantas cítricas. Os tratamentos e as dosagens em g i.a./100L de água foram: azocyclotin (25), propargite PM (45), quinometionato (35), acrinathrin (0,5), fenpropathrin (15), óxido de fenbutatin (40), cyhexatin (25), fenpyroximate (5), hexythiazox (1,5), propargite CE (72) e testemunha. Todos os acaricidas induziram reduções significativas na população de B. phoenicis até 27 dias após a aplicação. Hexythiazox e acrinathrin foram os mais eficientes contra o ácaro praga, entre os acaricidas testados, com reduções acima de 83%, até 124 dias após a pulverização. Azocyclotin, cyhexatin e propargite CE foram significativamente prejudiciais à população de ácaros predadores, onde a espécie predominante foi Euseius concordis (Chant, 1959).
PALAVRAS-CHAVE:
Acari; controle químico; Phytoseiidae; citros.
ABSTRACT
The experiment was carried out in Neves Paulista County, state of São Paulo, in order to study the effects of ten acaricides on Brevipalpus phoenicis (Geijskes, 1939) (Acari: Tenuipalpidae) and on predatory mites (Phytoseiidae) in citrus. The products tested and dosages in g AI/ lO0L of water were: azocyclotin (25), propargite WP (45), quinomethionate (35), acrinathrin (0.5), fenpropathrin (15), fenbutatin oxide (40), cyhexatin (25), fenpyroximate. (5), hexythiazox (1.5) and propargite EC (72). All of acaricides induced significant reductions to the population of B. phoenicis up to 27 days after application. Hexythiazox and acrinathrin were the most efficient against the pest, among the tested acaricides, with reductions above 83% up to 124 days posttreatment. Azocyclotin, cyhexatin and propargite EC were significantly harmful to the populatin of predacious mites, of which the predominant species was Euseius concordis (Chant, 1959).
KEY WORDS:
Acari; chemical control; Phytoseiidae; citrus.
INTRODUÇÃO
O ácaro Brevipalpus phoenicis (Geijskes) (Acari: Tenuipalpidae) é uma das principais pragas da cultura dos citros, e sua importância é devida à transmissão do vírus, agente causal da doença leprose, que compromete seriamente a produtividade das plantas (OLIVEIRA, 1995). Este ácaro apresenta nítida preferência por frutos cítricos, sobretudo aqueles com verrugose (CHIAVEGATO & KHARFAN, 1993), onde sua incidência é maior, em relação a frutos lisos, ramos e folhas (MARTINELLI et al. 1976; TEÓFILO SOBRINHO et al. 1977; OLIVEIRA, 1986).
Entre os seus inimigos naturais destacam-se os ácaros predadores da famflia Phytoseiidae, podendose-citar as espécies Iphiseiodes zuluagai Denmark & Muma, Euseius citrifolius Denmark & Muma e Euseius concordis (Chant), bastante freqüentes nos pomares do Estado de São Paulo (MOREIRA, 1993; SATO et al. 1994a; MORAES & SÁ, 1995).
O controle químico ainda tem sido o principal método para manter a densidade populacional do ácaro da leprose a níveis abaixo do de dano econômico (OMOTO, 1995) , sendo diversos os trabalhos nesta área, conduzidos nos últimos anos (RAGA et al., 1990; SCARPELLINI et al., 1991; SATO et al., 1992; CHATILA et al., 1993; CHIAVEGATO et al., 1993; SATO et al., 1993, SATO et al., 1994c). Vários trabalhos referentes ao efeito de acaricidas utilizados para o controle desta praga sobre os inimigos naturais, presentes em citros, também têm sido realizados (KOMATSU & NAKANO, 1988; SCARPELLINI & NAKANO, 1989; YAMAMOTO et al., 1992, SATO et al., 1994b,d; SATO et al., 1995).
A grande ameaça aos programas que envolvem o uso de produtos químicos é a seleção de linhagens resistentes desta praga (OMOTO, 1995). Neste aspecto, o conhecimento de produtos eficientes contra a praga, mas pouco prejudiciais aos inimigos naturais, principalmente fitoseídeos, é de grande importância para o manejo da resistência, possibilitando um número menor de aplicações, com conseqüente redução na pressão de seleção.
O objetivo do presente trabalho foi avaliar o efeito de acaricidas, de diversos grupos químicos, sobre o ácaro da leprose e ácaros predadores, em pomar de laranja de Neves Paulista, SP.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi realizado em Neves Paulista, SP, em pomar de laranja, cultivar 'Pêra Rio', com 6 anos de idade, medianamente enfolhado, com espaçamento de 5,5m entre plantas e 7m entre ruas. Os tratamentos e respectivas dosagens, em g i.a./ 100L de água foram: azocyclotin (Peropal 500SC) a 25,O; propargite (Omite 300PM) a 45; quinometionato (Morestan 700PM) a 35,0; acrinathrin (Rufast 50SC) a 0,5; fenpropathrin (Meothrin 300 CE) a 15,0; óxido de fenbutatin (Partner 500SC) a 40,0; cyhexatin (Sipcatin 500SC) a 25,0; fenpyroximate (Kendo 50SC) a 5,0; hexythiazox (Savey 500PM) a 1,5; propargite (Omite 720CE) a 72,0; e testemunha. Adotou-se o delineamento estatístico de blocos ao acaso, com cinco repetições. A parcela foi constituída de três plantas, sendo avaliada apenas a central. A aplicação foi realizada em 15/12/94, com pulverizador tratorizado com tanque de 400L, equipado com pistolas, gastando-se em média nove litros de calda por planta.
Em cada planta útil foram amostrados ao acaso cinco frutos, contando-se o número de ácaros da leprose vivos, presentes na área correspondenteaodeslocamento de uma lupa (com campo visual de lc m2 e aumento de 10 vezes) desde o pedúnculo até o extremo oposto do fruto. Também foram coletadas cinco folhas de cada planta útil, para a avaliação da população de ácaros predadores. Os adultos destes predadores foram coletados e transferidos para recipientes contendo álcool 70% e, posteriormente, montados em lâminas de microscopia, para identificação.
Realizou-se uma avaliação prévia em 09/12/95, conduzindo-se as demais avaliações aos 12, 27, 69 e 124 dias após a aplicação. O número de ácaros da leprose e de ácaros predadores foi transformado em analisado através dos testes F e Tukey a 5 % de probabilidade. As porcentagens de redução populacional de B. phoenicis foram calculadas segundo a fórmula de HENDERSON & TILTON (1955) e as de fitoseídeos foram baseadas na fórmula de ABBOTT (1925).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Observa-se pela tabela 1 que os dez acaricidas testados apresentaram um efeito significativo na redução populacional do ácaro da leprose em laranjeira. Todos os produtos com exceção do propargite PM (pó molhavel), apresentaram reduções acima de 88%, aos 12 dias após a pulverização (DAP). O propargite, nesta formulação, apresentou eficiência de 70,2%.
Aos 69 DAP, apenas nas plantas tratadas com propargite PM, o número de ácaros da leprose não mostrou diferença significativa em relação ao das plantas sem tratamento. Por outro lado, o tratamento com propargite CE mostrou eficiência de 91,4%. Nesta avaliação, destacaram-se os produtos acrinathrin, hexythiazox, óxido de fenbutatin e cyhexatin, com reduções acima de 94%.
Efeito de acaricidas sobre o ácaro da leprose Brevipalpus phoenicis em citros: número médio de ácaros por parcela (5 frutos) (Nº); porcentagem de redução populacional (%Red). Neves Paulista, SP, dez/ 94 a abr/95.
Efeito de acaricidas sobre os ácaros predadores (Phytoseiidae) em citros: número médio de ácaros por parcela (5 folhas) e porcentagem de redução. Neves Paulista, SP, dez/94 a abr/95.
Aos 124 DAP, apenas nos tratamentos com acrinathrin e hexythiazox, a população do ácaro praga ainda se mostrava significativamente inferior à da testemunha, com reduções de 83,9 e 96,0%, respectivamente. Deve ser mencionado, porém, que no caso do cyhexatin, embora sua eficiência nesta avaliação fosse ligeiramente menor (76,6%), a população inicial de ácaros foi a maior entre os tratamentos.
A boa eficiência dos acaricidas hexythiazox, acrinathrin e cyhexatin, no controle de B. phoenicis, também foi obtida em outros trabalhos (SCARPELLINI et al., 1991; SATO et al., 1992; SATO et al., 1993).
Com relação aos ácaros predadores, dos 306 espécimens adultos coletados e identificados, 97,4% foram correspondentes aE. concordis, 2,3% a E. citrifolius e apenas 0,3% a Amblyseius sp.. Embora não tenham sido coletados ácaros da espécie /. zuluagai, deve ser considerado que o experimento foi conduzido em um período quente e chuvoso (dezembro a abril), sendo que, SATO et al. (1994a) observaram que os ácaros desta espécie ocorriam em baixas populações, em citros, nos meses com maiores índices de temperatura e precipitação pluviométrica.
A baixa população de ácaros fitoseídeos, principalmente na fase inicial do experimento, prejudicou a observação do efeito dos acaricidas sobre estes inimigos naturais (Tabela 2). Porém, analisando-se a população destes ácaros verificou-se que aos 69 DAP, os acaricidas azocyclotin, cyhexatin e propargite CE causaram reduções populacionais significativas, com valores de 89,1%, 67,4% e 84,8%, respectivamente. Observou-se, para o tratamento com hexythiazox, que o número de ácaros predadores, na primeira avaliação após a aplicação (12 DAP), foi numericamente semelhante ao da testemunha, com 4,0 e 4,2 ácaros por 5 folhas, para hexythiazox e testemunha, respectivamente. Estes resultados concordam com os de SATO et al. (1992), que concluíram que o hexythiazox era praticamente inócuo aos fitoseídeos presentes em pomar cítrico de Presidente Prudente, SP. Embora em alguns trabalhos o fenpropathrin tenha se apresentado altamente tóxico aos fitoseídeos encontrados em citros (SCARPELLINI & NAKANO, 1989; SATO et al., 1994c, d), este produto não se mostrou significativamente prejudicial aos ácaros predadores deste pomar comercial de Neves Paulista, SP.
CONCLUSÕES
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- Todos os acaricidas induziram reduções significativas na população de E. phoenicis até 27 dias após a pulverização.
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- Hexythiazox e acrinathrin foram os mais efetivos e com efeitp residual mais longo, entre os produtos testados contra o ácaro da leprose, com eficiências acima de 83% até 124 dias após a aplicação.
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- Os produtos azocyclotin, cyhexatin e propargite CE foram significativamente prejudiciais aos ácaros predadores na avaliação conduzida aos 69 dias após a pulverização, sendo que a espécie predominante durante o experimento foi E. concordis.
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