Open-access CONTROLE DE HETEROTERMES TENUIS (HAGEN, 1858) (ISOPTERA; RHINOTERMITIDAE) EM CANA-DE-AÇÚCAR COM ISCAS TERMITRAP® ASSOCIADAS AO FUNGO ENTOMOPATOGÊNICO BEAUVERIA BASSIANA (BALS.) VUILL. E/OU A INSETICIDAS EM ÉPOCA DE SECA

CONTROL OF THE SUBTERRANEAN TERMITE HETEROTERMES TENU/S (HAGEN, 1858) (ISOPTERA; RHINOTERMITIDAE) IN SUGARCANE WITffTERMITRAP®BAITS ASSOCIATED WITH BEAUVERIA BASSIANA (BALS.) VUILL. ANO INSECTIC, IDÊS IN DRYSEASON

RESUMO

Estudou-se o controle de Heterotermes tenuis com a isca Termitrap associada aos inseticidas imidacloprid e triflumuron e/ou Beauveria bassiana na cana-de-açúcar em época de seca. O experimento foi realizado na Fazenda Retiro, no município de Piracicaba, SP, em março de 1995. Inicialmente realizou-se um monitoramento com iscas sem tratamento, para a localização de 24 focos do cupim. Após a localização, foram instaladas iscas com os seguintes tratamentos e concentrações aproximadas do ingrediente ativo: imidacloprid O,1%, irhidácloprid O,1 o/ô+ K bassiana (109 conídios), triflumuron O,1%, triflumuron O,15%, triflumuron 0,2%, triflumuron O,1% + B. bassiana, B. bassiana e Testemunha. As iscas com tratamento foram instaladas no foco de cupim e mais duas iscas sem tratamento na linha de cana acima e duas na linha de cana a baixo, para o monitoramento. Foram realizadas 9 avaliações, efetuadas a cada 15 dias. Verificouse que não houve uma alta infestação nos focos; porém, após 15 dias da instalação, ocorreu a eliminação total da população nos tratamentos: triflumuron 0,2%, triflumuron O, l % + B. bassiana e B. bassiana. Nos tratamentos com triflumuron O,1 e O,15%, a população de H. tenuis diminuiu gradativamente. Nos tratamentos com imidacloprid ocorreu um efeito de repelência, já que não foi verificado danos na isca. A Testemunha teve sua população afetada devido ao período seco, porém não houve eliminação da população.

PALAVRAS-CHAVE:
Fungo entomopatogênico; cupim; cana-de-açúcar; controle associado; isca.

ABSTRACT

An evaluation was made concerriir.ig the contrql óf Heterotermes tenuis with the Termit ap h1Ú· ociatéd \1/ith insecticides imidacloprid and t itiurrmron and/or Beauveria bassiana in the sugarcane in drought ti e. Theexperiment was carried out at Fazenda Retiro, in Piracicaba, SP, on March of 1995. Initially, there was a monitoring with baits without treatment, for the location of 24 termite focuses. After the location, the baits with the following treatments were installed: imidacloprid 0.1%, imidacloprid 0.1% + B. bassiana (l 09 conidia), triflumuron 0.1%, triflumuron 0.15%, triflumuron 0.2 %, triflumuron 0.1% + B. bassiana, B. bassiana and contrai. The baits with treatment were installed in the termite focus and two more baits without treatment in the sugarcane line above and two in the sugarcane line below it, for the monitoring. The evaluations were accomplished every 15 days, in a total of nine evaluations. It was verified that there was nota high infestation in the focuses, and after 15 days of the installation, there was total elimination of the population in the treatments: triflumuron 0.2%, triflumuron O.1 % + B. bassiana and B. bassiana. In the treatments with triflumuron 0.1 and O.15%, the population of H. tenuis decreased slowly. In the treatments with imidacloprid there occurred a repellency effect, since there were no verified damages in the bait. The contrai of the population was affected due to the dry period, even so there was not elimination of the population.

KEY WORDS:
Entomopathogenic fungus; termite; sugarcane; associated contrai and bait.

INTRODUÇÃO

O cupim Heterotermes tenuis tem chamado a atenção dos agricultores pelos elevados danos que causa e devido ao aumento de sua população em campo, bem como sua vasta distribuição nos canaviais do Brasil.

Com a proibição dos cloradas, inseticidas de alto poder residual, alguns pesquisadores tentaram controlar os cupins subterrâneos com outros inseticidas de grupos diferentes, mas os resultados comparados aos dos cloradas não foram satisfatórios, pelo menos no primeiro ano da cultura (Novaretti et al., 1988; Almeida et al., 1989).

A aplicação de inseticidas no sulco, seja de alto poder residual ou não, funciona apenas como barreira química, não protegendo as plantas nos anos seguintes, após o primeiro corte. Isso também acontece quando se faz a aplicação de inseticidas no solo para a proteção de edifícios, como foi estudado por Su & Scheffrahan (l 990). A estratégia de controle por barreira química pode atuar de três maneiras: 1 - tóxicos repelentes, 2 - tóxicos, mas não repelentes e 3 - não repelentes e tóxicos com ação lenta (Rust & Smith, 1993).

Na década de 90, surgiram os inseticidas microencapsulados, como a formulação de permetrina, estudada por Schornecht et al. (1994), para a aplicação no solo. Esse produto libera o ingrediente ativo de forma lenta, permitindo assim um controle de cupins a longo prazo.

Para o controle de cupins como H. tenuis, a estratégia de barreira química não é adequada por ser antieconômica e poluidora. Esse cupim ocorre em reboleiras nos canaviais, necessitando, portanto, de um controle mais localizado, com a utilização de iscas atrativas, que favorece o contato dos indivíduos com o agente de controle. Os indivíduos contaminados disseminam e transmitem o ingrediente ativo para a colônia de forma generalizada, chegando atingir a rainha (Almeida & Alves, 1995).

Alguns pesquisadores têm estudado formulações de inseticidas não repelentes aos cupins para serem incorporados em iscas. Su (l 994) verificou a redução da população de Reticúlitermes flavipes de 90 a 100% utilizando hexaflumuron em iscas de madeira em campo.

Além dos inseticidas, os fungos entomopatogênicos, como Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae, têm sido relatados como eficientes em condições de laboratório e campo (Hanel, 1982; Fernandes & alves 1991; Fernandes & Alves, 1992; Almeida, 1994; Almeida & Alves, 1996; Almeida et al., 1998).

Os fungos entomopatogênicos podem ser incorporados às iscas para atuarem como agentes de controle de cupim, sendo também interessante o uso associado a um inseticida ou regulador de crescimento de insetos, para causar estresse dos cupins e melhor resultado de controle (Zeck & Monke, 1992; Almeida, 1994).

Almeida & Alves (l 996) verificaram um pequeno efeito sinérgico quando associaram o inseticida imidacloprid com o fungo Beauveria bassiana na formulação micélio seco. O inseticida foi aplicado em iscas Termitrap em uma concentração muito baixa, sendo que na concentração 0,001 %, a porcentagem de mortalidade foi de apenas 3,1 % oito dias após a aplicação.

O objetivo deste trabalho foi testar um inseticida e um regulador de crescimento de inseto, associados ou não a um entomopatógeno, para a diminuição da população do cupim subterrâneo H. tenuis em época de seca.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado na Fazenda Retiro da Usina Santa Helena, no município de Piracicaba, SP.

Inicialmente foi realizado um monitoramento no canavial de segundo corte da Usina Santa Helena, com iscas Terrnitrap, com o objetivo de localizar 24 focos de H. tenuis.

Após a localização dos focos, foram instaladas iscas com os seguintes tratamentos: imidacloprid 0,1%; imidacloprid 0,1% + B. bassiana (conídios puros); triflumuron O, 1%; triflumuron O, 15%; triflumuron 0,2%; triflumuron 0,1% + B. bassiana; B. bassiana e Testemunha (somente iscas).

A quantidade de inseticida foi calculada em relação ao peso da isca (50 g) e o ingrediente ativo. A isca foi mergulhada na calda inseticida durante o tempo necessário para absorver aproximadamente a quantidade de ingrediente ativo calculada.

Na instalação das iscas Terrnitrap com os tratamentos nos focos, foram colocadas duas iscas sem tratamento na linha de cana acima e duas iscas na linha abaixo. Cada tratamento foi repetido três vezes, sendo o delineamento experimental em blocos casualizados. As avaliações foram realizadas a cada 15 dias, durante cinco meses, num total de nove contagens, sendo que os indivíduos coletados nas iscas, tratamentos e laterais, foram contados e colocados em câmara úmida (UR 100%), separados por tratamento e repetição em câmara para B.O.D. a_ 26±2ºC de temperatura, umidade relativa de 60±10% e fotofase de 12 horas, para a confirmação da mortalidade pelo fungo B. bassiana após 10 dias no máximo.

O experimento foi instalado no dia 31 de março de J 995 e a última avaliação foi no dia 7 de agosto de 1995, época de seca na região, com temperatura relativamente baixa (Fig. 1).

Os dados foram submetidos a uma análise de covariância, levando-se em consideração o número de cupins observados antes da aplicação do tratamento e o número deles coletados durante os cinco meses de avaliação.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O número médio de cupins coletados nas iscas centrais, na ocasião da instalação do experimento, por tratamento, está representado na Tabela 1. Foi possível observar que a quantidade de cupins nesses focos não foi caracterizada como alta infestação. Essa ocorrência pode estar relacionada com as baixas temperaturas e precipitações, nessa época do ano (Fig. 1 ).

Tabela 1
Média de cupins por focos nos tratamentos (três repetições), no monitoramento, por ocasião da aplicação das iscas tratadas. (Fazenda Retiro, Usina Santa Helena, Piracicaba, SP).

Após 15 dias da aplicação, ocorreu a eliminação da população nos tratamentos: triflumuron 0,2%, triflumuron 0,1% + B. bassiana e B. bassiana. Nos tratamentos: triflumuron O,1 % e triflumuron O, 15% houve uma grande diminuição, mas não ocorreu a eliminação e na Testemunha, verificou-se um aumento na população (Fig. 2).

No decorrer das avaliações, não ocorreram mais insetos nos tratamentos imidacloprid O, 1 %, imidacloprid 0,1 % + B. bassiana, triflumuron 0,2% e B. bassiana nas armadilhas centrais. Nos tratamentos triflumuron 0,1 % e 0,15%, houve uma diminuição gradativa dos cupins e, na Testemunha, ocorreu uma diminuição da população devido à queda da temperatura e à diminuição das chuvas, mas o número de insetos coletados voltou a crescer ao final das avaliações. No tratamento triflumuron 0,2%, coletou-se uma pequena quantidade de cupins na penúltima avaliação (Fig. 2).

Pela média de cupins coletados durante cinco meses após a aplicação dos tratamentos, verificou-se que os tratamentos triflumurnn 0,2% e triflumuron O, 1 % + B. bassiana foram os que diferenciaram dos demais. Por outro lado, os tratamentos Testemunha e B. bassiana foram significativamente menor e conseqüentemente com menor mortalidade (Tabela 2).

Esses resultados estão de, acordo com o que Su (1994) observou com os cupins da espécie R. flavipes, quando utilizou em iscas de madeira, um regulador de crescimento (IGR), o hexaflumuron, em condições de campo, verificando diminuição da população.

Tabela 2
Número médio de cupins coletados durante cinco meses em época seca, após a aplicação de inseticida, regulador de crescimento associados ou não ao fungo Beauveria bassiana (Fazenda Retiro, Usina Santa Helena, Piracicaba, SP).

Com relação aôs tratamentos com o inseticida imidacloprid, constatou-se que a concentração O,1 % foi muito alta, ocasionando repelência dos insetos que atacaram a isca contaminada, não dando chance de contaminar o resto da colônia, diferenciando dos resultados encon\rados por Almeida & Alves (1996) e Zeck & Monke (1992). Almeida et al. (1998) utilizaram a concentração de imidacloprid a 0,01 % aproximadamente, verificando que as iscas impregnadas foram atrativas para operários de H. tenuis.

O triflumuron (regulador de crescimento) foi mais eficiente na concentração 0,2% e na concentração O, 1 % quando associado ao fungo B. bassiana quando também causou diminuição da população de H. tenuis.

Os resultados desse experimento demonstram a eficiência da estratégia de iscas no controle de cupins subterrâneos, os quais carregam parte da isca contaminada com o inseticida ou fungo para dentro do ninho, transmitindo os agentes para outros indivíduos até a eliminação da colônia, ou parte da mesma. Observou-se que a atividade de forrageamento de H. tenuis em época seca é menor nas proximidades da superfície. Mesmo assim, essa atividade foi suficiente para a transferência de uma quantidade da isca capaz de reduzir a população de cupins nos tratamentos.

Fig 1 Temperatura ºC) e precipitação (mm/alt.) nos meses de abril, maio, junho, julho e agosto de 1995, durante a avaliação do experimento de controle de Heterotermes tenuis com iscas Termitrap impregnadas com inseticida, regulador de crescimento e o fungo Beauveria bassiana (ESALQ/USP, Piracicaba, SP - 14 km de distância).

Fig. 2
Média de cupins coletados antes e após a aplicação de iscas Termitrap impregnadas com inseticida, regulador de crescimento e ó fungo entomopatogênico Beauveria bassiana (Piracicaba, SP).

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    14 Fev 2025
  • Data do Fascículo
    Jul-Dec 1999

Histórico

  • Recebido
    15 Jan 1999
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