RESUMO
Em plantas adultas de seringueira (Hevea brasiliensis Muell. Arg.), clone RRIM 600, cultivadas em Avaí, SP, foi observado ataque de broca, causando seca parcial ou total de ramos e tronco. O inseto, criado em laboratório, foi identificado como Achryson surinamum (Coleoptera: Cerambycidae). Trata-se de uma broca que ataca diversas espécies botânicas, sendo esta a primeira citação de sua ocorrência em seringueira, no Brasil.
PALAVRAS-CHAVE:
Achryson surinamum; seringueira; ocorrência; broca.
SUMMARY
In September 1990 a stem borer was observed to cause partial or total drying ofbranches and trunks of seven-yearold rubber trees (clone RRIM 600) in Avaí, State of São Paulo, Brazil. Completion of the insect's life cycle in the laboratory permitted identification as Achryson surinamum (Coleoptera: Cerambycidae). The species is known as a pest of a number of plant species; this is the first record of its occurrence as a borer on rubber trees in Brazil.
KEY WORDS:
Achryson surinamum; rubber tree; occurrence; borer.
Em setembro de 1990 foi observada a ocorrência de seca parcial ou total de galhos e troncos de seringueiras em sangria, em seringal de clone RRIM 600 com cerca de sete anos, em Avaí, SP.
O sintoma ocorria em árvores esparsas no seringal e progredia para a morte da planta. Observação mais cuidadosa dos ramos e troncos permitiu notar perfurações típicas, semelhantes àquelas provocadas por brocas caulinares. Retirando-se a casca de um tronco atacado, verificou-se a presença de larvas com características da família Cerambycidae.
Foram coletadas amostras, trazidas para estudo em laboratório, onde ramos e troncos foram acondicionados em "gaiolas", para observação. Após três meses, constatou-se a presença de adultos de coleópteros, identificados peIo Dr. Ubirajara Martins dos Santos, do Museu de Zoologia, USP, como a espécie Achryson surinamum L. (Coleoptera: Cerambycidae).
Segundo 0 QUARTO CATÁLOGO (7), a larva desse inseto é broca em tronco e ramos de abieiro do mato, acácias, cássias, amoreira, angico, eucalipto, flamboyant, guaratimbó, manjoleiro, robínia e tamarindeiro. Apesar dessa série de hospedeiros, não há registros da espécie em seringueira (Hevea brasiliensis).
Os hábitos desse inseto, não diferem da maioria das brocas dessa família. A fêmea deposita seus ovos em fendas de cascas de árvores e as larvas penetram no cerne, abrindo galerias que interrompem a condução da seiva (fig. 1, 2, 3).
BIEZANKO & BOSQ (3) observaram larvas dessa espécie de broca, danificando ramos de algumas espécies de Acacia e Robinia pseudacacia L. , no Rio Grande do Sul. No mesmo Estado, BUCK (5), constatou 55 exemplares adultos em galhos de acacia negra (Acacia decurrens Wllld.), e 441 exemplares em ramos de angico (Piptadenia rigida Benth). SEFER (8) catalogou os insetos associados a várias plantas cultivadas na Amazônia e destacou larvas de A. surinamum broqueando tronco e galhos em tamarindo (Tamarindus indica L.). No Estado de São PauIo, ANDRADE (1) observou a espécie em Acacia polyphylla DC. Observações pessoais do primeiro autor, em material proveniente do município de Queluz-RJ, para consulta, atestam a presença deste cerambicídeo em galhos de sibipiruna (Caesalpinia pelthoporoides Benth).
COSTA (6) descreve morfologicamente a espécie como um coleóptero de mais ou menos 16 milímetros de comprimento, cor pardo-amarelada, com pubescência, tendo nos élitros manchas e desenhos castanho escuros; antenas longas, anel castanho escuro na junção dos artículos; pernas com articulações escuras; olhos grandes e escuros, tomando quase toda a face lateral da cabeça (fig. 4).
Segundo AURIVILLIUS (2) e BLACKWELDER & BLACKWELDER (4) as espécies biangulatus (Voet), circunflexum (Fab.), longicolle (De Geer), pallens (Fab.), simplex (Voet), surinamensis (Oliv.) e var. chontalense (Bates), correspondem à Achrysum surinamum.
A presença deste cerambicídeo em seringueira, representa um alerta a heveicultura paulista, uma vez que o inseto é uma praga em potencial para muitas essências florestais de valor econômico. Deve-se considerar também, que as técnicas de controle para a maioria das coleobrocas é difícil sendo que, geralmente, envolve o corte das árvores ou eliminação dos ramos afetados o que, no caso das seringueiras, reflete em perdas na produção.
Ressalta-se a importância de inspeções periódicas nas áreas plantadas, com vistas a detectar, entre outros artrópodes, a presença dessa espécie de cerambicídeo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- 1 ANDRADE, E.N. de. Contribuição para o estudo da entomologia florestal paulista. Bol. Agric. , 29(7/8): 446-53, 1928.
- 2 AURIVILLIUS, C. Cerambycidae: Cerambycinae. In: Schenkling, S. (Ed.) Coleopterum Catalogus. Berlin, W Junk, 1912. v. 22, pars 39, p.3940.
- 3 BIEZANKO, C.M. BOSO, J.M. Cerambycidaede Pelotas e seus arredores. Agros, 9 (3/4): 3-15, 1956.
- 4 BLACKWELDER, R.E. & BLACKWELDER, R.M. The Leng catalogue ofColeoptera ofAmerica, North of Mexica supl. 5: 193947. Mount Vernon, NY, John D. Sherman Jr., 1948. p.38.
- 5 BUCK, S.J. Insetos criados em galhos cortados. lheringia zoologia, (4):1-7, 1957.
- 6 COSTA, R.G. Pragas das plantas cultivadas do Rio Grande do sul. Rev. Agron., 6(67):367-71, 1942.
- 7 QUARIO catálogo dos insetos que vivem nas plantas do Brasil: seus parasitos e predai0Es. Aristóteles God()fredo D'Araújo e Silva et al. Rio de Janeiro, Serviço de Defesa Sanitária Vegetal, 1968. pt. 2, t.l, p.383.
- 8 SEFER, E. Catálogo dos insetos que atacam as plantas cultivadas da Arnazônia. Tec. Inst. Agron. Norte, 43:23-53, 1961.








