Open-access OCORRÊNCIA DE ESPÉCIES E VARIEDADES DO GÊNERO CORALIOMELA JACOBSON (COLEOPTERA, CHRYSOMELIDAE) EM CULTURA DE PALMITEIROS EUTERPE EDULJS MARTE EUTERPE OLERACEA MART (PALMAE) NO BRASIL

OCCURRENCE OF SPECIES ANO VARIETIES OF CORALIOMELA JACOBSON (COLEOPTERA, CHRYSOMELIDAE) IN PALM TREE CROPS (EUTERPE EDULlS AND EUTERPE OLERACEA) (PALMAE) IN BRAZIL

RESUMO

O trabalho relata a primeira ocorrência de Coraliomela aenoplagiata (Luc.), C. brunnea (Thunb.), C. brunnea var. nigripes (Guér.), C. brunnea var. vigorsi (Guér.) e C. quadrimaculata var. trinotata (Berg) alimentando-se de folhas de Euterpe edulis Mart. e Euterpe oleracea Mart., no Brasil. São apresentadas a caracterização morfológica e ilustrações das espécies e variedades capturadas.

PALAVRAS-CHAVE:
Ocon-ência; espécies e variedades de Coraliomela; Euterpe edulis; Euterpe oleracea, Chrysomelidae; Palmae.

ABSTRACT

This work reports, for the first time, the occurrence of Coralioniela aenoplagiata (Luc.), C. brunnea (Thunb.), C. brunnea var. nigripes (Guér.), C. brunnea var. vigorsi (Guér.) and C. quadrimaculata var. trinotata (Berg) feeding on Euterpe edulis Mart. and E. oleracea Mart. leaves, in Brazil. The morphological characterization and illustrations of the species and varieties collected are presented.

KEY WORDS:
Occurrence; species and varieties of Coraliomela; Euterpe edulis; Euterpe oleracea, Chrysomelidae; Palmae.

A área de cultivo de palmiteiros das espécies Euterpe edulis Mart. e E. oleracea Mart. vem aumentando gradativamente na região do Vale do Ribeira, São Paulo, tanto para a comercialização "in natura", quanto para a industrialização e produção de mudas e sementes. Crisomelídeos do gênero Coraliomela Jacobson, l 899 vêm danificando folhas de palmiteiros em Miracatu, SP, causando o atraso de crescimento devido ao ataque dos tecidos tenros da flecha. Os adultos alimentam-se do parênquima foliar, partindoos em tiras. São de coloração geral vermelha podendo ter manchas negras conjugadas dependendo da espécie e variedade. Com o objetivo de conhecer as espécies e variedades existentes na região, efetuou-se no período de 1994 a l 997, coletas mensais com o auxílio de rede entomológica, numa área de 1 ha em plantas adultas de aproximadamente seis anos de idade. Neste período foram coletadas as espécies Coraliomela brunnea (Thunberg, 1821) (26,89%), C. aenoplagiata (Lucas, 1857) (26,86%) C. brunnea var. nigripes (Guérin-Méneville, 1840) (23,80%), C. quadrimaculata var. trinotata (Berg, 1900) (14,23%) e C. brunnea var. vigorsi (Guérin-Méneville, 1840) (8,22%) (Fig. 1). Em relação ao número de exemplares adultos coletados, o ano de 1996 foi o mais representativo, observando-se que em setembro houve um pico populacional principalmente para as espécies C. brunnea e C. quadrimaculata var. trinotata.

A chave utilizada para identificação das espécies e variedades foi a de FISCHER (1935).

As larvas limaciformes foram observadas alimentando-se do limbo foliar junto às axilas das gemas apicais (flecha) das plantas, destruindo os folíolos ainda dobrados. A principal evidência de ataque desta praga é a observação de falhas (furos elípticos) mais ou menos simétricas nos folíolos após a abertura das folhas. A maior intensidade de ataque deu-se nos meses de maio, agosto e novembro de 1996 e no período de abril a setembro de 1997. Infestações por esses insetos podem levar plantas jovens à morte, como foi verificado em campo.

A espécie C. aenoplagiata apresenta grande variação em relação ao tamanho e cor das manchas elitrais. O pronoto geralmente rubro, pode possuir mancha negra. Os élitros são ligeiramente lustrosos e possuem pontuações grossas. A cor dos élitros varia do vermelho claro ao rubro sangüíneo, sendo que em cada élitro há uma mancha negra humeral e outra apical, podendo estas manchas variar em tamanho, formando muitas vezes, largas faixas transversais, ocupando grande parte dos élitros. A mancha apical, sempre toca a margem e a sutura elitral. Essas manchas vão do negro ao negro azulado. As pernas e a face ventral são negras (Fig. 2 e 3). FISCHER (1935) cita que a espécie é encontrada no norte do Estado de Goiás e nos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. C. aenoplagiata foi citada por SILVA et al. (1968) criando-se em folhas novas de ariri, bambu, buri, cafeeiro, coco, palmeiras e tamareira, entre ou_tros, nos Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul.

C. brunnea possui o pronoto vermelho podendo ou não apresentar uma faixa medial preta muito fina longitudinalmente disposta. Os élitros menos brilhantes, são totalmente vermelhos e desprovidos de manchas. O escutelo pode ser negro ou vermelho. A face ventral normalmente se apresenta rubra. Os fêmures são rubros com ápice preto (Fig. 4). FISCHER (1935) citou que o tipo da espécie C. brunnea é do Brasil e apresentou a chave de identificação das variedades. BONDAR (1940) citou que a espécie é específica de coqueiros jovens e que duas ou três larvas bastam para comprometer a vida da palmeira. O autor fez a caracterização da espécie, citando também dados sobre a biologia e danos. SILVA et al. (1968) informaram que as larvas desenvolvem-se em folhas de ariri, babaçu, buri, carnaúba, coqueiro, dendezeiro, gerivá, licurioba, tamareira, entre outros, em vários estados do Brasil. FERREIRA & MORIN (1986) caracterizaram a espécie C. brunnea, além de estudarem a biologia, comportamento e danos efetuados pela praga em coqueiro, em Aracaju, SE. A espécie C. brunnea foi citada por FERREIRA (1987) como praga do coqueiro jovem. O autor também informou sobre parasitóides da fa1TI11ia Eulophidae, sendo que a taxa de parasitoidismo era em tomo de 56% e indicou ainda métodos de controle químico para as larvas. Características morfológicas sobre a praga, biologia e prejuízos causados, além de métodos de controle, foram feitas por GALLO et al. (1988). FERREIRA et al. (1994) indicam C. brunnea como importante praga do coqueiro, bem como aspectos sobre sua biologia, comportamento e controle.

Duas variedades de C. brunnea foram encontradas, C. brunnea var. nigripes e C. brunnea var. vigorsi.

A variedade C. brunnea nigripes difere de C. brunnea devido aos fêmures e face ventral serem negros. A coloração geral é semelhante a de C. brunnea (Fig. 5).

A variedade C. brunnea vigorsi possui em cada élitro uma mancha negra disposta no calo humeral e outra na região apical. A mancha da região apical não toca a margem e a sutura elitral, deixando sempre uma pequena tarja rubra que pode variar de tamanho. A coloração do pronoto é semelhante a de C. brunnea (Fig. 6).

A espécie C. quadrimaculata var. trinotata encontrada, possui o pronoto rubro, pernas, face ventral e escutelo negros. Os élitros são rubros, apresentando manchas nos calos humerais. Esta variedade não apresenta manchas apicais nos élitros (Fig 7). FISCHER (1935) efetuou a caracterização morfológica da variedade juntamente com a chave de identificação.

BONDAR (1940) estudou C. quadrimaculata no Estado de São Paulo, em gerivá e coqueiro, citou que esta espécie se distribuí pelos estados do sul do Brasil, no Paraguai e Argentina. A espécie, habitat e plantas hospedeiras são citados por LEPESME (1947). SILVA et al. (1968) citaram que a espécie C. quadrimaculata desenvolve-se em folhas novas de ariri, buri, coqueiro, gerivá, palmeiras e tamareira, entre outros, encontrando-se nos Estados da Bahia, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Fig. 1
Espécies e variedades do gênero Coraliomela encontradas em cultura de E. edulis e E. oleracea.

Fig. 2
Adulto de Coraliomela aenoplagiata (Lucas).

Fig. 3
Variação intraespecífica em adultos de Coraliomela aenoplagiata (Lucas).

Fig. 4
Adulto de Coraliomela brunnea (Thunberg).

Fig. 5
Adulto de Coraliomela brunnea var. nigripes (Guérin-Méneville).

Fig. 6
Adulto de Coraliomela brunnea var. vigorsi (Guérin-Méneville).

Fig. 7
Adulto de Coraliomela quadrimaculata var. trinotata (Berg).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • BONDAR, G. Insetos e moléstias do coqueiro (Cocos nucifera) no Brasil. Bahia: Tipografia Naval, 1940. 160p.
  • FERREIRA, J.M.S.; MORIN, J.P. A barata do coqueiro Coraliomela brunnea Thunb. (1821) (Coleoptera : Chrysomelidae). Circ. Téc. EMBRAPA, Aracajú, n. 1, p. 1-10, 1986.
  • FERREIRA, J.M.S. Proteção fitossanitária do coqueiral. III. Controle de pragas no campo. Circ. Téc. EMBRAPA, Aracajú, n. 7, p. 1-27, 1987.
  • FERREIRA, J.M.S.; WARWICK, D.R:N.; SIQUEIRA, L.A. Cultura do coqueiro no Brasil. Aracaju, SE: EMBRAPA SPI, 1994. 309p.
  • FISCHER, C.R. Os coleopteros phytophagos da tribu Alurnini, pragas das palmeiras (Chrysomelidae, _Hispinae). Rev. de Entomologia, v. 5, n. 3, p. 257-292, 1935.
  • GALLO, D. (Coord.) Manual de entomologia Agrícola. São Paulo: Agronômica Ceres, 1988. 649p.
  • LEPESME, P. Les insectes des palmiers. Paris: Paul Lechevalier, 1947. 903p.
  • SILVA, A.G.d' A. (Coord.) Quarto catálogo dos insetos que vivem nas plantas do Brasil: seus parasitas e predadores. Rio de Janeiro: Serviço de Defesa Sanitária Vegetal, 1968.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    21 Mar 2025
  • Data do Fascículo
    Jan-Jun 1999

Histórico

  • Recebido
    27 Out 1998
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Instituto Biológico Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252 - Vila Mariana - São Paulo - SP, 04014-002 - São Paulo - SP - Brazil
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