Open-access PRIMEIRA OCORRÊNCIA DE MEGALOPYGEALBICOLLIS, (WALKER, 1855) (LEPIDOPTERA, MEGALOPYGIDAE) EM DIETES IRIDIOIDES SWEET, NO BRASIL

FIRST OCCURRENCE OF MEGALOPYGE ALB/COLLIS (LEPIDOPTERA, MEGALOPYGIDAE) ON DIETES IRIDIOIDES SWEET, INBRAZIL

RESUMO

O trabalho relata pela primeira vez no Brasil, a ocorrência de lagartas de M egalopyge albicollis danificando touceiras da planta ornamental Dietes iridioides.

PALAVRAS-CHAVE:
Ocorrência; Megalopyge albicollis; Dietes iridioides.

ABSTRACT

This work reports, for the first time, the occurrence of Megalopyge albicollis larvae causing damage on Dietes iridioides in Brazil.

KEY WORDS:
Occurrence; Megalopyge albicollis; Dietes iridioides.

Dietes iridioides (lridaceae), conhecida como moréia, é uma monocotiledônea herbácea, perene e rizomatoza, originária da África do Sul, sendo intensamente utilizada em ornamentação de jardins, parques e áreas verdes. As plantas formam touceiras com as folhas lineares, lanceoladas e coriáceas, partindo da base em forma de leque. As inflorescências são eretas e ramificadas com flores brancas e amareladas. São utilizadas em renques e canteiros a pleno sol, florescendo entre a primavera eoutono (LORENZI & SOUZA, 1995).

Em outubro de 1996, na cidade de São Paulo, observou-se alta incidência de lagartas de último estádio de Megalopyge albicollis (Walker, 1855) (Lepidoptera, Megalopygidae) danificando folhas desta iridácea. O ataque ocorreu em grandes reboleiras, eliminando a folhagem até a altura do colo das plantas, conferindo-lhes um aspecto de poda drástica (Figs. 1 e 2).

Os adultos de M. albicollis são mariposas com cerca de 1,5 a 2,0 cm de comprimento, de coloração marrom e branco e de hábito noturno (Fig. 3). Os ovos são de cor amarela, apresentando-se agrupados e recobertos pelas cerdas abdominais da fêmea, para proteção contra a peida de umidade. As lagartas são do tipo eruciforme, êom pequenas pernas torácicas e corpo recoberto por 2 tipos de cerdas: as maiores, não urticantes, são do tipo chalaza e de coloração avermelhada; as menores, urticantes, são do tipo verruca, rígidas e de coloração escura. As lagartas medem, aproximadamente, 3 cm de comprimento no último ínstar de desenvolvimento, locomovem-se lentamente e são de hábito gregário. Próximo à pµpação tecem um casulo que as protegerá quando pupas. Este casulo de coloração avermelhada, possui formato elíptico, sendo que na sua elaboração as lagartas utilizam as cérdas que recobrem seu corpo(Fig. 4).

A incidência desta praga apresenta-se duplamente importante uma vez que pode ocasionar prejuízos econômicos, por danificar espécies vegetais de valor paisagístico, além de representar riscos na área de saúde, pois sendo de aspecto atraente para crianças e curiosos, pode causar acidentes pelo fato de serem urticantes. O contato direto com as cerdas urticantes da lagarta, bem como o contato com as cerdas usadas pela lagarta no casulo, podem causar processos eritematosos e em caso de pessoa alérgica, choque anafilático.

Segundo SILVA (1968) lagartas deM. albicollisocorrem em marianeira e palmeiras no Rio de Janeiro.

BORROR & DELONG (1988) citam que as lagartas da família Megalopygidae têm pelos muito urticantes e podem causar queimaduras desagradáveis, produzindo um tipo de dermatite. Por este motivo estas lagartas são conhecidas popularmente como taturanas ou lagartas-de-fogo.

BASTOS (1987) descreve larvas causadoras de danos econômicos importantes no estado do Ceará, Brasil, entre elas Megalopyge urens em abacate e M. albicollis em manga.

GALLO et al. (1978) citam a espécie Megalopyge lanata atacando folhas de mangueira e recomendam, para controle, inseticidas carbamatos ou fosforados com exceção de azinfós-etil.

Fig. 1
Lagarta de Megalopyge albicollis alimentando-se de folhas de Dietes iridioides.

Fig. 2
Aspecto geral dos danos provocados por Megalopyge albicollis em touceiras de Dietes iridioides.

Fig. 3
Adultos, macho e fêmea, de Megalopyge albicollis.

Fig. 4
Lagartas e pupa de Megalopyge albicollis em Dietes iridioides.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • BASTOS, J.A.M. Caracterização de algumas lagartas pragas no Estado do Ceará, Brasil. Fitossanidade, v.1, n.2, p.35-37, 1975.
  • BORROR, D.J. & DELONG, D.M. Iiitrodução ao estudo dos insetos. São Paulo: Edgard Blucher Ltda., 1988.
  • GALLO, D. (Coord.) Manual de Entomologia Agrícola. São Paulo: Agronômica Ceres, 1978.
  • LORENZI, H. & SOUZA, H.M.de. Plantas ornamentais no Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeiras. Nova Odessa, SP: Plantarum, 1995.
  • SILVA, A.G. d' A. (Coord.) Quarto catálogo dos insetos que vivem nas plantas do Brasil: seus parasitas e predadores. Rio de Jarnfüo: Serviço de Defesa Sanitária Vegetal, 1968.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    21 Mar 2025
  • Data do Fascículo
    Jan-Jun 1999

Histórico

  • Recebido
    24 Ago 1998
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