RESUMO
Realizou-se o estudo da prevalência sorológica da leptospirose em bovinos do município de Uruará, PA, localizado às margens da rodovia Transamazônica, especificamente em propriedades caracterizadas como familiares. A prevalência da leptospirose bovina foi de 97% (90,9-99,5%) de propriedades com pelo menos um animal positivo na soroaglutinação microscópica para o diagnóstico da leptospirose. Nos bovinos, reações sorológicas para os sorotipos hardjo e bratislava foram as mais freqüentemente observadas, seguidas do shermani. Em 61,2% dos rebanhos o sorotipo hardjo foi apontado como o mais provável, em 9% deles o sorotipo bratis/ava e em 4,5% o shermani. Foi discutido o impacto desses achados tanto para a produção animal quanto para a saúde pública na região.
PALAVRAS-CHAVE:
Bovino; leptospirose; Amazônia.
ABSTRACT
The seroprevalence study for leptospirosis in bovines was conducted in Uruará, PA, more specifically in farnily holder farms, which is located along the Transamazonic highway. Toe bovine leptospirosis seroprevalence was 97% (90.9 - 99.5%) in the farms with at least one positive animal according to microscopic agglutination test for the leptospirosis diagnosis. Regarding the bovine population, serologic reactions for the serotypes hardjo and bratislava were the most often observed, followed by the serotype shermani. In 61.2% of the tested herds, serotype hardjo was considered the most common, 9% the serotype bratislava and 4.5% the serotype shermani. The impact of these results was discussed in rela:tion to animal production and public health.
KEY WORDS:
Bovine; leptospirosis; Amazon.
INTRODUÇÃO
A Amazônia é caracterizada pela grande diversidade ambiental, resultado da combinação de fatores edafoclimáticos, ecológicos e, mais recentemente, agrários, econômicos, políticos e socioculturais, e vem apresentando a maior taxa de crescimento do rebanho bovino nos últimos 10 anos, em torno de 5-8% ao ano (TOURRAND et al., 1999).
A pecuária vem se desenvolvendo nos últimos 15 anos na região da rodovia Transamazônica entre os pequenos produtores. Uruará é um dos municípios localizados ao longo da rodovia (Fig. 1) que bem representa o modelo de desenvolvimento, marcado por um processo de pecuarização do seu panorama agrícola (VEIGA et al., 1996). Em função das características do sistema de produção familiar, o contato homem-animal é relativamente estreito e as famílias invariavelmente consomem os produtos de origem animal produzidos na propriedade.
Dispõe-se de poucas informações a respeito da patologia animal nos sistemas de produção familiar na Amazônia, importantes tanto do ponto de vista de produção animal quanto do ponto de vista de saúde pública. Mesmo que determinadas afecções de origem infecciosa, parasitária ou viral sejam bem conhecidas em outros ecossistemas, é bem provável que o ambiente amazônico contenha certas especificidades etiológicas e epidemiológicas importantes. Imagina-se que as doenças tendam a adquirir características próprias no ambiente amazônico, especialmente em áreas de fronteira agrícola, e que o seu diagnóstico seria elemento básico para o estabelecimento das alternativas de profilaxia e controle.
Em função da ocorrência de aborto relatada por 33% da; criadores do muni.ópio (VEIGA et al., 1996), o presente trabalho teve por objetivo estimar a prevalência sorológica da leptospirose bovina por propriedade rural do tipo familiar no muniápio de Uruará, PA.
MATERIAL E MÉTODOS
Cálculo da amostra
A amostra foi planejada para a obtenção das prevalências por propriedades do tipo familiar. O cálculo foi feito através do programa Epi Info 6.02, utilizando-se os seguintes parâmetros: N = 4.200 (número de propriedades do tipo familiar existentes em mapa de Uruará, PA, cedido pelo INCRA); Prevalência estimada = 0,50; Erro = 0,10; Nível de Confiança = 0,90.
Obteve-se um namo,1ra1 de 67. A seguir, as 4.200 propriedades foram numeradas no mesmo mapa referido na figura 1 e procedeu-se o sorteio probabilístico aleatório das 67, utilizando-se o programa SPSS. Como a amostragem foi delineada para a obtenção dos valores de prevalência da leptospirose por propriedade, exigiu, portanto, a coleta de material de todos os bovinos existentes em cada um dos 67 rebanhos selecionados.
O protocolo consistiu na coleta de sangue do rebanho bovino e foi aplicado em 67 propriedades. O critério de positividade da propriedade foi o encontro de pelo menos um bovino positivo.
Logística do trabalho de campo
Todo o trabalho de campo foi desenvolvido entre os meses de agosto a novembro de 1998.
Antes do início do trabalho de campo propriamente dito, foram realizadas reuniões em órgãos públicos e associações rurais locais, onde os objetivos do estudo foram expostos edebatidos. As organizações contatadas foram as seguintes: Prefeitura Municipal de Umará; Câmara Municipal de Umará; Secretaria Municipal de Saúde; Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Uruará; Associação do Pequenos Produtores Rurais (APRUR); Associação dos Criadores e Produtores de Uruará (ACAPU); Associação do km-224; Associação dos Produtores do Vale do Ipiranga (ASSAVI); Cooperativa Mista Agropecuária do Vale de Uruará (COOMAVUR); Secretaria Estadual de Saúde (SESPA); Matadouro Municipal de Uruará; Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC); Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER) e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).
Junto ao INCRA foram obtidos os nomes dos proprietários sorteados para a amostra e a localização aproximada dos seus lotes. Foram acionados os contatos com as associações rurais do município e os agentes comunitários de saúde distribuídos ao longo de todos os travessões da rodovia Transamazônica, o que possibilitou programar as primeiras visitas.
Tendo em mãos os nomes dos produtores dos lotes sorteados e as respectivas localizações aproximadas, houve a necessidade de se fazer uma primeira visita ao produtor, no intuito de apresentar individualmente o trabalho e propor um dia de mútua conveniência para a segunda visita da equipe, quando ocorreria a coleta das amostras. A localização geográfica de cada propriedade visitada foi obtida através de medida tomada com GPS (Global Positioning System).
Coleta de material
De cada bovino foi coletada uma amostra de 10mL de sangue com seringa do tipo vacumtainer. Essas amostras foram identificadas e transportadas sob refrigeração até o laboratório, onde foram submetidas à centrifugação para separação do soro, o qual foi estocado a -20ºC até a realização das provas sorológicas.
Métodos diagnósticos
Empregou-se a soroaglutinação microscópica, conforme descrito por FAINE (1982), empregandose uma coleção de antígenos composta por 24 sorotipos: australis; bratislava; autumnalis; butembo; castellonis; batavie; canicola; whitcombi; cynopteri; grippotyphosa; hebdomadis; copenhageni; icterohaemorrhagiae; javanica; panama; pomona; pyrogenes; hardjo; wolffi; shermani; tarassovi; andamana; patoc e sentot.
Os resultados do diagnóstico sorológico da leptospirose foram analisados de acordo com o critério adotado por VASCONCELLOS et al. (1997), onde, para cada rebanho bovino ou núcleo familiar, foi verificada a existência de reações a um sorotipo dito mais provável. Inicialmente, para cada indivíduo verificou-se o sorotipo para o qual houve o maior título (os empates foram desprezados), em seguida, o sorotipo mais freqüente dentro do grupo de indivíduos foi considerado o mais provável.
Análise dos resultados
As informações referentes a cada propriedade familiar e os resultados laboratoriais foram registrados em um banco de dados elaborado e no programa Epi Info 6.02. Os gráficos foram elaborados através do programa SPSS 6.0. A distribuição espacial das doenças foi feita cruzando-se os dados obtidos nas provas laboratoriais com os valores de latitude e longitude registrados pelo GPS. Para a confecção dos mapas foram utilizados os seguintes CD-ROM do IBGE: Malha Municipal do Brasil - Situação em 1997 e Brasil Geográfico. As imagens foram tratadas através do programa Are View 3.1.
RESULTADOS
Devido ao tempo transcorrido entre a confecção do mapa pelo INCRA em 1986 e a realização do presente estudo e a inexistência de dados censitários de melhor qualidade, alguns lotes sorteados acabaram por ser substituídos pelo vizinho mais próximo, de acordo com uma ou mais das seguintes razões: 1) lote abandonado sem nenhum habitante; 2) sem rebanho bovmo; 3) não enquadramento na definição de propriedade familiar; 4) lotes com impossibilidade de acesso; 5) recusa em participar do estudo. A inclusão dos lotes na amostra obedeceu sempre o critério de selecionar propriedades do tipo familiar, ou seja, pertencentes à família, pelos seus membros geridos e onde a mesma reside.
A prevalência sorológica da leptospirose bovina por propriedades foi de 97% (90,9 - 99,5%) quando consideradas reações para qualquer dos sorotipos empregados como antígenos (Fig. 2). Reações contra os sorotipos hardjo e bratislava foram as mais freqüentemente encontradas como predominantes nas propriedades (61,2% [50,4 - 71,2%] e 9% [4,0 - 16,9%], respectivamente). As Figuras 3 e 4 mostram as·localizações das propriedades onde as reações a esses sorotipos predominaram.
DISCUSSÃO
A leptospirose pode ser definida como importante doença infecciosa relacionada a transtornos da reprodução em mamíferos domésticos de produção. Nos bovinos, provoca abortamentos, infertilidade, anorexia, pirexia, apatia, icterícia, anemia hemolítica, hemoglobinúria, mastite e até morte, na dependência do sorotipo envolvido, da espécie e da idade do indivíduo acometido {MILNER et al., 1980). A urina é a principal via de eliminação do agente, tanto em animais doentes romo nos portadores sadios, e através dela alcança o meio ambiente, onde sobrevive por períodos variáveis até alcançar outro hospedeiro através das mucosas e da pele lesada ou amolecida pelo contato prolongado com ambiente úmido, principalmente (BEER, 1988). Sua sobrevivência no ambiente é favorecida sobretudo pela presença de umidade e pH neutro (SANTA ROSA, 1970; MACEDO, 1997). O leite e a carne não têm importância como vias de transmissão do agente ao homem.
Portanto, enquanto se mantiverem propícias as condições externas, as leptospiras permanecerão viáveis para infectarem novos hospedeiros, seja animal silvestre, doméstico ou o homem. Sendo assim, a prevalência da leptospirose depende de um indivíduo portador que é o disseminador de leptospiras pela urina, da contaminação do ambiente com leptospiras vivas, da sobrevivência do agente nesse ambiente e do contato dos indivíduos suscetíveis com o agente (NIANG et al., 1994).
Distribuição dos resultados da soroaglutinação microscópica para diagnóstico da leptospirose (sorotipos) em bovinos de Uruará, PA, em 1998, segundo as propriedades, São Paulo - 1999.
Localização geográfica das propriedades familiares do Município de Uruará com predomínio de bovinos reatores ao sorotipo hardjo, em 1998, São Paulo - 1999.
A Amazônia apresenta uma estrutura ecológica favorável à disseminação e à endemicidade das leptospiroses por suas condições de temperatura e umidade, próprias da zona equatorial, associadas à baixa qualidade dos hábitos de higiene da população e à presença de abundante fauna silvestre, potenciais reservatórios de leptospiras. Por outro lado, pelo fato das águas da Amazônia serem ácidas, o que não é tolerado pelas leptospiras, também existe uma pressão contrária à disseminação da doença (LINS, 1982).
Numerosos animais são hospedeiros da leptospira, sendo que cada sorotipo tem um ou mais hospedeiros, com graus diferentes de adaptação. Em decorrência dessa epidemiologia bastante dinâmica e complexa, envolvendo diferentes sorotipos, diferentes espécies de suscetíveis e, ainda, a presença de fatores ambientais predisponentes, a doença deve ser estudada obedecendo as diferenças regionais quanto a esses fatores (ELLIS, 1984).
A leptospirose bovina é endêmica no Brasil e muito freqüente no rebanho bovino (MOREIRA, 1994; LILENBAUM et al., 1995). Os resultados obtidos no presente estudo são inéditos, pois representam o primeiro estudo da leptospirose no Município de Uruará. A prevalência dessa doença nos rebanhos . bovinos do município foi estimada em 97%. Praticamente todos os rebanhos pesquisados possuiam ao menos um integrante soropositivo, indicando que já tiveram contato com a Leptospira sp. Importante lembrar que a colheita das amostras sangüíneas foi feita no segundo semestre, correspondente ao período seco do ano, representando um alerta em relação à potencialidade de transmissão do agente na região, uma vez que condições mais favoráveis para a transmissão são alcançadas nos períodos mais úmidos do ano (FAOER et al.,1986; MILLER et al., 1991b). Isso também significa que a propalada acidez das águas da região Amazônica (LINS, 1982) não é um fator limitador importante da difusão na doença na região.
Localização geográfica das propriedades familiares do Município de Uruará com predomínio de bovinos reatores ao sorotipo bratislava, em 1998, São Paulo -1999.
Os resultados da sorologia revelaram que os sorotipos hardjo, bratislava, a associação desses dois e o sorotipo shermani foram os predominantes nos rebanhos bovinos do município.
Na década de 80, a partir de amostras de soro de bovinos, colhidas aleatoriamente no Estado do Pará e examinadas pelo Instituto Evandro Chagas em Belém, foram registradas reações aos sorotipos wolffi e australis (LRNS, 1982). MOREIRA (1982) também analisou soros de bovinos do Estado do Pará, tendo encontrado títulos para hardjo em primeiro lugar, seguido pela wolffi, pomona, bataviae, grippotyphosa, tarassovi e sejroe.
Títulos positivos para o sorotipo hardjo já foram encontrados em bovinos de diversos países, e relacionados com a leptospirose bovina clínica (MILNER et al., 1980). Tem sido o causador mais freqüente de infecções entre os rebanhos de bovinos do mundo todo (MILNER et al., 1980; ELDER et al.,1986; MILLER et al., 1991a; MILLER et al., 1991b), inclusive no Brasil (NIANG et al., 1994; LILENBAUM & SANTOS, 1995/1996; VASCONCELLOS et al., 1997). AYCARDI et al. (1980) citam que em muitos países este sorotipo estaria substituindo o pomona como o mais prevalente em bovinos. O seu isolamento já foi feito em bovinos brasileiros por MOREIRA (1994).
O sorotipo bratislava já foi relatado em diversas espécies, como causador de leptospirose clínica. Já foram verificados títulos em bovinos (LILENBAUM & SANTOS, 1996) e vem sendo amplamente descrito em outras espécies, como eqüinos (BERNARD, 1993; BERNARD et al., 1993; LEES & GALE, 1994; WILLIAMS et al., 1994; BARWICK et al., 1997), suínos (MILLER et al., 1990; DE WAAL et al., 1991; SCHONBERG et al., 1992), caninos (BREM et al., 1990; Brown et al., 1996), guaxinins (MIKAELIAN et al., 1997), bisões (TAYLOR et al., 1997), ratos silvestres (WEBSTER et ai., 1995) e pequenos mamíferos silvestres (PROKOPCAKOVA et al., 1994). SANTANA et al. (1997), examinando soros de bovinos da raça Nelore, com histórico de repetição de cio, provenientes do Estado de São Paulo, encontraram como sorotipo mais provável o bratislava, seguido pelo hardjo, wolffi e tarassovi.
Em relação a o sorotipo shermani, foi pela primeira vez isolado do roedor Proechimys semispinosus no Panamá em 1982. Tem-se relatos de títulos positivos em suínos, roedores (OCA et al.,1986), caprinos, ovelhas e cães (CICERONI et al., 1997). LINS & SANTA ROSA (1976) detectaram reações sorológicas em roedores de capturados no estado de Mato Grosso. Nãohá relato associando esse sorotipo com sintomas clínicos em bovinos.
É grande a importância dos animais silvestres na manutenção das leptospiroses em seu habitat natural. As trocas que ocorrem na ecologia humana e animal quando da colonização de determinada área podem favorecer a transmissão dessa zoonose ao homem, pois propiciam um contato deste e dos animais domésticos com os focos originais de infecção. O desmatamento e a ocupação pelo homem, juntamente com a introdução de animais domésticos, de novas áreas, tendem a originar um ecossistema constituído de diferentes biocenoses que podem influenciar a difusão de zoonoses e doenças infecciosas de modo geral (LINS & SANTA ROSA, 1976).
A epidemiologia da leptospirose no Município de Uruará poderia ser melhor entendida através de estudos subseqüentes que utilizassem a sorologia como triagem e métodos diretos para a confirmação dos sorotipos envolvidos, aplicados à população de animais domésticos, silvestres e sinantrópicos e também à humana. A colaboração entre os serviços humanos e veterinários de saúde deve ser estreitada para que também os casos humanos de 1eptospirose sejam adequadamente diagnosticados e tratados.
Recomendações para o Município
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Implementar programa continuado de educação em saúde voltado aos produtores rurais;
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Promover a integração entre os serviços de saúde humana e animal;
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Estimular a realização de estudos que permitam uma melhor compreensão da epidemiologia da leptospirose animal e humana;
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Criar linhas de financiamento que estimulem e permitam a melhoria da infraestrutura das propriedades do tipo familiar.
CONCLUSÕES
A prevalência sorológica da leptospirose bovina no Município de Uruará, PA foi 97% (90,9 - 99,5%) de propriedades positivas para leptospirose.
Nos bovinos, reações sorológicas para os sorotipos hardjo e bratislava foram as mais freqüentemente observadas, seguidas do shermani. Em 61,2% dos rebanhos o sorotipo hardjo foi apontado como o mais provável, em 9% deles o sorotipo bratislava e em 4,5% o shermani.
AGRADECIMENTOS
Aos produtores, pela imensurável colaboração para que o trabalho pudesse ser de fato realizado; a Francisco Canindé, João e Juscivaldo, pelo trabalho a campo; à toda a equipe da Secretaria Municipal de Saúde; à EMBRAPA/ CPATU, por todo apoio estrutural; à FUNTEC, pela compra do material usado a campo; à FAPESP, pelo apoio financeiro ao longo dos dois anos de trabalho e ao VPS/FMVZ/USP de um modo geral.
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FAPESP/SP-processo MS97/02691-6-FUNTEC/PA
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