Open-access OCORRÉNCIA DA COCHONILHA ASPIDIOTUS sp. (HOMOPTERA-DIASPIDIDAE) E SEUS PARASITÖIDES EM CLONES DE SERINGUEIRA, NO ESTADO DE sÄo PAULO

OCCURRENCE OF THE SCALE ASPIDIOTUS SP. (HOMOPTERA-DIASPIDIDAE) AND ITS PARASITOIDS IN CLONES OF RUBBER PLANT HEVE4 BRASILIENSIS IN sÄo PAULO STATE, BRAZIL

RESUMO

Em viveiros do Instituto Biológico, em Säo Paulo-SP, constatou-se a presenqa da cochonilha Aspidiotus sp., em diferentes clones de seringueira e brotaqöes do cavalo. O nfvel de incidéncia variou de 0 a 100% da {rea foliar, sendo observadas plantas completamente infestadas ao lado de outras totalmente sadias, o que sugere a existéncia de uma variaqäo na susceptibilidade dos diferentes clones. Observou-se que quase a totalidade das cochonilhas encontrava-se parasitada por microhimen6pteros Chalcidoidea pertencentes äs famflias Encyrtidae, Signiphoridae e Aphelinidae. As espécies encontradas foram: Plagiomerus cyanae (Ashmead, 1888), Metaphycus sp. , Signiphorafax (Girault, 1913), Encarsia citrina (Craw, 1891), Aphytis sp. e Signiphora sp., esta ültima com maior presenqa.

PALAVRAS-CHAVE:
Aspidiotus sp.; parasit6ides; Chalcidoidea; seringueira.

SUMMARY

The presence of scale Aspidiotus sp. infesting several clones of rubber plants and sprouts of rootstock, was reported in orchards of the Instituto Biológico, Säo Paulo-SP. The incidence ranged from 0 to 100% of the plants green area; heavely infested plants were observed aside to healthy ones suggesting the different clones have a variable susceptibility. It was observed that almost all the scales were parasitized by hymenopters of the super-family Chalcidoidea belonging to the families Encyrtidae, Signiphoridae and Aphelinidae. The species found were Plagiomerus cyanea (Ashmead, 1888), Metaphycus sp., Signiphora far (Girault, 1913), Encarsia citrina (Craw, 1891), Aphytis sp. e Signiphora sp., this latter one being the most frequent.

KEY WORDS:
Aspidiotus sp.; parasitoids; Chalcidoidea; rubber plant.

Até 1912, existia no Brasil apenas a exploraqäo da seringueira silvestre da Amazönia. Os primeiros cultivos foram instalados na regiäo ümida da floresta Amazönica, incluindo Rondönia, Parå e Amazonas, além de extensas {reas na Bahia. As condiqöes climåticas da regiäo favoreceram o aparecimento de doenqas provocando um declfnio nesses empreendimentos. Constatou-se a existéncia de {reas propfcias ao cultivo fora das regiöes tradicionais, apresentando-se como excelentes opqöes: Planalto Paulista, Zona da Mata, Vale do Rio Doce, Triångulo Mineiro, Sul de Goiås, Mato Grosso do Sul, Espfrito Santo e Rio de Janeiro (1). O Estado de Säo Paulo iniciou o cultivo economico da seringueira na década de setenta e hoje ocupa 0 3? lugar em {rea plantada no Brasil, sendo suplantado por Mato Grosso e Rondönia. A crescente expansäo da {rea ocupada pelos seringais paulistas torna importante a observagäo do comportamento dos diferentes clones frente presenga de insetos que possam causar danos ao cultivo e, conseqüentemente, prejufzos na produqäo, tornando-se pragas.

Em viveiro de mudas do Instituto Biológico, em Säo Paulo-SP, constatou-se a presenga da cochonilha Aspidiotus sp. (Homoptera-Diaspididae), em diversos clones de seringueira e brotaqöes do cavalo. A cochonilha foi identificada pelo bi610go Marcelo Guena de Oliveira, do Museu de Zoologia da USP. O material estå depositado nas colegöes do Instituto Biológico e Museu de Zoologia.

A constatação da cochonilha no Instituto Biológico de São Paulo ocorreu nos clones RRIM 600, GTI, IAN 873, PB 235, FX 3028, FX 3864, IAN 2903 e em brotações do cavalo. O nível de incidência variou de 0 a 100% da área foliar tendo sido observadas plantas completamente infestadas ao lado de plantas totalmente sadias, o que sugere a existência de uma variação na susceptibilidade dos diferentes clones. Nos clones RRIM 600, PB 235, GTI e IAN 873 observou-se infestações superiores a 80%. Mudas com alta incidência da praga apresentaram amarelecimento intenso das folhas, devido à sucção contínua de seiva e desfolha precoce com atraso no desenvolvimento. A maior concentração da cochonilha ocorreu na área foliar, predominando nas bordas e junto às nervuras, ocorrendo também nos pecíolos e hastes das plantas.

A "cochonilha do coqueiro", Aspidiotus destructor Signoret, 1869, foi registrada como séria praga da seringueira em viveiro e mudas recém-transplantadas, no município de Ituberá-BA e no Pará, sendo observado que plantas jovens são mais susceptíveis e que ataques intensos podem provocar a morte das mesmas (3). A incidência desta praga em seringueira, no Estado de São Paulo, foi alertada por VENDRAMIN (6). São conhecidas como plantas hospedeiras da cochonilha: palmeiras, coqueiros, mangueiras, abacateiros, cacaueiros, cajuzeiros, mamoneiros e loureiros (5).

Na presente constatação, a quase totalidade das cochonilhas encontradas apresentou-se parasitada por microhimenópteros Chalcidoidea, pertencentes às famflias Signiphoridae, Aphelinidae e Encyrtidae. Os microhimenópteros foram identificados a nível de gênero elou espécie e encontram-se depositados na coleção do Instituto Biológico.

Da famflia Signiphoridae ocorreram Signiphorafax (Girault, 1913) e Signiphora SP. Segundo WOOLLEY (8) S. fax, aparentemente, é um hiperparasitóide da famflia Diaspididae. No Estado de São Paulo, exemplares de S.fax já foram obtidos a partir de Chrysomphalus ficus (Ashmead, 1880), Chrysomphalus SP. e Pseudococcus spp.(2). No presente material, as pupas de S.fax foram encontradas dentro da pele de Aspidiotus SP. , portanto um endoparasitóide, não sendo possível constatar se primário ou secundário. Signiphora SP. pertence ao grupo flavopalliata como a espécie anterior, sendo porém de coloração amarela. Esta foi a espécie mais numerosa, representando 80% da amostra estudada.

A famflia Aphelinidae apresentou as espécies Encarsia citrina (Craw, 1891) e Aphytis SP.

A espécie E. citrina é um parasitóide primário, polífago, já citado para São Paulo e Bahia por DE SANTIS (2). SILVA et ai. (5) citam como parasitóides de Aspidiotus spp. o Aphytis SP. , no Chile, A. lignanensis Compere e A. proclia (Walker, 1839), na Argentina. VIGGIANI (7) considera que as espécies desse gênero são ectoparasitóides primários. O presente trabalho cita pela primeira vez a obtenção de Aphytis SP. a partir de Aspidiotus sp., no Brasil.

A famflia Encyrtidae foi representada pelas espécies Plagiomerus cyanea (Ashmead, 1988) e Metaphicus SP. De acordo com NOYES (4) P. cyanea é um parasitóide primário de Diaspididae. No Brasil, segundo DE SANTIS (2), só foi citada para o Estado de Pernambuco, sobre Diaspis echinocacti (Bché, 1833); assim esta é a primeira ocorrência da espécie para o Estado de São Paulo. As espécies do gênero Metaphycus são parasitóides primários de Diaspididae e outros Coccoidea.

O presente trabalho salienta a necessidade de pesquisas relativas à interação entre cochonilha, cultura da seringueira e sua fauna benéfica. A potencialidade da cochonilha como praga da cultura é evidenciada pela incidência de espécies do mesmo gênero, já constatadas em outros Estados. A alta taxa de parasitismo apresentada pelo material estudado mostra a possível viabilidade de controle natural da praga, estabelecendo-se um equilíbrio. Além disso, a ocorrência de espécies hiperparasitóides alerta para a possibilidade de desequilíbrios em favor da praga.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • 1 CORTEZ, J.V. Histórico e expansão da cultura da seringueira no Estado de São Paulo. In: SIMPÓSIO SOBRE A CULTURA DA SERINGUEIRA NO ESTADO DE SÃO PAULO, 1., Piracicaba, 1986. Trabalhos apresentados. Campinas, Fundação Cargill, 1986.p.1-9.
  • 2 DE SANTIS, L. Catálogo de 10s himenopteros brasilenos de Ia serie Parasitica; incluyendo Bethyloidea. Curitiba, Ed. Univ. Fed. Paraná, 1980.395p.
  • 3 DUNHAM, O. Nova praga da cultura da seringueira (Hevea brasiliensis) na Bahia - Brasil. Aspidiotus destructor Signoret, 1869 (Homoptera-Diaspididae). Bol. Inst. Biol. Bahia, 1964/1967.
  • 4 NOYES, J.S. A review ofthe genera ofNeotropical Encyrtidae (Hymenoptera:Chalcidoidea). Bull. Br. Mus. Nat. Hist. (Ent.), 41(3):107-253, 1980.
  • 5 QUARTO Catálogo dos insetos que vivem nas plantas do Brasil: seus parasitos e predadores. Aristóteles Godofredo D'Araújo e Silva et al. Rio de Janeiro, Serviço de Defesa Sanitária Vegetal, Ministério da Agricultura, 1968.Pt.2,t.1,p.162.
  • 6 VENDRAMIN, J.D. Pra;as da seringueira no Estado de São Paulo. In: SIMPOSIO SOBRE A CULTURA DA SERINGUEIRA NO ESTADO DE SÃO PAULO, 1., Piracicaba, 1986. Trabalhos apresentados. Campinas, Fundação Cargill, 1986. p. 173-86.
  • 7 VIGGIANI, G. Hiperparasitism and sex differentiation in the Aphelinidae. In: THE ROLE OF HYPERPARASITISM IN BIOLOGICAL CONTROL: a symposium. Bekerley. David Rosen, ed., 1981.p.19-26.
  • 8 WOOLLEY, J.B. Phylogeny and classification of the Signiphoridae. (Hymenoptera: Chalcidoidea). Syst. Entomol. 13(40): 465-501. 1988.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    14 Fev 2025
  • Data do Fascículo
    Jan-Dec 1991
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Instituto Biológico Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252 - Vila Mariana - São Paulo - SP, 04014-002 - São Paulo - SP - Brazil
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