Open-access DETERMINAÇÃO DO ÓXIDO DE FENBUTATIN POR CROMATOGRAFIA LÍQUIDA DE ALTA EFICIÊNCIA

HIGH PERFORMANCE LIQUID CHROMAIOGRAPHIC DETERMINATION OF FENBUTATIN OXIDE

RESUMO

O composto orgânico estânico, óxido de fenbutatin, é um acaricida seletivo usado em culturas de Citrus, plantas ornamentais e uva. O presente trabalho descreve o método de análise do óxido de fenbutatin por cromatografia líquida de alta eficiência. As amostras foram diluídas com diclorometano e analisadas em coluna Lichrosorb Si 60 (5gm) usando como fase móvel diclorometano + metanol (350 + 150) com 2ml de ácido acético. O princípio ativo foi detectado no detector ultravioleta no comprimento de onda de 254 nm.

PALAVRAS-CHAVE:
óxido de fenbutatin; análise; cromatografia líquida de alta eficiência.

SUMMARY

Fenbutatin oxide is a selective organotin miticide. It offers control over a wide variety of mites on Citrus and ornamental plants and on vines. This paper describes a high-performance liquid chromatographic method for determination of fenbutatin oxide. Samples were extracted with dichlomethane and analysed on Lichorsorb Si 60 (5 gm), with a dichloromethane + methanol (350 + 150) + 2 ml acetic acid mobile phase. The active ingredient is detected with an ultra-violet detector at 254 nm.

KEY WORDS:
Fenbutatin oxide; analysis; hig performance liquid chromatographic.

INTRODUÇÃO

O óxido de fenbutatin é um composto organo-estânico conhecido quimicamente como óxido de di[tri-(2-metil-2-fenil-propil) estanho] (fig. 1).

Age como acaricida seletivo, não sistêmico, de baixa fitotoxicidade, utilizado para controlar ácaros fitófagos resistentes aos compostos clorados e fosforados (6), em culturas de Citrus (3), plantas ornamentais e uva (2,8). Possui baixa toxicidade aos pássaros, abelhas e outros insetos benéficos, porém é altamente tóxico para peixes (8).

Essas características diferenciam-no de outros compostos organo-estânicos como o trifenil hidróxido de estanho e trifenil acetato de estanho que atuam como fungicidas contra os fungos suscetíveis aos cúpricos e possuem alta toxicidade (4, 10).

O óxido de fenbutatin apresenta persistência longa no ambiente, e sendo praticamente insolúvel em água (6), seu deslocamento para regiões vizinhas é baixo (3).

Para o controle de qualidade, a determinação do princípio ativo é usualmente feita pelo método de espectrofotometria infravermelha ou pelo método de titulação em meio não aquoso (8, 9), método este menos suscetível à interferência dos componentes da formulação (9).

Tendo em vista a não existência na literatura de metodologia analítica por cromatografia líquida de alta eficiência, este trabalho visa o desenvolvimento de um método de análise por essa técnica.

FIGURA 1
Fórmula estrutural do óxido de fenbutatin.

MATERIAL E MÉTODO

Padrão de óxido de fenbutatin a 97% e amostras padrões de óxido de fenbutatin técnico a 950 g/kg e suspensão concentrada 150 g/l. Solventes: diclorometano, metanol grau HPLC e ácido acético glacial P.A. Aparelho: cromatógrafo líquido modelo CG 480 C equipado com detector ultravioleta de comprimento de onda variável fixo em 254 nm e registrador. Foi utilizada coluna Lichrosorb Si 60 (5 gm) e como fase móvel diclorometano + metanol (350 + 150) mais 2ml de ácido acético glacial.

A solução padrão de óxido de fenbutatin foi preparada pela dissolução dessa substância em diclorometano na concentração de 0,1%.

As amostras para análise foram preparadas pesando-se quantidade suficiente de formulação para se obter uma concentração em diclorometano igual a da solução padrão e foram submetidas ao ultra-som para completa dissolução do princípio ativo.

As soluções de padrão e das amostras foram filtradas em sistema de microfiltração de 0,40 gm e posteriormente essas amostras foram analisadas no cromatógrafo líquido intercalando-se as injeções de amostra e do padrão.

O método usado foi o de padronização externa.

RESULTADOS

Os resultados das análises das formulações na coluna de Lichrosorb Si 60 (5 gm) encontram-se na tabela 1.

Com esses dados, procedeu-se a análise estatística, onde se determinou o desvio padrão(s) e o coeficiente de variação (C.V.) que expressam respectivamente a exatidão e a precisão do método analítico.

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO

O óxido de fenbutatin é um composto de solubilidade muito baixa nos solventes orgânicos normalmente usados para a eluição e diluição do princípio ativo. Em virtude de sua capacidade de solubilização, o diclorometano (9) foi escolhido como solvente extrator no preparo das amostras e diluição do padrão.

Foram experimentados diversos tipos de colunas, tais como: frse reversa C 18; Zorbax ODS, Si 60, Lichrosorb Si 60 5 gm.

TABELA 1
Concentração das amostras do acaricida óxido de fenbutatin determinada por cromatografia líquida.

Para a escolha da fase móvel foram testados solventes como diclorometano, acetonitrila, metanol, água e mistura desses solventes como metanol + acetonitrila (1 + 1), metanol + diclorometano (80 + 20), metanol + diclorometano (l + 1), metanol + água (80 + 20), diclorometano + metanol (350 + 150), diclorometano + metanol (350 + 150) e 2ml de ácido acético.

Empregando-se esses eluentes nas colunas de fase reversa C 18, Zorbax ODS e Si 60, observou-se que o produto ficou retido ou necessitou de um tempo muito longo para ser eluído.

Na coluna Lichrosorb Si 60 (5 grn) também foram testadas essas fases móveis e a única que apresentou bom resultado foi a mistura de diclorometano + metanol (350 + 150) e 2 ml de ácido acético. Nessas condições houve rapidez na eluição e os picos obtidos foram simétricos e bem resolvidos.

A análise estatística dos resultados mostrou um desvio padrão de 0,269 para produto técnico e de 0,713 para as amostras, o que indica excelente reprodutibilidade (1). Boa precisão foi obtida na análise do produto com coeficiente de variação de 0,028% para produto técnico e de 0, 143% para as amostras (5).

Os dados estatísticos obtidos permitem concluir que o método de cromatografia líquida para a análise do óxido de fenbutatin é exato e preciso.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • 1 CARDONE, M.J. Detection and determination of error in analytical methodology. Part I In the method verification program. J. Assoc. Off. Anal. Chem. , 66: 1257-81, 1983.
  • 2 FARM chemicals handbook. WilloughW, Meister Publ. , 1991. p.c 135.
  • 3 GELMINI, G.A.; NOVO, J.P.s.; ZAMARIOLLI, D.P. Coletanea de portaria e informações gerais sobre defensivos agrícolas e receituário agronômico. Campinas, CATI, 1986. p. 235. [Impresso especial]
  • 4 MARTIN, H. & WORTHING, C.R. (Ed.) Pesticide Manual. 4. ed. Nottingham, British Crop Protection Council, 1974. p.273-4.
  • 5 McNAIR, H.M. & BONELLI, E.J. Basic gas chromatogmphy. Palo Alto, Cal. , Varian Aerography, 1969. p.160-7.
  • 6 MERCK Index. 11. ed. Rah„uy, NY, Merck, 1989. p.622.
  • 7 SPENCER, E.Y. Guide to the chemicals used in crop protection. 7. ed. Ottawa. Minister of Supply and Services Canada, 1982. p.293.
  • 8 WORrHING, C.R. (Ed.) Pesticide Manual. 7. ed. Noe tingham, British Crop Protection Council. 1981. p.258, 270, 271.
  • 9 ZWEIG, G. Analytical methodsforpesticides and plant growth regulators: New and updated methods. New York. Academic Press. 1978. v.10. p.139-53.
  • 10 ZWEIG, G. Analytical methodsforpesticides and plant growth regulators: Updated general techniques and additional pesticides. New York, 1980. v.ll. p.227.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    14 Fev 2025
  • Data do Fascículo
    Jan-Dec 1992
location_on
Instituto Biológico Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252 - Vila Mariana - São Paulo - SP, 04014-002 - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: arquivos@biologico.sp.gov.br
rss_feed Acompañe los números de esta revista en su lector de RSS
Ir para arriba Notificar error