Contexto: O principal impacto clínico das neoplasias superficiais associadas ao esôfago de Barrett reside no seu crescente potencial oncogênico a médio e longo prazo. Por esse motivo, as principais diretrizes internacionais concordam com a importância de sua erradicação precoce. No entanto, persiste a controvérsia quanto à técnica de ressecção endoscópica mais adequada, seja a ressecção endoscópica da mucosa ou a dissecção endoscópica da submucosa (ESD), que garanta os melhores padrões de qualidade ressecativa.
Objetivo: Este estudo tem como objetivo apresentar os resultados da aplicação clínica da dissecção endoscópica da submucosa no tratamento de neoplasias esofágicas superficiais no esôfago de Barrett.
Métodos: Foi realizada uma análise retrospectiva de um banco de dados prospectivamente coletado de pacientes consecutivos tratados com ESD para neoplasias superficiais associadas ao esôfago de Barrett, entre 2009 e 2022. Foram avaliados os seguintes desfechos clínicos: taxas de ressecção en-bloc, completa e curativa, recorrência local, eventos adversos e mortalidade relacionada ao procedimento.
Resultados: A ESD esofágica foi realizada em 27 pacientes, com diagnóstico histológico final de adenocarcinoma em 55,6% e neoplasia intraepitelial de alto grau em 44,4%. As taxas de ressecção em bloco e completa foram de 96,2% e 85,1%, respectivamente. A taxa de ressecção curativa foi de 77,7%. Ocorreram eventos adversos em dois casos (7,4%). O acompanhamento endoscópico médio pós-ESD foi de 22,1 meses. A taxa de sobrevida livre de doença em 2 anos foi de 88,9%. Conclusão: A ESD realizada por endoscopistas treinados é viável, segura e clinicamente eficaz para o tratamento da neoplasia precoce do esôfago de Barrett.
Palavras-chave:
Esôfago de Barrett; neoplasias esofágicas; ressecção endoscópica da mucosa
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