Open-access Autopercepção de competência comunicativa e traços de personalidade em professores universitários

RESUMO

Objetivo  analisar a relação da autopercepção de competência comunicativa com os traços de personalidade em professores universitários.

Métodos  estudo observacional, transversal, realizado com 100 professores universitários. Os instrumentos utilizados foram o Teste de Autoavaliação de Competência Comunicativa (TACCom), o Inventário de Personalidade HEXACO-60 e um questionário com perguntas sociodemográficas. Os instrumentos foram enviados aos participantes por meio da plataforma Google Forms. A variável resposta foi baseada no TACCom, a variável explicativa, na resposta obtida pelo HEXACO-60. O gênero e a idade foram as covariáveis.

Resultados  o grupo de professores universitários com maiores pontuações na autopercepção de competência comunicativa também apresentou pontuações mais elevadas nos domínios Honestidade-Humildade e Conscienciosidade do HEXACO-60. A Conscienciosidade foi o domínio de personalidade que se associou à autopercepção de competência comunicativa no modelo multivariado. Cada unidade de aumento na pontuação de Conscienciosidade esteve associada a um aumento de 2% na chance de apresentar uma percepção mais positiva da competência comunicativa.

Conclusão  professores universitários que se autopercebem como bons comunicadores tendem a apresentar altas pontuações no domínio Conscienciosidade do HEXACO-60. Assim, características do traço de conscienciosidade como planejamento de tempo, organização, compromisso, foco no trabalho/objetivos parecem favorecer a autopercepção da habilidade de comunicação oral dos professores universitários.

Palavras-chave:
Docentes; Comunicação; Fala; Voz; Personalidade

ABSTRACT

Purpose  to analyze the association between self-perceived communicative competence and personality traits in university professors.

Methods  observational, cross-sectional study conducted with 100 university professors. The instruments used were the Self-Assessment Test of Communicative Competence (TACCom), the HEXACO-60 Personality Inventory, and a questionnaire with sociodemographic questions. The instruments were sent to participants via the Google Forms platform. The response variable was based on TACCom, the explanatory variable was the response obtained from HEXACO-60, with sex and age as covariates.

Results  the group of university professors with higher scores in self-perceived communicative competence also showed higher scores in the Honesty-Humility and Conscientiousness domains of HEXACO. Conscientiousness was the personality domain associated with self-perceived communicative competence in the multivariate model. Each unit increase in the Conscientiousness score was associated with a 2% increase in the likelihood of having a more positive perception of communicative competence.

Conclusion  university professors who perceive themselves as good communicators tend to score high in Conscientiousness. Thus, characteristics of the Conscientiousness trait, such as time management, organization, commitment, and focus on work/goals, appear to favor university professors' self-perception of oral communication skills.

Keywords:
Teachers; Communication; Speech; Voice; Personality

INTRODUÇÃO

A comunicação é um processo dinâmico de transmissão e recepção de mensagens que influencia o comportamento dos participantes, em um contexto de contínua interação(1-5). Um orador eficiente tem bem desenvolvidas habilidades de fala e escuta(6), equilibra os elementos verbais e não verbais da comunicação(7-10) e é claro e coerente na transmissão da mensagem(2,9,11), aspectos que contribuem para uma boa competência comunicativa(8).

Na docência, a comunicação oral é um instrumento didático e de trabalho dos professores(3,7,12,13) e, no contexto da sala de aula, a comunicação do professor é relevante para a transmissão da mensagem, interações dialógicas e para facilitar o processo ensino-aprendizagem(9,14-16). Assim, a competência no conteúdo ministrado e as habilidades comunicativas do professor favorecerão o processo educativo(3,8,11-13,15).

Além das habilidades comunicativas, a personalidade do professor é um aspecto que afeta a prática docente, influenciando a dinâmica da sala de aula, o processo de ensino-aprendizagem(16,17) e a própria aprendizagem dos estudantes, afetando seu desempenho acadêmico, pessoal e social(16,18).

A personalidade representa características únicas do indivíduo, que os diferencia dos demais por meio de padrões consistentes de sentimentos, pensamentos e comportamentos em diferentes momentos e situações(19-21). Dessa forma, os traços de personalidade ajudam a explicar o comportamento de cada indivíduo(19-22) e permitem compreender o porquê de as pessoas se comportarem da maneira que se comportam, em termos pessoais e emocionais(19,22), uma vez que influenciam vários aspectos da vida do indivíduo, sendo um desses aspectos a forma como as pessoas se comunicam(21,23-25), especialmente no que diz respeito à expressividade, organização e regulação emocional, como a extroversão e a conscienciosidade.

Uma vez que a maneira como os indivíduos se expressam e se comunicam com os outros é influenciada por seus traços de personalidade (26), torna-se relevante compreender essa relação. A utilização da escala HEXACO na investigação da personalidade de docentes tem se mostrado promissora para a análise de comportamentos profissionais relevantes no contexto universitário, como a cooperação, a comunicação e o compartilhamento de conhecimento(21,27).

A escala é um modelo teórico e empírico da personalidade que avalia seis dimensões: Honestidade-Humildade, Emocionalidade, Extroversão, Amabilidade, Conscienciosidade e Abertura à Experiência. Esse modelo tem sido valorizado por sua capacidade de captar traços associados a aspectos morais, interpessoais, motivacionais e socioemocionais, permitindo uma compreensão mais abrangente do comportamento humano em diferentes contextos. Sua aplicação tem se mostrado útil em investigações que buscam entender como os traços de personalidade influenciam padrões de interação, tomada de decisão, expressão emocional e comunicação(28).

Diante do exposto, buscou-se responder à seguinte questão: “Existe associação entre a autopercepção de competência comunicativa e os traços de personalidade em professores universitários?”.

A hipótese deste estudo é a de que professores universitários com melhor autopercepção de competência comunicativa apresentem níveis mais elevados de Extroversão e Conscienciosidade na escala mencionada, uma vez que essas dimensões envolvem maior facilidade para interações sociais e organização, aspectos que contribuem para uma comunicação mais eficaz.

Acredita-se que a investigação da autopercepção da competência comunicativa, embora não reflita necessariamente a percepção de terceiros, seja valiosa, pois oferece uma visão sobre como os professores percebem suas próprias habilidades, o que pode influenciar sua prática docente. Ao associar essa variável com os traços de personalidade, é possível compreender como esses fatores interagem e impactam a comunicação. Essa análise integrada pode ajudar a identificar elementos que favorecem ou dificultam a comunicação docente, orientando o desenvolvimento de estratégias para aprimorar as interações e a assertividade na prática pedagógica.

Diante do exposto, este estudo teve como objetivo analisar a relação da autopercepção de competência comunicativa com os traços de personalidade em professores universitários.

MÉTODOS

Estudo observacional, analítico, transversal, com amostra de conveniência, composta por 100 docentes universitários de uma universidade pública brasileira, que responderam ao convite de participação voluntária em retorno à divulgação institucional. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais – CEP-UFMG, sob parecer nº 4.803.005/2021. Todos os participantes concordaram com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), mediante assinatura.

Foram incluídos professores de nacionalidade brasileira, de ambos os gêneros, atuantes na universidade do estudo. Foram excluídos os professores fonoaudiólogos, professores afastados das atividades de ensino por qualquer motivo no período da coleta, professores com gagueira autodeclarada, ou com distúrbios neurológicos combinados com problemas de comunicação.

Essas informações foram coletadas em questionário para identificar a elegibilidade dos participantes deste estudo. O questionário foi enviado, por meio da plataforma Google Forms contendo: Teste de Autoavaliação de Competência Comunicativa (TACCom), que definiu a variável resposta e Inventário de Personalidade HEXACO–60, para a variável explicativa, e perguntas sociodemográficas de gênero e idade, consideradas como covariáveis.

O Teste de Autoavaliação de Competência Comunicativa (TACCom)(6) é instrumento que permite a autoavaliação das habilidades de fala e escuta do indivíduo e reflete a sua opinião. Não há resposta certa ou errada. As nove primeiras questões estão relacionadas à transmissão da mensagem (fala) e as outras dez, à recepção da mensagem (escuta). Seus 19 itens são apresentados de forma dicotômica ("sim" = 1 ponto e "não" = 0 ponto). Os escores do protocolo TACCom variam de 0 a 100, calculados com base em valores de theta (Θ), estimados por meio da Teoria da Resposta ao Item (TRI). Quanto maior o escore, mais positiva é a autoavaliação da competência comunicativa(6). Embora o instrumento apresente propriedades psicométricas consolidadas, como discriminação dos itens, dificuldade e curvas de informação, não estabelece um ponto de corte interpretativo para classificar os escores em categorias de desempenho. Por esse motivo, optou-se, neste estudo, pelo uso da mediana da amostra como critério de categorização. Esse procedimento permitiu comparar participantes com autoavaliação comunicativa relativamente mais ou menos positivas, considerando a distribuição interna da própria amostra.

O Inventário de Personalidade HEXACO–60(28,29) é uma versão reduzida do HEXACO Personality Inventory Revised (HEXACO-PI-R), validado para uso na língua portuguesa do Brasil por autores em estudo com amostra brasileira(30). O HEXACO avalia seis fatores da personalidade: Honestidade-Humildade (H), Emotividade (E), Extroversão (X), Amabilidade (A), Conscienciosidade (C) e Abertura à Experiência (O). Um total de dez itens compõe cada uma das seis dimensões. Cada dimensão propõe subescalas: 1) Honestidade-Humildade (H) possui as subescalas Sinceridade, Equidade, Afastamento da Ganância e Modéstia; 2) Emotividade (E) possui as subescalas Medo, Ansiedade, Dependência e Sentimentalismo; 3) Extroversão (X) possui as subescalas Autoestima Social, Ousadia, Sociabilidade e Vivacidade; 4) Amabilidade (A) possui as subescalas Perdão, Ternura, Flexibilidade e Paciência; 5) Conscienciosidade (C) possui as subescalas Organização, Diligência, Perfeccionismo e Prudência; 6) Abertura à Experiência (O) possui as subescalas Apreciação Estética, Curiosidade, Criatividade e Não Convencional. Cada item do HEXACO apresenta uma escala de 5 pontos, em que 1 representa “discordo fortemente” e 5 representa “concordo fortemente”. No estudo com amostra brasileira(30), identificou-se que a consistência interna do instrumento varia entre 0,64 (Emocionalidade) e 0,80 (Honestidade-Humildade).

No presente estudo, mediante Análise Fatorial Exploratória (método de extração de fatores Weighted Least Square Mean) e Análise Paralela, verificou-se, como esperado, uma estrutura hexafatorial do HEXACO, uma vez que, quando um instrumento apenas foi validado, faz-se necessário observar se manteve propriedades psicométricas semelhantes a sua proposta original para uso no estudo.

Para comparar as diferenças da mediana nos domínios de personalidade e nos resultados do TACCom, utilizou-se o teste de Mann-Whitney, devido à não normalidade dos dados. Para estimar coeficientes de associação, foi aplicado o teste Qui-Quadrado de Pearson. O odds ratio foi utilizado como medida de associação entre os traços de personalidade (alta e baixa intensidade) e a autopercepção de maior ou menor competência comunicativa O erro padrão, valor de p (p ≤ 0,05) e intervalo de confiança (IC) de 95% foram calculados. Foi utilizado o modelo de regressão logística multivariada, ajustado pelas covariáveis gênero e idade. Essas covariáveis não foram o foco do estudo, mas foram controladas para permitir uma análise mais precisa da relação entre a variável independente de interesse e a variável dependente. As variáveis com nível de significância de até 20% na análise bivariada foram incluídas no modelo multivariado, permanecendo aquelas que mantiveram esse nível de significância. Para avaliar a presença e o grau de multicolinearidade entre as variáveis preditoras nos modelos de regressão, foi utilizada a medida do Fator de Inflação da Variância (VIF - Variance Inflation Factor). O VIF quantifica o quanto a variância de um coeficiente de regressão estimado é inflacionada devido à multicolinearidade. Valores de VIF acima de um determinado limiar (geralmente 5 ou 10) foram utilizados como indicativo de multicolinearidade potencialmente problemática, orientando a decisão sobre a exclusão ou retenção de variáveis no modelo final. As variáveis com nível de significância de 20% na análise bivariada foram elegíveis para o modelo multivariado. Permaneceram aquelas com nível de significância de 20%.

As análises foram realizadas no software Stata 16.0, considerando 5% de nível de significância.

RESULTADOS

Na Tabela 1, observam-se os resultados da análise fatorial por dimensão e a consistência interna das escalas do HEXACO-60. Verificou-se que todos os domínios apresentaram consistência interna adequada.

Tabela 1
Avaliação de consistência interna dos domínios de personalidade do inventário HEXACO-60

Na Tabela 2, observa-se que o grupo de professores universitários com maiores pontuações na autopercepção de competência comunicativa apresentaram também maiores pontuações nos domínios de Honestidade-Humildade e Conscienciosidade, em comparação ao grupo de professores com menores pontuações na autopercepção competência comunicativa.

Tabela 2
Relação da autopercepção da competência comunicativa no teste TACCom com os domínios de personalidade

Uma vez que houve associação estatística significativa da autopercepção de competência em comunicação (TACCom) com os domínios de personalidade Honestidade-Humildade e Conscienciosidade, foi realizada uma análise de regressão logística, com a inclusão do gênero e da idade, para ajuste do modelo multivariado. Observa-se, na Tabela 3, que a Conscienciosidade esteve associada a níveis mais altos de autopercepção de competência comunicativa na amostra avaliada. A cada unidade de aumento na pontuação do domínio Conscienciosidade, associa-se um aumento de 2% na razão de chance de ter uma autopercepção mais positiva da competência comunicativa, comparado ao daqueles com menor pontuação nesse domínio, independentemente do gênero e da idade. A dimensão Honestidade/Humildade apresentou um nível de significância apenas marginal (valor-p = 0,057).

Tabela 3
Análise de regressão logística multivariada entre autoavaliação de competência comunicativa no teste TACCom e os domínios de personalidade, gênero e idade

DISCUSSÃO

O presente estudo analisou a relação entre a autopercepção de competência comunicativa e os traços de personalidade, utilizando o modelo HEXACO-60 como referência teórica, em uma amostra de conveniência de professores universitários, que utilizavam a comunicação e a voz como instrumentos de trabalho.

Observou-se que a maioria dos professores que apresentou percepção mais positiva da competência comunicativa também obteve pontuações mais altas nos domínios Honestidade-Humildade e Conscienciosidade. A autopercepção da comunicação desempenha um papel essencial em seu aprimoramento, fornecendo informações valiosas para a tomada de decisões. A consciência dos próprios padrões comunicativos, alinhada às exigências da vida pessoal e profissional, contribui para a transmissão mais eficiente da mensagem(10). Autores apontam que o desenvolvimento de estilos comunicativos adequados potencializa o impacto positivo de certos traços de personalidade no ensino e na aprendizagem dos alunos(21).

O traço de honestidade-humildade abrange características como imparcialidade, modéstia e sinceridade, em contraste com arrogância, manipulação e ganância(31,32). Infere-se que professores com esse perfil tendem a estabelecer interações autênticas e persuasivas, o que pode influenciar positivamente a dinâmica da sala de aula. Estudos apontam que esse traço influencia o comportamento docente(31) e favorece uma comunicação justa e genuína(33). Em pesquisa realizada com professores, verificou-se que honestidade-humildade e afabilidade impactam significativamente a comunicação dos docentes, ainda que com menor expressividade, em comparação à conscienciosidade e à extroversão(21). No entanto, recomenda-se cautela na interpretação desses achados, pois o domínio Honestidade-Humildade não manteve significância estatística no modelo final, após o ajuste com as demais variáveis.

A Conscienciosidade, presente no modelo final, indicou que professores com maiores pontuações nesse domínio têm 2% mais chance de ter uma autopercepção da competência comunicativa mais positiva do que os professores com menores pontuações nesse traço de personalidade. Essa dimensão está relacionada à autodisciplina, organização e controle de impulsos, reflete a capacidade de cumprir regras e perseguir objetivos(30,33,34), além de ser preditora de resultados significativos na vida, no desempenho acadêmico e profissional(35), características altamente desejáveis em atividades docentes(9).

A docência requer planejamento, autonomia e boa comunicação na transmissão de conteúdo. Um bom comunicador transmite credibilidade, repassa informações com clareza e sabe escutar com atenção(6). A associação entre a autopercepção da competência comunicativa e a conscienciosidade reforça a importância da conexão entre os participantes, pois uma comunicação autêntica e produtiva depende da construção de confiança, clareza, empatia e colaboração(36).

Acredita-se que professores conscienciosos tendem a ser mais claros ao falar e atentos ao escutar e processar informações. Esse traço está vinculado à responsabilidade, organização, autocontrole e atenção aos detalhes(24,35,37,38), o que favorece habilidades comunicativas eficazes. Indivíduos com esse traço geralmente agem de forma ponderada, com foco em metas, e se comunicam de maneira lógica, estruturada e precisa(24,37). Tais características os tornam mais propensos a desenvolver habilidades avançadas de comunicação(37).

Estudos mostram que extroversão e conscienciosidade influenciam as habilidades comunicativas, sendo que indivíduos conscienciosos se destacam pela execução confiável de interações sociais e pela disposição para colaborar e liderar(35). Observa-se maior capacidade de manter o foco e a precisão no diálogo, o que favorece a compreensão das informações(37,39). Ser um bom comunicador envolve falar e ouvir com consciência, adaptando-se ao contexto e ao interlocutor(6), o que contribui para uma comunicação mais eficaz(36).

Faz-se interessante destacar que o TACCom avalia essas habilidades, como observado nas perguntas “Você presta atenção nas mensagens verbal e não verbal do que é dito (voz, linguagem corporal e gestos)?”, ou “Você consegue captar e manter atenção do outro?”, o que reforça a pertinência da associação verificada entre os escores do instrumento e o traço de conscienciosidade no presente estudo.

Diante do exposto, considera-se que a autopercepção da competência comunicativa é influenciada por fatores como a personalidade dos professores. Esses achados destacam a importância desse aspecto, evidenciando seu impacto direto na eficácia da comunicação, na gestão da sala de aula e no desempenho acadêmico dos alunos.

A compreensão da competência comunicativa como um fator central pode contribuir para estratégias mais eficazes de desenvolvimento profissional docente. Ressalta-se que a análise deste estudo por meio do modelo multivariado permitiu identificar a relação entre autopercepção da competência comunicativa e o domínio da conscienciosidade, independentemente do gênero e da idade.

Diante do exposto, recomenda-se que em oficinas ou programas formativos para professores sejam incluídos, juntamente a outros temas, conteúdos que abordem a influência dos traços de personalidade no desempenho comunicativo, visando favorecer o autoconhecimento e estratégias de adaptação comportamental. Além disso, sugere-se a integração de atividades que estimulem habilidades relacionadas à conscienciosidade, como planejamento, organização e foco, aspectos esses que alicerçam uma comunicação oral efetiva, com clareza estrutural, preparo antecipado e envolvimento emocional do falante.

Como limitação do estudo, destaca-se que o número de participantes foi definido com base na adesão voluntária durante o período de coleta, sem cálculo amostral prévio, o que limita a representatividade da amostra e, consequentemente, a generalização dos achados. Ainda assim, o tamanho obtido foi suficiente para as análises estatísticas realizadas, atendendo aos objetivos exploratórios da pesquisa. Recomenda-se que em futuras investigações se considere a ampliação da amostra para diferentes regiões, assim como aleatorização, o que que permitirá fortalecer a validade externa e ampliar a generalização dos achados. Além disso, o uso exclusivo de instrumentos de autopercepção pode restringir a compreensão da competência comunicativa, por não considerar avaliações externas ou objetivas. Por se tratar de uma análise relacional, não é possível inferir causalidade. Diante do exposto, esses aspectos metodológicos reforçam a importância de futuras investigações com amostras maiores e mais diversificadas, bem como com avaliações complementares que contemplem uma análise multidimensional da comunicação docente, a fim de validar e aprofundar os achados apresentados.

CONCLUSÃO

Professores universitários que se autopercebem como bons comunicadores tendem também a apresentar altas pontuações no domínio Conscienciosidade do HEXACO-60, sendo esse, um fator de maior associação com a autopercepção da competência comunicativa em professores universitários do que as variáveis gênero ou idade. Assim, características do traço de conscienciosidade como planejamento de tempo, organização, compromisso, foco no trabalho/objetivos parecem favorecer a habilidade de comunicação oral dos professores universitários.

  • Trabalho realizado na Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG – Belo Horizonte (MG), Brasil.
  • Declaração de Disponibilidade de Dados:
    Os dados de pesquisa estão disponíveis somente mediante solicitação.
  • Financiamento:
    Nada a declarar.

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Editado por

  • Editor-Chefe:
    Renata Mota Mamede Carvallo.
  • Editor Associado:
    Vanessa Veis Ribeiro.

Disponibilidade de dados

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    09 Jan 2026
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    21 Fev 2025
  • Aceito
    19 Set 2025
Creative Common - by 4.0
Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/), que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.
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