RESUMO
Objetivo identificar quais são os sinais e sintomas de disfagia orofaríngea mais presentes nos idosos residentes em Instituições de Longa Permanência.
Estratégia de pesquisa revisão integrativa realizada em quatro bases de dados: Embase, LILACS, MEDLINE/PubMed e Web of Science, com uso de termos na língua inglesa e aplicação de filtros por idioma e idade.
Critérios de seleção estudos disponíveis na forma de texto completo em inglês, português ou espanhol, sem restrição de tempo de publicação, relacionados a idosos residentes em Instituições de Longa Permanência que referiram disfagia orofaríngea. Foram excluídos estudos relacionados a idosos da comunidade ou que estavam em hospitais, e com outras condições de saúde não relacionadas aos problemas de deglutição.
Resultados de 389 estudos, 16 foram incluídos nesta revisão, publicados entre os anos de 1986 e 2020. Houve predomínio de participantes do sexo feminino, com média mínima de idade de 71 anos e máxima de 87 anos. Os sinais e sintomas mais frequentes de disfagia orofaríngea foram presença de tosse e engasgo, além de outros relevantes, como pressão de língua diminuída, voz molhada, perda de peso e deglutição lenta.
Conclusão de acordo com os estudos revisados, os sinais e sintomas mais frequentes relacionados à disfagia orofaríngea nos idosos institucionalizados foram presença de tosse e engasgo, antes, durante ou após a deglutição.
Palavras-chave:
Instituição de Longa Permanência para Idosos; Sinais e sintomas; Transtornos de Deglutição; Idoso; Revisão
Abstract
Purpose To identify the most prevalent signs and symptoms of oropharyngeal dysphagia in elderly adults who live in old folks' home.
Research strategy Integrative review carried out in four databases: Embase, Lilacs, MEDLINE/Pubmed, and Web of Science using English terms and filters for language and age.
Selection criteria Studies available in the full-text form in English, Portuguese or Spanish, with no publication time restrictions, related to elderly people living in care homes who reported oropharyngeal dysphagia. Studies related to elderly people in the community or in hospitals and with other health issuesthat were not related to swallowing disorders were excluded.
Results Of 389 studies, 16 were included in this review, published between 1986 and 2020. There was a predominance of female participants whose minimum mean age was 71 and maximum, 87. The most frequent signs and symptoms of oropharyngeal dysphagia were the presence of coughing and choking, in addition to other relevant ones, such as diminished tongue pressure, wet voice, weight loss, and slow swallowing.
Conclusion According to the reviewed studies, the most frequent signs and symptoms related to oropharyngeal dysphagia in elderly people living in care homes were (the) presence of coughing and choking, before, during or after swallowing.
Keywords:
Homes for the Aged; Signs and Symptoms; Deglutition disorders; Elderly; Review
INTRODUÇÃO
Com o aumento da longevidade, a população está se tornando cada vez mais envelhecida, o que requer atenção aos cuidados e acolhimento às necessidades do idoso, sendo a família a principal responsável por desempenhar a assistência às dificuldades que essa população demanda. Porém, com as mudanças da rotina familiar, isso vem sendo transformado(1) e uma das alternativas encontradas pelos familiares, ou pelo próprio idoso, é a procura por Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), sejam elas públicas ou privadas(2), para favorecer o cuidado de suas condições de saúde e socioeconômicas, além do amparo às circunstâncias externas, em decorrência das situações de solidão e medo da violência urbana(3).
As ILPIs são instituições governamentais ou não governamentais, com caráter residencial coletivo, destinadas a pessoas com 60 anos ou mais, com ou sem suporte familiar, em condição de liberdade, dignidade e cidadania(4). Elas atendem tanto idosos independentes, quanto aqueles dependentes de auxílio nas atividades de vida diárias(2).
O idoso, quando reside em uma instituição, pode desenvolver problemas durante a alimentação, provocados, muitas vezes, pelo seu comportamento frente à alimentação, uso de consistências alimentares inadequadas impostas pela ILPI, dificuldades na postura e posicionamento para se alimentar, ou decorrentes do modo como o cuidador oferta o alimento, presença de alterações dentárias e recusa alimentar(5).
Além disso, os idosos institucionalizados geralmente são mais fragilizados e, por isso, é comum não conseguirem compensar as modificações inerentes do processo de envelhecimento, em que há um conjunto de eventos biológicos que modificam as estruturas e funções estomatognáticas(6), as quais, se acompanhadas de agravos à saúde associados à alimentação, a deglutição pode não ser compensada e, assim, surgir um quadro disfágico(7).
No idoso, a disfagia, além de poder comprometer as fases antecipatória e esofágica, quando se faz um recorte para os desfechos voltados para a disfagia orofaríngea (DO), esta se apresenta como um transtorno da deglutição nas fases preparatória oral, oral propriamente dita e faríngea, caracterizado por um conjunto de sinais e sintomas que comprometem a eficiência e segurança em levar o alimento da cavidade oral ao esôfago(8). Inclui, principalmente, dificuldade em mastigar o alimento e gerenciamento do bolo, escape e resíduos orais após comer, tosse, engasgo, voz molhada, pigarro frequente, necessidade de engolir várias vezes o alimento e dor ao engolir, tempo maior para completar uma refeição, postura incomum de cabeça ou pescoço ao engolir e perda de peso(9,10).
Esse distúrbio pode ser potencializado quando o idoso reside em uma ILPI, em que os sinais e sintomas podem estar sendo negligenciados pela instituição e/ou pelo próprio idoso. Isso pode, ainda, trazer riscos de desnutrição, desidratação e aspiração, gerando pneumonias, fator que contribui para o aumento dos índices de mortalidade do idoso(11). Também pode trazer impactos significativos na qualidade de vida, sono, desejo de se alimentar, interação social e em sua saúde mental(12).
Assim, evidencia-se a importância de identificar precocemente os sinais e sintomas relacionados às alterações na deglutição nessa população, que podem apontar a importância de se sistematizar o rastreamento de disfagia orofaríngea como procedimento padrão a ser realizado por qualquer profissional de saúde devidamente calibrado, a fim de identificar idosos institucionalizados com possíveis alterações na eficiência e/ou segurança da deglutição, bem como a implementação de protocolos de acompanhamento da evolução dos quadros disfágicos rastreados, que devem ser confirmados por meio da avaliação fonoaudiológica para propiciar o estabelecimento de condutas de gerenciamento e intervenção da disfagia, dentre outras.
OBJETIVO
O objetivo desta revisão de literatura foi identificar os sinais e sintomas de disfagia orofaríngea mais presentes nos idosos que residem em Instituições de Longa Permanência.
Estratégia de pesquisa
Realizou-se uma revisão integrativa de acordo com as seguintes etapas: elaboração da pergunta norteadora; definição dos critérios de inclusão e exclusão; busca em base de dados com o uso de palavras-chave; seleção dos estudos; extração dos dados relevantes, como objetivo, metodologia, tamanho da amostra e principais resultados(13).
Para o embasamento da pesquisa, foi desenvolvida a seguinte pergunta norteadora: “Quais os sinais e sintomas de disfagia orofaríngea em idosos institucionalizados?”. Com isso, realizou-se um levantamento da literatura para selecionar estudos que respondessem a essa questão, utilizando as bases de dados Embase, Latin American and Caribbean Literature in Health Sciences (LILACS), MEDLINE/PubMed e Web of Science (Quadro 1). Para a realização da busca, foram utilizados termos na língua inglesa selecionados a partir da busca nos descritores MeSH (Medical Subject Headings) da PubMed, algoritmos da Embase e dos Descritores da saúde (“Deglutition Disorders”[MeSH], “Nursing Homes”[MeSH], “Homes for the Aged”[MeSH], Dysphagia, Institutionalized elderly) e aplicados filtros para idioma (inglês, português e espanhol) e idade (a partir de 60 anos), sem restrição de tempo de publicação.
Critérios de seleção
Os critérios de inclusão foram: estudos originais com disponibilidade eletrônica na forma de texto completo, publicados em todo o período, nos idiomas inglês, português ou espanhol, realizados com população de idosos residentes em Instituições de Longa Permanência, que respondessem à questão norteadora e relatassem medidas relacionadas à disfagia orofaríngea. Foram excluídos resumos de congresso, pesquisas relacionadas a idosos residentes na comunidade ou que estivessem em ambiente hospitalar e/ou que abordassem outras condições de saúde que não se referiam aos distúrbios na deglutição.
Análise dos dados
A análise dos artigos encontrados foi dividida em três etapas. Inicialmente, foi realizada a análise quantitativa dos estudos encontrados, a partir das estratégias de busca, em que foi utilizado o software Mendeley para coletar e remover as referências duplicadas(14). Posteriormente, todos os estudos foram inseridos no Rayyan(15), que é um aplicativo de triagem inicial para análise de títulos e resumos dos estudos a serem escolhidos para a próxima fase, seguindo os critérios de elegibilidade. Na terceira etapa, todos os artigos selecionados foram lidos na íntegra e analisados os respectivos tópicos de introdução, metodologia, resultados e discussão, aplicando os critérios de elegibilidade para seleção daqueles que entrariam para esta revisão. A segunda e terceira etapas foram realizadas por dois avaliadores independentes e, após a leitura, realizou-se uma reunião de consenso, na qual, caso houvesse conflito nas decisões, um terceiro revisor tomaria a decisão final.
Os estudos incluídos foram avaliados quanto ao risco de viés por meio do Instrumento de Meta-Análise de Avaliação e Revisão Estatística (MASTARI) para Estudos Observacionais do Joanna Briggs Institute (JBI)(16). Dois revisores realizaram a avaliação do risco de viés separadamente e julgaram os artigos incluídos, marcando cada critério de avaliação com “sim”, “não”, “incerto” e “não aplicável”. O risco de viés foi classificado como alto quando o estudo apresentou 49% dos critérios analisados como “sim”; moderado, quando atingiu 50% a 69% “sim” e baixo, quando foi identificado mais de 70% “sim”. Quando necessário, as discordâncias foram resolvidas por meio da discussão com o terceiro revisor.
Após as três etapas, foram realizadas a organização e a sumarização dos estudos incluídos na revisão em um quadro com informações concisas, relacionadas a autores dos estudos, ano de publicação, país de origem, características da amostra referentes ao número de participantes, distribuição por sexo e média de idade; objetivo, tipo de estudo e nível de evidência(17), método e principais resultados.
RESULTADOS
Foram encontrados 389 resultados, sendo que a maior parte dos estudos foi encontrada na base de dados Embase (n=157), seguida pela MEDLINE/PubMed (n=124) e Web of Science (n=104), e, em menor número, na LILACS (n=4). Após a remoção dos duplicados, 304 estudos foram selecionados para a leitura de título e resumo.
Ao final de todas as etapas do processo de construção desta revisão integrativa, foram incluídos 16 estudos, seguindo os critérios de elegibilidade (Figura 1).
Os estudos incluídos foram na língua inglesa e apenas 1 em português(18). De todas as publicações, apenas 2 foram de estudos brasileiros, um da Região Sul(19) e outro do Nordeste(18). Em relação aos anos de publicação, variou de 1986(20) a 2020(21). Quanto à população estudada, houve predomínio de participantes idosos do sexo feminino, com média mínima de idade de 71 anos e máxima de 87 anos. O tamanho da amostra nos estudos variou desde um pequeno número de participantes (n=12)(22) a uma grande quantidade de participantes (n=6.349)(23). No que diz respeito às características das ILPIs, algumas eram subdivididas de acordo com o nível de cuidado e/ou a condição de saúde que o idoso apresentava e outras eram residências exclusivas para mulheres.
Os sinais e sintomas de DO mais frequentes foram: tosse(18,20-31) e engasgo(22-24,26-28,30) antes, durante ou após a deglutição. Outros sinais e sintomas, como pressão de língua diminuída(21,27,31,32), voz molhada(18,20,28,29), perda de peso(24,25,29,33), deglutição lenta(20,24,29,30), demora para completar as refeições(18,25,30,32), escoamento anterior de saliva(20,29,30), dificuldade na mastigação(20,24,29), cuspir o alimento(20,25,30), redução da ingestão diária de alimentos(18,32), beber líquido durante a refeição(24,28) e presença de resíduos alimentares após a deglutição(18,30) também foram encontrados.
Os sintomas menos frequentes foram: xerostomia(19), desconforto na garganta(24), comida grudando na garganta(24), sensação de desconforto durante a ingestão de alimentos sólidos(24), disfunção de lábio e língua, regurgitação nasal(20) e escape oral posterior de alimento(20).
O Quadro 2, apresenta a descrição dos artigos incluídos, com base no detalhamento das principais informações em relação ao tema, relacionadas aos objetivos, metodologia empregada e principais resultados em relação aos sinais e sintomas de disfagia orofaríngea (DO).
No que diz respeito ao risco de viés, 8 estudos foram julgados como alto risco(18,19,21-25,28), 4 como moderado risco(20,26,32,33) e 4 como baixo risco(27,29-31). As limitações metodológicas em todos os estudos incluídos nesta revisão estavam relacionadas aos relatos deficientes para critérios de inclusão e exclusão da amostra, descrição dos sujeitos do estudo, fatores de confusão e estratégia de controle desses fatores. A maior parte dos estudos foi classificada como de baixo risco de viés no item relacionado à medida dos resultados de forma confiável e análise estatística apropriada. As Tabelas 1 e 2 resumem as avaliações obtidas por meio da ferramenta MASTARI da JBI(17).
DISCUSSÃO
Nos estudos selecionados, observou-se que houve o predomínio de idosos do sexo feminino que residem em ILPI, tendência presente nos estudos com os idosos, em que há maior participação de pessoas do sexo feminino, em relação ao masculino e com média de idade acima de 70 anos(34,35).
De maneira geral, um grande número de idosos apresenta queixas frequentes de DO, principalmente referentes à tosse e engasgo antes, durante ou depois das refeições, sintomas que pressupõem uma alteração entre as fases oral e faríngea da deglutição(29,36) e que podem sinalizar dificuldades na habilidade de deglutir de forma segura, em consequência do declínio cognitivo ou do comprometimento da função motora oral, ocasionada por acidente vascular encefálico ou doenças neurodegenerativas, que são indicadores significativos associados à DO em idosos institucionalizados(11,20,28,37).
Quando a dificuldade em deglutir está na fase faríngea, o idoso engasga, tosse e também pode broncoaspirar durante ou após a deglutição, e desenvolver um quadro de pneumonia(38). A tosse é um sinal clássico de presença de penetração/aspiração relacionada à disfagia orofaríngea, sendo indicador da existência de sensibilidade na região laríngea, que estimula o ato reflexo de proteção das vias áreas(39). Além disso, muitos idosos nas ILPIs frequentemente fazem suas refeições na cama, o que contribui para o desencadeamento de tosse e engasgos e causar asfixia e aspiração(25).
A percepção do engasgo é comum entre a população idosa institucionalizada e a principal visão deles em relação às causas desse sintoma é o envelhecimento(40,41), associado à presença de sentimentos/sensações negativas, ligando-os à morte, à falta de ar, ao medo ou à negação do sintoma(40).
É relevante observar que, no idoso, a presença de voz molhada pode estar relacionada ao risco de penetração, como um sinal indicativo de estase de secreções, líquidos ou alimentos no vestíbulo laríngeo, bem como ao risco de aspiração(18,42). Nos indivíduos mais velhos, o início dos eventos faríngeos e laríngeos, incluindo o fechamento das vias aéreas, é significativamente mais demorado do que em adultos(43) e, quando esse mecanismo de deglutição está funcionalmente alterado, o risco de ocorrer penetração nas vias aéreas pode ser ainda maior(44).
A deglutição lenta pode ser um indicador de transtorno em iniciar a transferência do bolo para a região faríngea, possivelmente decorrente do envelhecimento, que interfere no início da reação faríngea(43) e na eficiência da mastigação, que pode estar significativamente mais atrasada nos idosos, quando comparada aos adultos com menos de 45 anos(44). Esse processo alterado pode gerar presença de resíduos na cavidade oral, que requerem a realização de deglutições múltiplas, por dificuldade na propulsão oral(45).
A baixa frequência de presença de regurgitação nasal de alimentos e líquidos justifica-se por ser considerada como um dos sintomas menos comumente percebidos pelos idosos(46).
A literatura indica que o pico pressórico da língua diminuiu moderadamente com o aumento da idade, com observação de que aqueles classificados com pressão lingual extremamente fraca foram, significativamente, os mais velhos(46-48). Também indivíduos com perda do suporte oclusal provocada por ausências dentárias possuíam instabilidade no padrão de movimentação de língua, o que pode contribuir para a menor média de pico pressórico e, como consequência, para deficiências na retenção e manipulação do bolo alimentar e na propulsão do bolo da cavidade oral para a faringe(48,49).
O escape oral anterior de alimento ou líquido após a captação do bolo(42) pode ser causado pela insuficiência do vedamento labial, disfunção que, quando acompanhada da lingual, é variável de acordo com as características individuais(47) e pode, também, favorecer o escape extraoral de saliva, além de, ao longo do tempo, dificultar a contração e elevação da laringe para a deglutição espontânea de saliva(42,50).
Embora nesta revisão de literatura apenas um estudo tenha apresentado resultados relacionados à xerostomia, a sensação de boca seca, quando presente, pode ter como causa o aumento do número de medicamentos administrados, principalmente antipsicóticos, antidepressivos, antiparkinsonianos e anticolinérgicos, necessários para as condições de saúde que surgem ao longo do envelhecimento. Esse sintoma, quando acompanhado da hipofunção cognitiva e sintomas extrapiramidais, pode contribuir para o estabelecimento de quadros de disfagia(48,51-53).
A presença de dificuldade na mastigação pode ser decorrente das alterações da estrutura e função em idosos, como redução na força mastigatória e fadiga muscular causadas por hipotonia dos músculos da mastigação, que propiciam um preparo mais lento do bolo alimentar e podem ocasionar desconfortos durante o processo mastigatório(53), além de dificultar a ingestão dos alimentos sólidos, o que requer a ingestão de líquidos para facilitar a passagem do bolo alimentar(47). Dentre outras condições que complicam a eficiência mastigatória, releva-se a presença de alterações dentárias e/ou próteses mal adaptadas(53), pois o suporte dentário é necessário para manter a motricidade orofacial adequada(54). Todavia, o idoso, mesmo com queixas relacionadas a dificuldades de mastigação, pode realizar adaptações individuais e manter o desempenho no processo mastigatório e posterior deglutição(55).
Diante dos sinais e sintomas discutidos, notou-se que a percepção desses desfechos se torna difícil para o idoso, por acreditar que fazem parte do envelhecimento. Por outro lado, os profissionais de saúde e cuidadores, além do fonoaudiólogo, devem estar atentos para qualquer sinal que alerte para um provável transtorno de deglutição que possa comprometer o estado geral de saúde, não só pelas consequências que traz para a manutenção do estado nutricional, de hidratação e de saúde pulmonar, mas porque acarretam risco de morte e perda na qualidade de vida. Para isso, a calibração da equipe nas ILPIs torna-se fundamental e imprescindível e é uma realidade em outras áreas(56) e cenários(26).
Na interpretabilidade dos riscos de viés, os estudos demonstraram deficiências em alguns aspectos, que evidenciaram presença de fatores de confusão em relação à idade, distribuição por sexo, percepção da doença e condição de saúde e que podem distorcer os resultados quanto à frequência dos sinais e sintomas de DO. Essa falha metodológica poderia ter sido sanada se os estudos apresentassem critérios de análise mais claros e coesos para responderem suas perguntas de pesquisa.
Dentre as limitações do estudo, está o destaque dos artigos apenas para os desfechos de prevalência de DO e seus fatores de risco associados, sem maiores análises sobre o detalhamento dos sinais e sintomas que poderiam resultar em um transtorno da deglutição em idosos que residem em ILPIs. Observaram-se, também, pesquisas com casuística pequena que dificultaram a melhor caracterização dos sinais e sintomas de DO, com metodologias que não apresentaram grupos de comparação para o controle dos resultados e dos fatores de confusão em relação à presença de doenças de base ou sem presença de doenças, nos idosos que se mantiveram com bom estado de saúde. Portanto, como não houve uma diferenciação dos sinais e sintomas de um distúrbio de deglutição, associados, ou não, às patologias de base e, em decorrência da casuística pequena e das falhas metodológicas, a interpretação dos achados deve ser analisada com cautela, pois os desfechos encontrados não podem ser generalizados.
CONCLUSÃO
De acordo com os estudos revisados, os sinais e sintomas mais frequentes relacionados à DO nos idosos institucionalizados foram presença de tosse e engasgo, antes, durante ou após a deglutição, seguidos por pressão de língua diminuída, voz molhada, perda de peso, deglutição lenta, babar, dificuldade na mastigação e demora em completar as refeições. A maioria das pesquisas se enquadrou entre médio e alto risco de viés.
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Trabalho realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN – Natal (RN), Brasil.
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Financiamento: O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001.
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Legenda: n = número de estudos