Open-access Impacto da Ansiedade em Pacientes Encaminhados à Ecocardiografia Transesofágica

Palavras-chave
Ansiedade; Pacientes; Ecocardiografia Transesofagiana

Keywords
Anxiety; Patients; Transesophageal Echocardiography

Palavras-chave
Ansiedade; Pacientes; Ecocardiografia Transesofagiana

Keywords
Anxiety; Patients; Transesophageal Echocardiography

Nesta edição do ABC Imagem Cardiovascular, ressalta-se a ansiedade não apenas como fator na avaliação subjetiva da experiência dos pacientes durante procedimentos médicos invasivos (ecocardiografia transesofágica, ETE), mas também sua influência na quantidade de fármacos administrados para sedação durante o procedimento.

O estudo Impacto da Ansiedade em Pacientes Referendados ao Ecocardiograma Transesofágico realizado em instituição terciária, mostra análise detalhada de múltiplas características dos pacientes submetidos ao exame, sua influência na sedação, revisitando aspectos importantes para boa prática médica. Os resultados do estudo indicam que a ansiedade avaliada com indicadores de fácil implementação1esteve presente em 62% dos pacientes. As tabelas de autoavaliação mostram percentuais de ansiedade leve em 40%, de grau moderado em 16% e de grau importante em 6%. Faz parte da vivência dos colegas ecocardiografistas que realizam exames transesofágicos o convívio com a ansiedade dos pacientes, em especial nos mais jovens.2 , 3

Múltiplas variáveis são influenciadoras; após tempo satisfatório de consulta e ótima relação médico-paciente, a ausência de "dúvida ou necessidade de esclarecimentos adicionais" pelos pacientes pode estar relacionada ao constrangimento em ignorarem detalhes que julgavam ser de conhecimento geral na "era Google" atual.4A funcionalidade prévia sem limitações dos jovens contribui para a insegurança e ansiedade frente a admissão hospitalar. Acrescenta-se ainda a parafernália de equipamentos e medo de nova realidade, isto é, a possibilidade de confirmação de algum problema médico com consequências sérias.

Uma particularidade interessante desse trabalho é ter sido realizado em pacientes com nível sociocultural elevado, 92% de pacientes com nível universitário completo, infrequente em nosso meio. O acesso amplo à informação e nível cultural mais elevado não contribuiu para reduzir os níveis de ansiedade prévia a situação desconhecida (66% dos pacientes estudados realizavam ETE pela primeira vez). O excesso de informação disponível talvez participe no aumento da ansiedade pré-procedimento.5

Os resultados obtidos confirmaram as expectativas, pacientes mais jovens e com maior grau de ansiedade autoavaliada necessitaram de doses mais elevadas de fármacos para obtenção de sedação adequada durante o procedimento. Esses achados são consistentes com a literatura existente, tanto para procedimentos diagnósticos invasivos (ETE, colonoscopia)6como para obtenção de níveis de anestesia apropriada durante procedimentos cirúrgicos,7e estão relacionados à maior ativação do eixo neuroendócrino.8Pacientes cuja indicação de exame foi feita após a internação hospitalar, os de faixa etária mais avançada, com comorbidades que proporcionaram experiência de outros procedimentos em ambiente hospitalar ou internações mostraram menor grau de ansiedade autoavaliada.9Nesses pacientes, a deterioração clínica com necessidade de tratamento intensivo pode deflagrar consciência de possibilidade de término da vida.10Esse incremento do nível de ansiedade pode ser ainda mais exacerbado pelo efeito de medicações usadas em pacientes críticos (vasopressores, corticosteroides), e necessidade de assistência respiratória e procedimentos invasivos, entre os quais ETE.10

Os maiores riscos do procedimento analisado pelos autores, incremento de tônus autonômico vagal, hipotensão, e depressão respiratória com hipóxia podem ser acentuados por necessidade de doses maiores de opiáceo/benzodiazepínico.11

Identificar os fatores contribuidores, e conhecer e implementar medidas para atenuação ou controle da ansiedade pode ajudar equipes multidisciplinares para um manejo eficaz periprocedimento, melhorando a experiência do paciente. Temos bônus vantajosos, como obtenção de melhor qualidade dos exames de imagem, e redução de risco de complicações da sedação em jovens, em pacientes com índice da massa corporal reduzido,6e em idosos ansiosos portadores de comorbidades com menor tolerância a intercorrências adicionais.

Procedimentos complexos como implante endovascular de prótese aórtica, mesmo após redução significante da repercussão funcional, persistem com sintomas de ansiedade por até seis semanas após a intervenção.12 , 13 Um racional procedente seria tentar alívio mais rápido com preparo psicológico mais intenso. Medidas de baixo custo que mostraram eficiência incluem a musicoterapia e aromaterapia,14 , 15 já utilizadas em intervenções percutâneas guiadas por tomografia computadorizada (biópsias tumorais, drenagem de abcessos, ablação tumoral).

Muito pertinente a análise de Munn et al. sobre as repercussões da ansiedade e a oportunidade de refletir sobre diferentes recursos e abordagens1517 para atenuar o sofrimento dos pacientes antes, durante e após a realização de procedimentos invasivos. Esses se tornaram muito frequentes, incorporados à rotina de várias instituições; às vezes, por essa razão, adotamos a "sedação consciente" quando deveria haver pensamento constante. Procedimentos invasivos são muitas vezes indutores de preocupação, ansiedade e sofrimento pelos pacientes; essa publicação nos instiga a permanecer alerta e vigilantes para essas possibilidades.

  • Minieditorial referente ao artigo:
    Impacto da Ansiedade em Pacientes Referendados ao Ecocardiograma Transesofágico

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    20 Out 2025
  • Data do Fascículo
    2025
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