Racional: O transplante de fígado é cada vez mais reconhecido como uma opção de tratamento para diversas doenças que afetam uma crescente população idosa. No entanto, seu uso em pacientes com mais de 70 anos permanece controverso em centros com menos desenvolvidos ou alta mortalidade em lista de espera.
Objetivos: Avaliar a eficácia do transplante de fígado como opção de tratamento para pacientes idosos com 70 anos ou mais, em comparação com receptores mais jovens.
Métodos: Estudo retrospectivo baseado em dados de prontuários médicos de 309 receptores de transplante de fígado tratados pela mesma equipe cirúrgica em três hospitais — dois localizados em São Paulo (SP) e um em Rio Branco (AC). Os pacientes foram divididos em dois grupos para comparação: aqueles com até 69 anos (Grupo I) e aqueles com 70 anos ou mais (Grupo II).
Resultados: As características dos doadores foram semelhantes entre os dois grupos, exceto por uma dose maior de norepinefrina no Grupo I (p<0,05). O Grupo II apresentou maior necessidade de transfusão e maior tempo de internação na UTI (p<0,05), além de maiores taxas de desnutrição e comorbidades. A sobrevida em noventa dias foi comparável entre os grupos.
Conclusões: Pacientes com 70 anos ou mais podem alcançar evoluções comparáveis aos de receptores mais jovens, desde que recebam enxertos de doadores cuidadosamente selecionados. Essa população não deve ser excluída das listas de espera para transplante, e políticas específicas de alocação ou ajustes de pontuação devem ser considerados para garantir acesso equitativo.
Palavras-chave:
Transplante de Fígado; Idosos; Sobrevida
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