Racional: O tratamento neoadjuvante completo para o câncer gástrico nem sempre é tolerado por razões nutricionais e clínicas, como obstrução antropilórica. Nesse contexto, a cirurgia de princípio torna-se uma alternativa.
Objetivos: Comparar ressecção de princípio com terapia sistêmica neoadjuvante, e identificar fatores que influenciam os resultados.
Métodos: Estudo retrospectivo entre 2012 e 2020, de 410 pacientes com tumores localmente avançados. Lesões precoces (cT1N0), metastáticas e câncer de coto gástrico foram excluídos. O estadiamento foi estratificado sem influência do tratamento sistêmico (estadiamento primário). Ressecções com dissecção D2, sem tumor residual (não R2) e sem complicações foram consideradas cirurgias ótimas.
Resultados: A ressecção de princípio foi realizada em 216 pacientes (85% das cirurgias de princípio). A gastrectomia após o tratamento neoadjuvante ocorreu em 47 casos (76% das indicações), e outras 4 gastrectomias foram realizadas entre 39 pacientes com cirurgias prévias sem ressecção (10%). No total, houve 51 ressecções após quimioterapia. Fatores independentes associados à sobrevida global em 60 meses foram: quimioterapia pré-operatória (57,3% vs. 40,7%, p=0,029), taxa de complicação, linfadenectomia D2 e estadiamento primário. Casos iniciais mostraram um melhor resultado no grupo neoadjuvante sem significância estatística (p=0,447), o que foi observado nos tumores mais avançados (p=0,027). A cirurgia ótima foi alcançada em 68,6% do grupo neoadjuvante e 51,9% do grupo de cirurgia de princípio (p=0,030), com sobrevida global semelhante (56,6% vs. 52,4%, p=0,904).
Conclusões: Cirurgia de princípio ótima, seguida de terapia adjuvante, com dissecção D2, é eficaz e não foi estatisticamente inferior ao tratamento neoadjuvante.
Palavras-chave:
Neoplasias gástricas; Gastrectomia; Terapia neoadjuvante; Obstrução da saída gástrica
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