Racional: Fístulas anais são um desafio na cirurgia colorretal, com recorrência e incontinência pós-operatória frequentes. Diversos sistemas de classificação existem, mas seu valor preditivo para o tratamento e desfechos cirúrgicos ou funcionais permanece incerto.
Objetivos: Comparar as classificações Parks, American Society of Colon and Rectal Surgeons (ASCRS) e St. James University Hospital (SJUH), baseada em ressonância magnética, quanto à predição de desfechos cirúrgicos e preservação da continência.
Métodos: Análise retrospectiva de 89 pacientes submetidos a tratamento cirúrgico definitivo de fístula anal (2012–2019). Foram excluídos pacientes com fístula retovaginal, doença de Crohn ou radioterapia pélvica prévia. Fístulas foram classificadas pelos sistemas Parks, ASCRS e SJUH (n=49). Desfechos incluíram número de procedimentos, tipo de procedimento inicial, fechamento da fístula e fechamento sem piora da continência. Continência pré e pós operatória avaliada pelo escore Jorge-Wexner.
Resultados: A maioria das fístulas era transesfincteriana (Parks Tipo 2, 62%) e complexa (ASCRS, 65%). O fechamento da fístula ocorreu em 86,5% e sem piora da continência em 73%. Parks e ASCRS associaram-se ao fechamento com preservação da continência (p=0,008 e p=0,007) e ao tipo de procedimento inicial. Parks manteve significância considerando apenas o fechamento (p=0,005), enquanto ASCRS apresentou associação limítrofe (p=0,051). SJUH associou-se apenas à escolha do procedimento inicial.
Conclusões: Parks e ASCRS estiveram associadas ao fechamento da fístula com preservação da continência e ao tipo de procedimento inicial. Considerando apenas o fechamento, apenas Parks manteve associação significativa. SJUH esteve limitada à escolha do procedimento. No geral, Parks e ASCRS orientam planejamento cirúrgico e predição de desfechos, com Parks ligeiramente superior.
Descritores:
Fístula Retal; Canal Anal; Classificação; Incontinência Fecal; Cirurgia Colorretal
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