RACIONAL: A relação entre trombose e câncer é baseada em evidências de que o câncer promove alterações protrombóticas no sistema hemostático do hospedeiro. A ativação da coagulação sanguínea está intimamente ligada ao crescimento e disseminação do tumor.
OBJETIVOS: Avaliar se as quantificações do ácido desoxirribonucleico (DNA) tumoral na circulação plasmática e do complexo trombina-antitrombina poderiam atuar como preditores de eventos trombóticos e morte em pacientes com adenocarcinomas gástricos ou colorretais, avaliando também o status de desempenho de Karnofsky.
MÉTODOS: Oitenta e dois pacientes foram incluídos no estudo e divididos em três grupos: controles (n=20), adenocarcinomas gástricos (n=21) e adenocarcinomas colorretais (n=41). No cálculo do índice de Karnofsky foram coletadas informações para medir a capacidade do paciente de realizar tarefas diárias comuns. As seguintes dosagens séricas foram realizadas: hemograma completo, contagem de plaquetas, ácido desoxirribonucleico extracelular e complexo trombina-antitrombina.
RESULTADOS: Dez pacientes (16%) apresentaram trombose durante o tratamento. Pacientes com níveis de complexo trombina-antitrombina superiores a 0,53 apresentaram risco cinco vezes maior de trombose. A baixa classificação de desempenho de Karnofsky também foi considerada um fator de risco para o evento nesta população. Nem o complexo trombina-antitrombina, nem o DNA tumoral da circulação plasmática foram preditores de morte após ajuste multivariado. O índice Karnofsky sinalizou um melhor prognóstico de sobrevida global para pacientes com adenocarcinoma colorretal e gástrico.
CONCLUSÕES: O complexo trombina-antitrombina atua como marcador de trombose em pacientes com adenocarcinoma colorretal e gástrico. Recomendamos anticoagulação profilática quando o valor do Karnofsky for baixo e/ou a concentração do complexo trombina-antitrombina for superior a 0,53 ng/ml.
DESCRITORES:
DNA; Trombina; Protrombina; Trombose; Neoplasias colorretais
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