CARTA AO EDITOR
Gastrites (dispepsias): sugestões de como abordar o tema com pacientes fazendo-os entender o problema e buscarem soluções
Jorge Alberto Langbeck Ohana
Popularizados como "gastrites", os desconfortos dolorosos ou não que se localizam na região epigástrica ("boca do estômago"), são mais acertadamente denominados de DISPEPSIAS.
No imaginário da população, gastrite é o início de um padecimento que pode evoluir para uma úlcera e dessa para câncer gástrico. Em verdade, essas condições patológicas são bastante individualizadas, tendo origens peculiares. As queixas clínicas poderão causar algumas dificuldades para discerni-las.
Outra grande preocupação por parte dos pacientes é saber se "gastrite tem cura". É muito importante que eles entendam os cinco grupos principais causadores de dispepsias. Deverá ficar muito claro que, excluindo-se a erradicação completa da bactéria Helicobacter pilori, as demais situações de agressão à mucosa gástrica poderão ser recorrentes, dependendo da exposição permanente ou reexposição às mesmas. Idealizei um quadro que reproduzo abaixo, demonstrado os principais fatores de agressão ao estômago:
1. Helicobacter pylori - Bactéria que habita entre 60 a 80% dos estômagos humanos no mundo. Geralmente é assintomática, mas poderá agredir a barreira mucosa de proteção gástrica, determinando manifestações clínicas dispépticas. É sensível ao tratamento específico, porém poderá apresentar resistência ou recorrência em pequenos percentuais. Para isso, existem os retratamentos.
2. Má alimentação - Tanto na composição dos alimentos como na indisciplina aos horários recomendados. Deixar de fazer a refeição matinal, comer fora de hora, comer apressadamente, abusar de frituras, condimentos, conservas, enlatados, embutidos, condimentados, pimentas, carnes conservadas em sal, refrigerantes e fast-foods, são os grandes vilões.
3. Bebidas alcoólicas - Tanto na quantidade, quanto na habitualidade, bem como na qualidade da bebida. Ingerido de modo ocasional (social) e em pequenas doses de bebidas de boa procedência, não deverão causar transtornos.
4. Medicamentos - O primeiro conselho é que se evite qualquer tipo de automedicação. Mesmo quando prescritos pelo médico, antinflamatórios hormonais ou não, antibióticos e alguns antivirais, poderão causar agressão da mucosa do estômago, necessitando de um acompanhamento de remédio protetor da mesma. Algumas drogas ditas ilícitas, também agridem o estômago.
5. Estresse - Os pacientes sempre perguntam se "existe mesmo a gastrite nervosa"? É claro que sim. Do sistema nervoso central parte um nervo denominado "vago", que chega a vários órgãos, entre os quais ao estômago. Pode causar uma produção excessiva de gastrina e de ácido clorídrico, em condições de excitação maior por estresse. A vida competitiva, as perdas, as cobranças do mundo moderno, as tensões familiares e financeiras e a constante sensação de insegurança, encontram-se entre os principais fatores de estresse.
Como pode-se observar, é muito difícil assegurar a "cura" de uma gastrite. Mais do que o médico e os medicamentos, é necessário que o paciente entenda a problemática envolvida e busque, dentro de si, a correção dos fatores de agressão, seguindo as orientações do médico, ao qual deverá manter fidelidade incondicional, desde que se estabeleça excelente relação médico-paciente.
É importante lembrar sempre, que o ser humano é indissociável na sua essência. É integral bio-psico-socialmente.
Recebido para publicação: 17/12/2012
Aceito para publicação: 05/03/2013
Fonte de financiamento: não há
Conflito de interesses: não há

