Racional: Pesquisas indicam que pacientes submetidos à cirurgia bariátrica enfrentam um risco seis a sete vezes maior de desenvolver transtorno por uso de álcool (TUA) em comparação à população de indivíduos obesos que não passam por intervenção cirúrgica. Estudos sugerem que o consumo problemático de álcool, incluindo depressão, aumenta gradualmente após a cirurgia.
OBJETIVOS: Avaliar o impacto da cirurgia bariátrica na incidência de transtorno do uso de álcool (TUA) e depressão durante o período pós-operatório.
MÉTODOS: Estudo prospectivo avaliando 68 pacientes submetidos à gastrectomia vertical (GV) ou bypass gástrico em Y-de-Roux (BGYR). A presença de TUA e depressão foi avaliada tanto no pré quanto no pós-operatório. A avaliação de TUA utilizou o escore AUDIT-C, enquanto a depressão foi avaliada pelo Inventário de Depressão de Beck (IDB).
RESULTADOS: A idade média da amostra foi de 42,81±9,28 anos, sendo 85,3% do sexo feminino. O acompanhamento médio foi de 16,54±7,41 meses. Na avaliação pré-operatória, 92,6% da amostra estava na categoria de baixo risco para TUA. Não houve diferença significativa entre os grupos BGYR e GV. No pós-operatório, 89,7% da amostra foi classificada como de baixo risco para TUA, sem diferenças significativas em relação à avaliação pré-operatória. Em relação à depressão, não houve diferença significativa entre os períodos pré e pós-operatório para todos os pacientes. No entanto, foi observada uma tendência significativa de redução da “depressão severa” no período pós-operatório para os pacientes submetidos à GV (pré: 14,0% vs. pós: 7,0%, p=0,013, p<0.05).
CONCLUSÕES: Não há diferença significativa na presença de transtorno do uso de álcool e depressão entre as avaliações pré e pós-operatórias em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica.
DESCRITORES:
Alcoolismo; Depressão; Obesidade; Cirurgia Bariátrica