Palavras-chave
Oclusão Coronária; Angina Microvascular; Miócitos Cardíacos; Circulação Colateral; Biomarcadores (Elabela)
Keywords
Coronary Occlusion; Microvascular Angina; Myocytes, Cardiac; Collateral Circulation; Biomarkers (Elabela)
Palavras-chave
Oclusão Coronária; Angina Microvascular; Miócitos Cardíacos; Circulação Colateral; Biomarcadores (Elabela)
Keywords
Coronary Occlusion; Microvascular Angina; Myocytes, Cardiac; Collateral Circulation; Biomarkers (Elabela)
A Oclusão coronariana total (OCT) caracteriza-se por uma obstrução com duração estimada em mais de 3 meses e está presente em cerca de 15-18% de todas as coronariografias realizadas.1 As manifestações clínicas podem variar desde quadros assintomáticos, passando por angina estável, até graus variados de disfunção ventricular. Isto depende principalmente do grau da circulação colateral. Sendo pobre, pode levar a comprometimento da viabilidade dos miócitos e associar-se a vários graus de necrose e/ou miocárdio hibernante. Na presença de colaterais bem desenvolvidas (Rentrop grau III), o paciente pode ser assintomático e ter função contrátil preservada.2 Portanto, a formação de uma circulação colateral bem desenvolvida, principalmente antes da oclusão do vaso, é fundamental para a preservação dos miócitos.
Apesar dos avanços no tratamento clínico da angina estável, muitos pacientes portadores de OCT são submetidos a procedimentos intervencionistas. Destes, a maioria é encaminhada para cirurgia de revascularização miocárdica ou intervenção coronariana percutânea (ICP) com técnicas mais avançadas, mas também com maior risco de complicações. O estudo de mecanismos potencialmente estimuladores da arteriogênese e angiogênese (formação de circulação colateral) abre oportunidades para o desenvolvimento de medicamentos que, por sua vez, evitariam intervenções desnecessárias e/ou poderiam beneficiar pacientes com sintomas refratários ao tratamento clínico convencional otimizado e que são maus candidatos às intervenções (exemplo: leito distal fino, doença coronariana difusa).
Nesta edição dos ABC, em um estudo transversal, Yavuz e Kaplan3 observaram a relação entre os níveis de elabela com OCT e a presença de circulação colateral. Há plausibilidade biológica para suportar esta associação. A estimulação do sistema apelinérgico, seja pela apelina ou elabela sobre os receptores APJ, estimula a proliferação vascular.4 Enquanto a apelina promove predominantemente a angiogênese, isto é, vascularização mais capilar, que é importante em regiões peri-lesionais. Já a elabela é responsável pela arteriogênese, promove a formação de novos vasos com diâmetro de até 2 mm de diâmetro,5 que é o aspecto mais importante para a formação de circulação colateral.2
Foram necessários aproximadamente 30 anos entre a descoberta do receptor APJ até o aparecimento dos primeiros estudos clínicos,4 mas serão necessários mais tempo para estudos prospectivos comprovarem a associação entre elabela e formação de novos vasos em adultos. Será que a partir destes estudos deste sistema teremos o desenvolvimento da primeira droga efetiva, que funciona sendo agonista de um sistema para tratamento da doença coronariana crônica? Atualmente as drogas eficazes atuam inibindo a agregação plaquetária, reduzindo o LDL colesterol, estabilizando as placas ateromatosas, reduzindo o consumo miocárdico de oxigênio, mas, não, estimulando a neoformação vascular.6 Será interessante a mudança de paradigma, e teremos que aprender a manejar tais medicamentos, cuja lógica pode não ser a de uso por tempo indeterminado.
Referências
- 1 Hira RS, Lombardi WL. Interventions for Coronary Chronic Total Occlusions. In: Topol EJ, Teirstein PS, eds. Textbook of Interventional Cardiology. 8th ed. Philadelphia: Elservier; 2020.
- 2 Duncker DJ, Canty Jr JM. Coronary Blood Flow and Myocardial Ischemia. In: Zipes DP, Libby P, Bonow RO, Mann DL, Tomaselli GF, Braunwald E, eds. Braunwald’s Heart Disease. 11 th ed Philadelphia: Elservier; 2019.
- 3 Yavuz F, Kaplan M. Associação entre os Níveis Séricos de Elabela e Oclusão Total Crônica em Pacientes com Angina Pectoris Estável. Arq Bras Cardiol. 2021; 117(3):503-510.
- 4 Ladeiras Lopes R, Ferreira-Martins J, Leite Moreira A. O sistema apelinérgico: papel na fisiologia e patologia humanas e potenciais aplicações terapêuticas.Arq Bras Cardiol 2008; 90(5): 374-380.
- 5 Liu W, Yan J, Pan W, Tang M. Apelin/Elabela-APJ: a novel therapeutic target in the cardiovascular system. Ann Transl Med. 2020;8( ):243.
- 6 Knuuti J, Wijns W, Saraste A, et al. 2019 ESC Guidelines for the diagnosis and management of chronic coronary syndromes: The Task Force for the diagnosis and management of chronic coronary syndromes of the European Society of Cardiology (ESC). European Heart Journal 2019;41:407-77.
