Palavras-chave
Hipertensão/epidemiologia; Hipertensão/prevenção e controle; Grupo com Ancestrais do Continente Africano/genética; Fatores de Risco; Tabagismo; Alcoolismo
Keywords
Hypertension/epidemiology; Hypertension/prevention & control; African Continental Ancestry Group/genetics; Risk Factors; Tobacco Use Disorder; Alcoholism
Palavras-chave
Hipertensão/epidemiologia; Hipertensão/prevenção e controle; Grupo com Ancestrais do Continente Africano/genética; Fatores de Risco; Tabagismo; Alcoolismo
Keywords
Hypertension/epidemiology; Hypertension/prevention & control; African Continental Ancestry Group/genetics; Risk Factors; Tobacco Use Disorder; Alcoholism
A hipertensão arterial (HA) é a doença crônica mais prevalente em todo o mundo e o principal fator de risco da maioria das doenças cardio cerebrovasculares.1 A verdadeira prevalência no Brasil ainda é desconhecida, e os dados que temos advêm do Estudo Vigitel, onde as informações são obtidas por contato telefônico. Estima-se por volta de 31% a prevalência da HA no Brasil em indivíduos adultos.2 Em recentes dados do Estudo Vigitel, a prevalência foi de 25,7% da população brasileira adulta.3 O conhecimento da real prevalência e a distribuição geográfica é importante não só para medidas de prevenção e tratamento, mas também contribuir para o conhecimento da gênese da doença.
Algumas populações, e em especial os indivíduos afrodescendentes, a HA apresenta características próprias desde prevalência, resposta terapêutica e gravidade.4,5 O aspecto multifatorial da HA só é compreendido quando se avalia populações especiais em habitats e hábitos próprios, como no caso dos quilombolas, onde os indivíduos com ancestralidade negra ainda mantém algumas características genéticas e culturais da origem africana.6 A análise neste contexto tem importância visto que podemos detectar aspectos próprios dos fatores relacionados com o desenvolvimento da HA.
Neste estudo6 a prevalência da HA nas comunidades quilombolas de Sergipe foi de 26%, relatando os autores que a média no estado é bem inferior (20,4%).7 Entretanto os valores se assemelham em muito aos encontrados no Estudo Vigitel que tenta refletir a população brasileira. Em relação aos fatores de risco para a HA, nesta população com certo grau de vulnerabilidade, o estudo evidenciou hábitos de vida inadequados principalmente a inatividade física, o tabagismo e consumo de álcool. A quantificação do sal na dieta não foi precisa, pois são necessários exames mais complexos para se determinar os valores, e os autores justificam o fato pela própria limitação do estudo.8
O conhecimento destes fatores de risco, tanto para a HA quanto para eventos cardiovasculares é importante para o planejamento de ações de saúde nestas populações de risco. Este trabalho6 apresenta um valor epidemiológico bastante significativo, pois permite considerações sociais e extrapolação a outras comunidades quilombolas para uma intervenção de equipes de saúde para uma melhor prevenção cardiovascular.
-
Minieditorial referente ao artigo: Prevalência da Hipertensão Arterial Sistêmica em Comunidades Quilombolas do Estado de Sergipe, Brasil
Referências bibliográficas
- 1 Picon RV, Fuchs FD, Moreira LB, Riegel G, Fuchs SC. Trends in prevalence of hypertension in Brazil: a systematic review with meta-analysis. PLOS One. 2012;7(10):e48255.
- 2 Chor D, Ribeiro AL, Carvalho MS, Duncan BB, Lotufo PA, Nobre AA, et al. Prevalence, awareness, treatment and influence of socioeconomic variables on control of high blood pressure: results of the ELSA-Brasil Study. PLOS One. 2015;10(6):e0127382.
-
3 Brasil.Ministério da Saúde.Vigitel Brasil 2016. Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. [Internet]. [Acesso em 2019 abr 23]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigitel_brasil_2016_fatores_risco.pdf
» http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigitel_brasil_2016_fatores_risco.pdf - 4 Kimura L, Angeli CB, Auricchio MT, Fernandes GR, Pereira AC, Vicente JP, et al. Multilocus family-based association analysis of seven candidate polymorphisms with essential hypertension in an African-derived semi-isolated Brazilian population. Int J Hypertens. 2012;2012:859219.
- 5 Musemwa N, Gadegbeku CA. Hypertension in African Americans. Curr Cardiol Rep. 2017; 19(12):129.
- 6 Santos DMS, Prado BS, Oliveira CCC, Almeida-Santos MA. Prevalência da Hipertensão Arterial Sistêmica em Comunidades Quilombolas do Estado de Sergipe, Brasil. Arq Bras Cardiol. 2019; 113(3):383-390.
-
7 Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). [Internet]. Censo demográfico: características da população e dos domicílios. 2010. [Citado em 2013 jan 12]. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/pesquisa/censo-demografico/demografico-2010/universo-caracteristicas-da-populacao-e-dos-domicilios
» https://sidra.ibge.gov.br/pesquisa/censo-demografico/demografico-2010/universo-caracteristicas-da-populacao-e-dos-domicilios - 8 Jacobson MF, Campbell NRC. Shaking out the truth about salt. J Clin Hypertens (Greenwich). 2019;21(7):1018-9.
