As arritmias cardíacas são condições heterogêneas, que podem limitar a atividade física (AF) e prejudicar a qualidade de vida (QV).
Descrever os níveis de AF e as barreiras percebidas, bem como avaliar suas associações com o fenótipo de arritmia e a QV em pacientes ambulatoriais de nível terciário com função do ventrículo esquerdo (VE) preservada, se faz necessário.
Este é um estudo piloto, transversal, que incluiu adultos com arritmias documentadas e fração de ejeção do VE (FEVE) ≥ 50%. A AF foi avaliada por meio da versão curta do International Physical Activity Questionnaire (IPAQ), e a QV pelo 12-Item Short Form Survey (SF-12). As arritmias foram classificadas como taquicardia supraventricular (TSV), fibrilação atrial (FA) e/ou taquicardia atrial (TA) (incluindo flutter atrial quando aplicável), ventricular, hereditária ou múltipla. As associações foram analisadas por meio de testes do qui-quadrado, regressão multinomial e modelos de regressão linear.
Entre 202 participantes (idade média 50,5 ± 15,3 anos; 58,9% homens), 20,3% eram sedentários e 45,6% eram ativos ou muito ativos. A prevalência de comportamento sedentário foi maior entre pacientes com arritmias ventriculares (25,9%), arritmias hereditárias (35,1%) e arritmias múltiplas (25,0%) em comparação com aqueles com TSV (3,8%) e FA/TA (8,0%) (p = 0,043). Nos modelos ajustados, níveis de AF ativos ou muito ativos mostraram uma tendência a escores mais elevados no componente físico do SF-12 (p = 0,08), enquanto os escores do componente mental foram principalmente influenciados pelo status dos sintomas e pelo sexo.
Nesta coorte ambulatorial terciária com arritmias e FEVE preservada, a inatividade física concentrou-se em fenótipos de maior risco e esteve frequentemente associada a barreiras potencialmente modificáveis, incluindo orientação médica e falta de tempo. Níveis mais elevados de AF tenderam a estar associados a melhor estado de saúde física, sustentando a necessidade de aconselhamento individualizado baseado no risco e de estratégias supervisionadas para promover de forma segura a AF em pacientes com arritmias.
Palavras-chave
Arritmias Cardíacas; Exercício Físico; Qualidade de Vida
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