Open-access Teste de Degrau de Seis Minutos como Alternativa para a Avaliação da Capacidade Funcional de Pacientes com Doenças Cardiovasculares

Palavras-chave
Hipertensão; Pressão Arterial; Hereditariedade/genética; Exercício; Esportes; Futebol; Endotélio; Atletas

Keywords
Hypertension; Blood Pressure; Heredity/genetic;; Exercise; Sports; Football; Endothelium; Athletes

Palavras-chave
Hipertensão; Pressão Arterial; Hereditariedade/genética; Exercício; Esportes; Futebol; Endotélio; Atletas

Keywords
Hypertension; Blood Pressure; Heredity/genetic;; Exercise; Sports; Football; Endothelium; Athletes

A capacidade funcional é um importante marcador de morbimortalidade em pacientes com doenças cardiopulmonares.1,2 Embora a medida direta do consumo pico de oxigênio (VO2pico) por meio dos testes cardiopulmonares (padrão-ouro) seja o método mais indicado para avaliar a capacidade funcional, a sua utilização na prática clínica ainda é restrita, devido ao custo elevado.1,2

O teste de degrau de seis minutos (TD6M), além de ser rápido, tem como principal vantagem a necessidade de um espaço mínimo para a sua realização. Esses fatores, e o fato de não necessitar sinais sonoros, torna-se bastante atrativo para a utilização em clínicas e hospitais. Os testes com degrau são utilizados há muito tempo para avaliar a capacidade funcional, tanto em pessoas saudáveis como naqueles com doenças pulmonares.3 Nos pacientes com doenças pulmonares, observou-se uma correlação positiva (r = 0,76) entre o TD6M e o teste de caminhada de seis minutos,4 que necessita de maior espaço para sua realização.5 Curiosamente, os dados de correlação entre o TD6M e a medida direta da capacidade funcional são escassos, sobretudo em pacientes com doenças cardiovasculares.

O estudo Ritt et al.6 busca suprir essa lacuna ao submeter 171 pacientes com insuficiência cardíaca e doença arterial coronariana ao TD6M e ao teste cardiopulmonar em esteira. Os resultados indicaram correlação significante entre VO2pico, obtida no teste de esteira, e o desempenho no TD6M (de r = 0,69). Ademais, elaborou-se uma equação preditora de estimativa do VO2pico para homens [VO2pico = 19,6 + (0,075* TD6M) – (0,10*idade)] e para mulheres [VO2pico = 19,6 + (0,075*6 TD6M) - (0,10*idade) – 2], baseadas nos resultados do teste do degrau. Por fim, os autores identificaram 105 subidas como ponto de corte para VO2pico acima de 20 ml/kg*min, algo que em pacientes cardíacos é considerado um bom indicador de prognóstico cardiovascular.

Apesar dos resultados interessantes, devemos destacar aspectos que merecem ser elucidados em estudos futuros. Faltam indicadores psicométricos importantes do TD6M, como a reprodutibilidade e a sensibilidade à mudança. A identificação de pontos de corte é altamente relevante e aplicável na prática clínica. No entanto, para a identificação de indivíduos com baixa aptidão funcional, convém elaborar novos pontos, que considerem idade, sexo e estatura, entre outros fatores. Pontos de corte baseados em uma amostra única e heterogênea possivelmente identificam sobretudo os pacientes com idade mais avançada e do sexo feminino. No entanto, é possível que ao serem comparados aos pares da mesma idade e sexo, os mesmos apresentem capacidade funcional dentro do esperado. Tais aspectos vêm sendo amplamente discutidos no teste de caminhada de seis minutos e podem ser considerados para o TD6M.79

Em suma, o trabalho de Ritt et al.6 apresenta evidencias iniciais e interessantes da utilização do TD6M para avaliar a aptidão funcional de pacientes com doença arterial coronariana e insuficiência cardíaca. Por se tratar de um teste com grande potencial de utilização na prática clínica, estudos futuros sobre o TD6M como marcador prognóstico e suas características psicométricas, bem como valores de referência de acordo com o sexo e a idade, serão bem-vindos.

  • Minieditorial referente ao artigo: O Teste do Degrau de Seis Minutos como Preditor de Capacidade Funcional de Acordo com o Consumo de Oxigênio de Pico em Pacientes Cardíacos

Referências

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  • 2 Task Force of the Italian Working Group on Cardiac R. Statement on cardiopulmonary exercise testing in chronic heart failure due to left ventricular dysfunction: recommendations for performance and interpretation part III: interpretation of cardiopulmonary exercise testing in chronic heart failure and future applications. Eur J Cardiovasc Prev Rehabil. 2006; 13(4): 485-94.
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  • 6 Ritt LEF, Darzé ES, Feitosa GF, Porto JS, Bastos G, Albuquerque RBL, et al. The Six-Minute Step Test as a Predictor of Functional Capacity according to Peak VO2 in Cardiac Patients. Arq Bras Cardiol. 2021; 116(5):889-895.
  • 7 Ritti-Dias RM, Sant’anna FS, Braghieri HA, Wolosker N, Puech-Leão, Lanza FC, et al. Expanding the use of six-minute walking test in patients with intermittent claudication. Ann Vasc Surg. 2021; 70: 258-62.
  • 8 Casanova C, Celli BR, Barria P, Casas A, Cote C, de Torres JP, et al. The 6-min walk distance in healthy subjects: reference standards from seven countries. Eur Respir J. 2011; 37(1): 150-6.
  • 9 Farah BQ, Ritti-Dias RM, Montgomery P, Cucato GG, Gardner A. Exercise intensity during 6-minute walk test in patients with peripheral artery disease. Arq Bras Cardiol. 2020; 114(3): 486-92.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    17 Maio 2021
  • Data do Fascículo
    Maio 2021
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