O funcionamento das florestas secundárias tropicais é fortemente influenciado pela disponibilidade de água e nutrientes, que regulam a produção de serapilheira, a decomposição e a ciclagem de nutrientes. Em paisagens amazônicas sujeitas à agricultura itinerante, perturbações repetidas e o esgotamento de recursos podem gerar efeitos residuais de longa duração nos processos ecossistêmicos. Neste estudo, avaliamos se tais efeitos residuais persistem em uma floresta secundária 14 anos após o término de um estudo de campo em larga escala que manipulou a disponibilidade de nutrientes (por meio da remoção de serapilheira) e o suprimento de água (por meio da irrigação) ao longo de oito anos (1999-2007) na Amazônia do nordeste brasileiro. Analisamos os efeitos duradouros do manejo da água e dos nutrientes na queda de folhagem, estoque de folhagem e Capacidade de Retenção Hídrica (CRH) 14 anos após a conclusão do experimento. Além disso, exploramos a influência de variáveis meteorológicas na queda de liteira. A coleta de dados ocorreu ao longo de 2021 de forma mensal, e as avaliações de estoque e CRH foram realizadas nos meses com maior e menor precipitação, seguindo as médias climatológicas. A queda total de liteira variou de 10,48 ± 0,31 Mg ha-1 a 11,61 ± 0,29 Mg ha-1. O maior estoque de liteira foi observado na estação seca e a menor CRH na estação chuvosa. As variáveis meteorológicas e os tratamentos experimentais não foram preditores significativos da variação na queda ou acúmulo de serapilheira, indicando um fraco controle climático direto sobre a dinâmica da serapilheira neste estágio sucessional. As florestas secundárias na Amazônia apresentam resiliência e a capacidade de otimizar recursos após a agricultura de subsistência.
Palavras-chave:
agricultura familiar; ecossistema sucessional; restauração ecológica
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